O céu (não) é o limite | O que está rolando na ciência e astronomia (07/07/2020)

Por Patrícia Gnipper | 07 de Julho de 2020 às 20h40
Ivan Vagner/Roscosmos/NASA

Está por fora do que tem rolado de importante no "mundão" da ciência? Pois chegou aquele dia da semana em que o Canaltech resume as principais notícias científicas dos últimos dias — tudo para que você fique bem informado sem perder muito tempo nessa missão.

NASA adia mais uma vez lançamento da Mars 2020

Pela terceira vez, a agência espacial dos EUA precisou adiar o dia do lançamento da missão Mars 2020, que levará o rover Perseverance ao planeta Marte. A nova data é o dia 30 de julho, e o motivo da vez que justifica a mudança no cronograma é um problema com o foguete Atlas V, que protagonizará o lançamento.

Um teste geral do foguete foi realizado em 22 de junho, no qual os tanques propulsores foram preenchidos com combustível e todos os procedimentos para praticar o lançamento real foram executados. Então, durante esse teste, uma série de sensores que monitoram os níveis de propulsor de oxigênio líquido no veículo entregaram dados problemáticos, exigindoum tempo extra para descobrir o que deu errado.

Lembrando que a janela de lançamento entre Terra e Marte neste ano está bastante curta e, caso a missão enfrente novos problemas, a NASA pode ficar de fora dessa oportunidade. É que as missões espaciais que visam chegar a Marte têm apenas um pequeno período a cada dois anos para enviar as naves. Esse período corresponde ao momento em que Marte se aproxima da Terra em sua órbita ao redor do Sol. Se a NASA perder a chance de lançar o Perseverance dentro da janela atual, terá que esperar até 2022 para tentar novamente.

Metais dando pistas sobre a formação da Lua

Diagrama da formação lunar de acordo com a hipótese do grande impacto (Imagem: Citronade)

Ainda não temos certeza de como a nossa Lua se formou, ainda que a hipótese mais aceita na comunidade científica seja a da colisão do planeta Theia com a Terra, com os detritos desse choque aos poucos se unindo na órbita do nosso planeta e, assim, formando a Lua. Agora, a descoberta de metais no subsolo lunar dá outras pistas que, de repente, podem refutar a chamada "hipótese do grande impacto".

Na suposta colisão com Theia, a Terra teria perdido parte de sua crosta superior, e toda essa rocha destroçada orbitara ao redor do nosso planeta até se aglutinar e formar a Lua. Só que essa camada do nosso planeta é pobre em metais, com as novas pesquisas sugerindo que o subsolo da Lua é mais rico em metal do que se pensava anteriormente. Ou seja: talvez tenhamos que repensar tudo o que "sabemos" sobre como a nossa Lua se formou.

Indianos investigando Vênus

A Índia está pronta para enviar uma sonda ao planeta Vênus, em parceria com o Instituto Sueco de Física Espacial (IRF) — que já estudou o "planeta infernal" com a sonda ASPERA-4, lançada em 2005 em parceria com a Agência Espacial Europeia (ESA). O novo satélite do IRF se chama Venusian Neutrals Analyzer (VNA) e foi projetado para estudar como as partículas carregadas do Sol (ou vento solar) interagem com a atmosfera e a exosfera venusiana.

O instrumento viajará para o espaço a bordo da missão indiana Venus Shukrayaan-1. A missão indiana também levará outros instrumentos do ao espaço, num total de 16 cargas úteis indianas, e mais algumas cargas internacionais para clientes de diversos países.

Cometa NEOWISE fotografado da ISS

(Foto: Ivan Vagner/Roscosmos/NASA)

O cometa C/2020 F3, apelidado de NEOWISE, foi avistado e fotografado por astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS). Bob Behnken, da NASA, publicou algumas imagens do cometa em seu Twitter, mas a foto mais chamativa mesmo foi a do cosmonauta Ivan Vagner, dando a impressão que o objeto espacial estaria, na verdade, "caindo" na Terra.

Quando foi descoberto no final de março, o cometa gelado estava com brilho bastante fraco, e os astrônomos não tinham certeza de que isso mudaria em algum momento. Mas, com o passar do tempo, o cometa se tornou cada vez mais luminoso, chamando a atenção dos observadores após a decepção com outros dois cometas promissores que desapareceram recentemente — o C/2019 Y4 Atlas e o SWAN, que não ficaram visíveis a olho nu como se esperava.

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A partir de agora, resumimos as principais notícias relacionadas à saúde que rolaram na última semana, em especial sobre a pandemia de COVID-19 e o novo coronavírus SARS-CoV-2.

Novo vírus com potencial pandêmico

(Imagem: Reprodução/Pixabay)

Ainda estamos longe de ver o fim da pandemia do novo coronavírus, e um novo vírus com potencial pandêmico já foi encontrado em porcos na China. Trata-se de uma nova cepa do vírus da gripe, e cientistas alertam que, caso contamine humanos, há o potencial de que essa infecção se espalhe pelo mundo tal qual aconteceu com a do SARS-CoV-2.

Por enquanto, os pesquisadores chineses tentam entender melhor essa descoberta e impedir que o vírus sofra mutações ainda maiores, o que poderia causar, por exemplo, melhor capacidade de infecção e transmissão de pessoa para pessoa. Em última escala, isso poderia terminar em um novo surto global a partir do novo vírus — chamado, provisoriamente, de G4 EA H1N1. Como é um novo vírus, igual foi o coronavírus no final de 2019, as pessoas não têm imunidade e nem seus sistemas imunológicos estão preparados para a infecção desse patógeno. Por isso, é necessária uma rápida contenção desse agente viral.

Cura do HIV pelas mãos de brasileiros?

Pesquisadores da Unifesp, em São Paulo, podem ter desenvolvido um tratamento eficaz para que portadores do vírus da AIDS se curem da infecção. A equipe envolvida conseguiu eliminar a presença do HIV do organismo de um homem que vivia com esse vírus há sete anos, a partir de um tratamento experimental e que não envolve transplante de medula. Até agora, esse paciente está há 17 meses sem sinal do micro-organismo.

Imunidade ao coronavírus pode ser maior do que a prevista

(Imagem: Reprodução/ Visual Science)

Ainda não sabemos exatamente como funciona a imunidade ao novo coronavírus após uma primeira contaminação, mas um estudo sueco sugere que pessoas que testaram negativo à presença de anticorpos da COVID-19 ainda podem ter outros anticorpos para a mesma doença, além daqueles investigados pelos exames sorológicos.

Nesses testes sorológicos, são identificados no sangue determinados anticorpos, específicos para atacar o coronavírus, mas não são apenas eles os responsáveis pela proteção do organismo. No estudo sueco, 200 pessoas foram testadas para a checagem de anticorpos e das células T no sangue, sendo que um estudo chinês investigou, anteriormente, que a presença de anticorpos em pacientes assintomáticos durava até três meses; ou seja, após esse período, em um teste sorológico, seria como se o paciente nunca tivesse tido a COVID-19.

A equipe sueca identificou as células T específicas para a doença no sistema imunológico tanto de pessoas contaminadas, que demonstraram sintomas, quanto em algumas que tiveram casos leves, ou assintomáticos, da COVID-19. Só que nem sempre esses últimos pacientes ainda tinham anticorpos para o novo coronavírus na corrente sanguínea. Agora, o grupo investiga se essas células T apenas protegem esse indivíduo de se contaminar novamente, ou se também o impedem de infectar os demais ao seu redor.

Coronavírus no Brasil antes da pandemia

(Imagem: Unsplash)

Amostras de esgoto coletadas em Santa Catarina em novembro de 2019 apresentaram partículas do vírus SARS-CoV-2, causador da COVID-19. Ou seja: o novo coronavírus poderia já estar por aqui mesmo antes do início da pandemia. Contudo, novas análises seguem em andamento para se bater o martelo nessa questão.

Vacinas contra a COVID-19

(Foto: CWillfried Wende/Pixabay)

A vacina que a Fiocruz produzirá no Brasil pode começar a ser distribuída em dezembro deste ano, caso os testes finais se mostrem efetivos. O desenvolvimento desta vacina vem acontecendo no Rio de Janeiro em parceria com a Universidade de Oxford, e é apontada como uma das mais promissoras entre as mais de 140 fórmulas que vêm sendo criadas em todo o mundo. A previsão é que em dezembro sejam distribuídas 15 milhões de doses, com o restante sendo liberado em janeiro.

E os testes de uma vacina chinesa com voluntários brasileiros já foram autorizados pela Anvisa. A empresa Sinovac Biotech fornecerá sua vacina para testes nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraná, além do Distrito Federal.

Além disso, a vacina da norte-americana Pfizer contra a COVID-19 já mostra eficácia em testes com humanos. Atualmente, essa vacina é uma das 17 testadas em humanos para se encontrar uma vacina que possa ajudar o mundo a controlar a pandemia e, por enquanto, essa potencial vacina da Pfizer é a quarta a apresentar evidências promissoras em testes com pessoas voluntárias.

Contudo, é preciso ressaltar que vacinas protegem contra a COVID-19, mas não eliminam o vírus do planeta — e o Instituto Butantan reforça este fato. Afinal, vacinas garantem a imunização das pessoas, mas não agem de maneira a acabar com a circulação do vírus por aí. "O coronavírus veio e veio para ficar. Ele vai nos acompanhar. Durante todo o tempo de nossas vidas, teremos coronavírus circulando”, afirmou Ricardo Palacios, diretor de Pesquisa Clínica do Instituto Butantan.

Preço elevado para tratamento contra a COVID-19

(Foto: reprodução/ Veracruzanos)

O antiviral remdesivir, que já pode ser receitado para o tratamento da doença causada pelo novo coronavírus, é fabricado pela farmacêutica norte-americana Gilead Sciences e seu preço não é nada popular.

O tratamento com o remdesivir custará, apenas considerando os medicamentos, US$ 3.120 (o que representa mais de R$ 16,5 mil) por paciente, dentro de um hospital privado nos Estados Unidos. É que a maioria dos pacientes tratados com remdesivir deve utilizar seis frascos do medicamento em cinco dias, totalizando os US$ 3.120. Já o tratamento mais longo, com duração de 10 dias, utilizará em média de 11 frascos com o valor de US$ 5.720 (cerca de 30 mil reais) para os pacientes com seguros de saúde privados.

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