Estrela rara explode em nova pela 1ª vez em 15 anos — e dá para vê-la a olho nu

Estrela rara explode em nova pela 1ª vez em 15 anos — e dá para vê-la a olho nu

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 11 de Agosto de 2021 às 10h52
Greg Redfern

Keith Geary, astrônomo amador, decidiu passar alguns dias com seus pais na Irlanda. Ao aproveitar uma noite para observar o céu noturno, ele voltou sua câmera e binóculos na direção da estrela RS OPhiuchus, até que percebeu algo estranho nas fotos, que mostravam a estrela tão brilhante que ele pensou até se tratar de algum erro. O que Geary observou foi, na verdade, a mais recente nova dessa estrela, que costuma explodir a cada 15 anos — e a desta vez, ocorrida entre os dias 8 e 9 de agosto, a deixou tão brilhante que permite até observações a olho nu.

A explosão foi observada inicialmente por Alexandre Amorim, astrônomo amador, que logo notificou o que viu seguido pelo relato de Geary e dos depoimentos de pessoas em todo o mundo que também observaram a explosão. A estrela binária RS Ophiuchus fica a cerca de 4.566 anos-luz de nós, na constelação de Ophiuchus, o Serpentário, e observações espectroscópicas confirmaram que, de fato, o aumento de brilho descrito nos relatos corresponde àquele que seria esperado de uma nova — explosão tão violenta que é capaz de ejetar matéria no espaço à velocidade de 2.600 km/s.

Confira um dos registros da nova:

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Geralmente, as novas são eventos raros por si só, mas o que deixa esta ainda mais especial é o tipo da estrela. A RS Ophiuchi é considerada uma nova recorrente, ou seja, uma estrela que irrompe em explosões periodicamente — apenas 10 estrelas desse tipo já foram descobertas na Via Láctea até o momento. Como a última explosão dela aconteceu em 2006, a nova mais recente está perfeitamente dentro do “cronograma” esperado para o comportamento dela.

Essas explosões periódicas ocorrem porque a RS Ophiuchi é uma estrela binária, formada por uma anã branca menor e densa e uma gigante vermelha. Ambas orbitam uma à outra de pertinho e, conforme isso acontece, matéria — composta, principalmente, por hidrogênio — da gigante vermelha é arrancada pela anã branca, que vai sendo aquecida. Conforme esse hidrogênio é acumulado na superfície da anã branca e se aquece, chegará um ponto em que haverá tanta massa que a pressão e temperatura no interior da estrela serão suficientes para detonar uma explosão termonuclear, que expele o excesso de material para o espaço.

Comparação de uma imagem antiga da estrela, com seu brilho mínimo, com a nova recente (Imagem: Reprodução/Rocchetto & Adriano Valvasori / telescope.live)

Se, em algum momento, a anã branca acumular massa suficiente para ultrapassar o chamado “limite de Chandrasekhar”, ela ficará instável e deverá explodir em uma supernova do tipo Ia, que colocará um fim ao sistema binário. Talvez isso aconteça algum dia, mas, se considerarmos o que já foi observado nas novas anteriores da estrela, o esperado é que ela vá perdendo brilho gradativamente nos próximos dias, até desaparecer de vista. Depois, uma nova explosão deverá acontecer somente quando a anã branca acumular hidrogênio suficiente de sua companheira anã vermelha, o que deverá acontecer somente daqui a 15 ou 20 anos.

Fonte: Science Alert, Sky & Telescope 

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