O céu (não) é o limite | Mistério em Marte, foto do rover Perseverance e mais

O céu (não) é o limite | Mistério em Marte, foto do rover Perseverance e mais

Por Daniele Cavalcante | Editado por Patrícia Gnipper | 14 de Agosto de 2021 às 20h00
NASA/JPL-Caltech

Marte deu o que falar nesta semana. Além do helicóptero Ingenuity realizar um novo voo para acompanhar a primeira missão científica do rover Perseverance, a própria tentativa de o "Percy" coletar amostras do solo marciano falhou. Não que houvesse algo errado com o rover, pois ele executou todas as ações direitinho, mas ele mesmo assim não conseguiu coletar nada. O que houve com a amostra? 

Entenda melhor essa história e veja os demais destaques espaciais da semana:

O mistério da amostra marciana "desaparecida" 

(Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech)

O rover Perseverance realizou todos os procedimentos autônomos para coletar uma amostra do solo marciano, mas, após perfurar o solo, não havia nada dentro do tubo de coleta. A equipe da missão não encontrou nada de anormal no rover, que realmente conseguiu usar a broca para perfurar e coletar parte dos detritos, mas o conteúdo parecia ter desaparecido. A NASA investigou o caso e concluiu que o problema estava no solo, e não no hardware ou software do Perseverance.

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Essa conclusão faz sentido, porque rover conseguiu realizar uma perfuração de 8 cm no chão do Planeta Vermelho, mas os dados da cavidade perfurada mostraram que as propriedades da rocha podem ser as culpadas. Talvez a coleta não tenha acontecido porque o rover perfurou uma rocha "macia demais", deduziu a equipe. Se este for o caso, a estrutura do solo é tão frágil que a perfuração resultou em poeira fina o suficiente para escapar do tubo de coleta.

Onde está o Perseverance?

Na semana passada, o helicóptero Ingenuity completou seu 11º voo em Marte, com um pouco mais de dois minutos de duração, e fotografou o Perseverance a uma distância de 500 metros. O rover ficou tão pequenininho na imagem que a NASA aproveitou para brincar de "onde está o Wally?" no perfil oficial da missão no Twitter. A foto tirada pelo helicóptero mostra o rover Perseverance durante sua primeira campanha científica. Você consegue encontrá-lo? Dica: é preciso dar um zoom na imagem.

A sombra do Ingenuity aparece com destaque na parte inferior da foto, mas o Perseverance está muito longe. Se você observar bem a parte superior da imagem encontrará uma pequena forma escura com um minúsculo reflexo brando, um pouco à frente de uma duna. Eis o nosso "Percy" trabalhando para investigar o solo marciano!

NASA faz primeiros testes com o futuro cão-robô astronauta

(Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech)

A NASA quer usar o “cão-robô” Spot, da Boston Dynamics, para investigar as cavernas de Marte. A iniciativa já havia sido anunciada no ano passado, mas, agora, a agência espacial começou a explorar cavernas da Terra semelhantes às observadas no Planeta Vermelho. O objetivo é aprimorar a tecnologia e a inteligência artificial do robô para ele poder ser usado em missões marcianas.

Com sua IA Nebula, o futuro "austronauta" robótico poderá processar informações e tomar decisões enquanto explora as cavernas sem qualquer informação prévia. Foi justamente essa capacidade que a NASA experimentou nas cavernas terrestres. A equipe de pesquisadores ficou do lado de fora da caverna, enquanto executava ações que os cientistas fariam durante uma missão real em Marte.

Objeto que extinguiu os dinossauros pode ter vindo do Cinturão de Asteroides

(Imagem: Reprodução/Tim Peake/Nasa/ESA)

Uma equipe de cientistas criou uma simulação de computador para tentar descobrir o tipo de objeto que caiu na Terra e causou a extinção dos dinossauros. O estudo se baseia em análises geoquímicas de vestígios do impacto que causou a extinção dos dinossauros, na cratera Chicxulub, localizada na Península de Yucatán, no México. Essas análises concluíram que o asteroide poderia ser um condrito carbonáceo, grupo primitivo de objetos espaciais provavelmente formados durante a "infância" do Sistema Solar.

O resultado da simulação mostrou que asteroides com mais de 9,6 km de diâmetro poderiam ser lançados da parte mais externa do Cinturão de Asteroides, que fica entre as órbitas de Marte e Júpiter, em uma rota de colisão com a Terra. Mais especificamente, isso poderia acontecer uma vez a cada 250 milhões de anos, em média. Curiosamente, a cratera Chicxulub parece ter se formado por um impacto que se estima ter ocorrido nos últimos 250 milhões de anos.

Estrela rara explode em nova pela 1ª vez em 15 anos

Um astrônomo amador testemunhou um evento raro: a nova de uma estrela que explode uma vez a cada quinze anos. O evento ocorreu entre os dias 8 e 9 de agosto e deixou a estrela RS Ophiuchi tão brilhante que foi possível observar a nova a olho nu. Apenas 10 estrelas do tipo recorrente (ou seja, que explodem em determinados intervalos de tempo) já foram descobertas na Via Láctea até o momento.

Essas explosões não são tão cataclísmicas quanto as supernovas, que extinguem a estrela por completo. As novas periódicas ocorrem porque a estrela é parte de um sistema binário, formada por uma anã branca e uma gigante vermelha. Ambas orbitam uma à outra, enquanto a anã branca devora matéria de sua companheira até ganhar massa o suficiente para detonar uma explosão termonuclear.

A dinâmica magnética de estrelas "frias" como o Sol pode ser comum

(Imagem: Reprodução/Mark Myers/OzGrav)

Pesquisadores comparam as propriedades do Sol, uma estrela do tipo G, com outras estrelas consideradas "frias". O parâmetro foi a medida de atividade estelar estabelecida pela combinação da velocidade de rotação da estrela com seus fluxos de fluidos subterrâneos, fatores que influenciam a distribuição do fluxo magnético em sua superfície. O estudo sugere que essas estrelas frias não são muito diferentes umas das outras, o que foi uma surpresa.

O que mais surpreendeu os astrônomos foi o fato de que processo pelo qual um campo magnético em uma estrela é gerado pode ser bem semelhante quando se trata das estrelas frias. O estudo poderá ajudar os astrônomos a compreender melhor o comportamento de estrelas magneticamente ativas.

Cometa pode ser visível a olho nu em 2022 — se sobreviver

(Imagem: Reprodução/E. Guido/M. Rocchetto/E. Bryssinck/M. Fulle/G. Milani/C. Nassef/G. Savini/A. Valvasori/Telescope Live)

Um cometa foi descoberto durante sua jornada em direção ao Sistema Solar interno, e pode ser que ele fique visível a olho nu quando der sua volta ao redor do Sol. Trata-se do C/2021 O3 (PanSTARRS), detectado em 1º de agosto. A má notícia é que, talvez, ele não sobreviva ao periélio, quando um corpo celeste atinge sua aproximação máxima com outro objeto — neste caso, o Sol.

Por enquanto, o cometa não mostra uma cauda por estar muito longe do Sol, mas as imagens revelam uma compacta coma (ou atmosfera cometária) e uma órbita parabólica. Quando foi detectado, sua magnitude aparente era de 20 e ele estava localizado na constelação de Pégaso, a 4,3 vezes a distância média entre a Terra e o Sol.

Sonda OSIRIS-REx ajuda a calcular risco de impacto de Bennu com a Terra

 (Imagem: Reprodução/NASA/Goddard/University of Arizona)

Dados coletados pela OSIRIS-REx, a missão espacial não-tripulada que investigou o grande asteroide Bennu, estão ajudando cientistas a prever riscos de impacto com a Terra. Essas informações poderão ser usadas para testar os limites dos modelos astronômicos e calcular a trajetória futura de Bennu com um grau de certeza bem mais alto do que seria se fosse analisado apenas à distância.

Mais precisamente, os dados devem ser usados em simulações do ano de 2135, quando o Bennu poderia ser atraído pela gravidade da Terra e, aí sim, entrar em rota de colisão. Embora esse perigo não seja uma certeza, os cientistas precisam prever como a gravidade da Terra vai afetar a órbita do objeto em torno do Sol. Assim, eles poderão saber se haverá riscos de um impacto no futuro mais distante, e quais seriam as chances de isso acontecer. As análises preliminares, contudo, mostram que as chances de Bennu colidir com a Terra são muito baixas.

Atrasos na criação de trajes pode adiar pouso humano na Lua; Elon Musk oferece ajuda

(Imagem: Reprodução/NASA/Joel Kowsky)

O desenvolvimento dos novos trajes espaciais para os astronautas da NASA que devem pousar na Lua em 2024 sofrerá um atraso de quase dois anos, o que pode prejudicar os planos para o programa Artemis. Chamados Exploration Extravehicular Mobility Unit (xEMU), os trajes foram revelados em 2019, mas houve atrasos relacionados a centros da NASA fechados devido à pandemia de COVID-19.

No entanto, Elon Musk, CEO da SpaceX, se ofereceu para produzir os trajes e ajudar a NASA nessa tarefa. A proposta não é de todo surpreendente, já que a SpaceX é uma das parceiras da NASA no programa Artemis, com a incumbência de desenvolver o primeiro lander comercial que levará astronautas até a superfície lunar.

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