Vacina da Pfizer contra COVID-19 mostra eficácia em teste com humanos

Por Fidel Forato | 01 de Julho de 2020 às 15h19
Reprodução

Na corrida global por tratamentos para o novo coronavírus (SARS-CoV-2), mais uma iniciativa apresenta suas pesquisas feitas em humanos. É que a vacina contra a COVID-19, desenvolvida pela empresa de biotecnologia alemã BioNTech e pela farmacêutica norte-americana Pfizer, obteve bons resultados iniciais nesses testes, conforme divulgado pelas companhias nesta quarta-feira (1).

Atualmente, essa vacina é uma das 17 testadas em humanos para se encontrar uma vacina que possa ajudar o mundo a controlar a pandemia da COVID-19, que já afetou diretamente mais de 10,5 milhões de pessoas, sendo que cerca de 500 mil delas faleceram em decorrência da infecção respiratória. 

Por enquanto, essa potencial vacina da BioNTech e da Pfizer é a quarta a apresentar evidências promissoras em testes com humanos. Além dessa, os outros projetos globais envolvem as farmacêuticas Moderna, CanSino Biologics e Inovio Pharmaceuticals.

Pesquisa com humanos: Potencial vacina da BioNTech e da Pfizer tem resultados iniciais positivos (Foto: Willfried Wende/Pixabay)

Entenda os resultados

Para a avaliação da eficácia da droga, a BioNTech testou três dosagens de seu medicamento, chamado de BNT162b1, em 24 voluntários saudáveis. As análises demonstraram que, após 28 dias, os testados desenvolveram níveis mais altos de anticorpos para a COVID-19 do que é normalmente observado em pessoas infectadas, após a recuperação.

A imunização das pessoas, independente das doses, foi feita através de duas injeções dentro de três semanas uma da outra. No entanto, a administração da dose intermediária testada foi seguida por uma febre curta em três dos quatro participantes, após a segunda injeção. Agora, a dosagem com a concentração mais alta não chegou a ser concluída por causa da dor causada na hora da injeção.

"Esses primeiros resultados de testes mostram que a vacina produz atividade imune e causa uma forte resposta imune", explica o co-fundador e CEO da BioNTech, Ugur Sahin. Agora, em uma segunda etapa das pesquisa, estão sendo preparados ensaios maiores para mostrar se os resultados da imunização se repetem e como funcionam diante de uma infecção real.

"Acreditamos que os benefícios parecem superar os riscos até agora, especialmente quando se considera a doença que a vacina está tentando impedir", comenta o analista da Mizuho Securities Divan Vamil, em nota.

O que falta?

Até agora, nenhuma vacina contra o novo coronavírus foi aprovada para uso comercial, em larga escala. Isso porque os testes em estágio inicial são projetados para medir certos anticorpos e outros marcadores imunológicos no sangue, em pequenos grupos. Por isso, a pesquisa sempre requer uma validação adicional.

Agora, a BioNTech e a Pfizer devem iniciar um estudo maior para comprovar a eficácia da potencial vacina que envolve cerca de 30 mil participantes saudáveis. Essa etapa, provavelmente, começará nos Estados Unidos e na Europa no final de julho, assim que for autorizada pelos órgãos de vigilância locais.

Se a pesquisa obtiver sucesso na resposta imune das pessoas contra a COVID-19, as empresas já estão preparando até 100 milhões de doses para o final de 2020, e mais 1,2 bilhão de doses até o final de 2021, em uma produção que deve se dividir entre a Alemanha e os Estados Unidos.

Com a boa notícia, as ações da BioNTech subiram 4,6%, depois de subirem 19%, atingindo o nível mais alto em mais de três meses. Além disso, as ações da Pfizer também subiram 4,4%. Do outro lado, as ações de alguns desenvolvedores de vacinas rivais, como Moderna e Novavax Inc, caíram.

Fonte: Reuters

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