Objeto que extinguiu os dinossauros pode ter vindo do Cinturão de Asteroides

Objeto que extinguiu os dinossauros pode ter vindo do Cinturão de Asteroides

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 10 de Agosto de 2021 às 10h55
Roger Harris/Science Source

Hoje, a teoria mais aceita para explicar o que causou a extinção dos dinossauros propõe que um asteroide, com aproximadamente 9,6 km de diâmetro, teria atingido a Terra e causado uma série de eventos catastróficos — e, como consequência deles, os dinossauros foram extintos. Agora, um novo estudo pode ter determinado a origem deste objeto. Pesquisadores propõem que o impactador seria um asteroide primitivo gigante vindo do Cinturão de Asteroides, situado entre as órbitas de Marte e Júpiter.

Um dos vestígios do impacto que causou a extinção é a cratera Chicxulub, localizada na Península de Yucatán, no México. Análises geoquímicas da cratera indicam que, talvez, o impactador fizesse parte de uma classe de condritos carbonáceos, um grupo primitivo de meteoritos com alta proporção de carbono em sua composição e que, provavelmente, foram formados durante a "infância" do Sistema Solar. Com essas informações, vários cientistas já tentaram determinar a origem do objeto, mas muitas das teorias apresentadas foram caindo gradualmente.

A localização da cratera na península de Yucatán, no México (Imagem: Reprodução/Tim Peake/Nasa/ESA)

Já neste novo estudo, os pesquisadores criaram um modelo computacional para descobrir a frequência com que os asteroides principais "fogem" do Cinturão e vêm para a Terra, e se algum desses asteroides “errantes” poderiam ser os grandes responsáveis pelo impacto que aniquilou os dinossauros. As simulações incluíram períodos de centenas de milhões de anos, e o modelo mostrou as forças térmicas e puxões gravitacionais exercidos pelos planetas, que podiam lançar periodicamente asteroides de tamanho considerável para fora do Cinturão.

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Como resultado, eles descobriram que um asteroide com mais de 9,6 km de diâmetro teria sido lançado da parte mais externa do Cinturão, em uma rota de colisão com a Terra, uma vez a cada 250 milhões de anos, em média. Isso indica eventos do tipo seriam cinco vezes mais comuns do que se pensava, e o mais importante: o cálculo corresponde com o que se sabe da cratera Chicxulub, a única cratera de impacto que, até então, considera-se ter sido formada por um grande asteroide nos últimos 250 milhões de anos.

Vários meteoritos que já caíram na Terra vieram do Cinturão de Asteroides (Imagem: Reprodução/Daniel Roberts/Pixabay)

Além disso, o modelo analisou também a distribuição dos diferentes tipos de asteroides no Cinturão, mostrando que metade daqueles que eram expulsos eram condritos carbonáceos escuros — o que também combina com o objeto considerado como aquele que formou a cratera de Chicxulub. Essas descobertas podem explicar de onde veio o objeto que causou a cratera, e ajudam também os cientistas a entender melhor a origem de outros asteroides que atingiram a Terra no passado e, quem sabe, a prever onde novos impactadores podem ocorrer.

David Nesvorný, pesquisador que liderou o estudo, comenta que eles descobriram que cerca de 60% dos grandes impactadores terrestres vêm da parte externa do Cinturão, e a maioria dos asteroides dessa região são escuros. “Portanto, há 60% de probabilidade de que o próximo também venha de lá”, disse, em entrevista. “Suspeitava que a parte mais externa do Cinturão, onde os asteroides escuros primitivos ficam, pode ser uma fonte importante de impactadores terrestres, mas não esperava que os resultados fossem tão definitivos”, concluiu.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Icarus.

Fonte: Live Science

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