Conheça a história de Jack Parsons, o gênio excêntrico expulso da NASA

Conheça a história de Jack Parsons, o gênio excêntrico expulso da NASA

Por Wyllian Torres | Editado por Patrícia Gnipper | 08 de Agosto de 2021 às 13h00
Los Angeles Times

Antes de ser reconhecido como um gênio, Jack Parsons foi cientista e engenheiro de foguetes. Além disso, chamou a atenção por ser uma personalidade polêmica durante sua breve vida. Desde criança, revelou seu interesse por experimentos envolvendo explosivos — talento que, quando adulto, o tornou um dos pioneiros no avanço de combustíveis líquidos e sólidos para foguetes, fundando, inclusive, o Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), da NASA. Mas, junto à sua genialidade, estava uma figura excêntrica e exotérica envolvida em rituais ocultistas um tanto polêmicos.

Apesar de todas as controvérsias envolvendo seu nome, a história passou a reconhecer as muitas contribuições de Parsons para a engenharia de foguetes. Por suas inovações que contribuíram para o desenvolvimento dos impulsionadores que colocariam o ônibus espacial da agência norte-americana no espaço, hoje ele é considerado uma das figuras mais importante da história do programa espacial dos EUA.

Antes da NASA

Jack Parsons nasceu em 2 de outubro de 1914 em Los Angeles e cresceu em uma família rica. Inspirado pelo mundo dos livros de ficção científica, Parson logo cedo desenvolveu um interesse por foguetes. Por volta de 1928, começou a fazer experimentos com foguetes amadores acompanhado de seu amigo de escola Edward S. Forman. Em 1934, os dois se juntaram a Frank Malina e chamaram a atenção de Theodore von Kármán, o então diretor do Laboratório Aeronáutico Guggenheim (GALCIT).

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Jack Parson, em 1938, segurando uma réplica de um carro-bomba desenvolvido por ele e seus amigos (Imagem: Reprodução/Los Angeles Times)

Liderados por Kármán, os três formaram o Projeto de Pesquisa de Foguetes GALCIT, afiliado à Caltech. Durante muito tempo, os experimentos foram realizados sem apoio financeiro e eram feitos de maneira amadora, mas isso não era o suficiente para parar os três. Por conta dos testes com explosivos, o trio ficou conhecido por seu aparente desejo de morte coletiva, e foram eventualmente apelidados de Esquadrão Suicida.

Em 1939, o grupo GALCIT recebeu um financiamento da Academia Nacional de Ciências (NAS, na sigla em inglês) para trabalhar para os militares norte-americanos. Em 1941, eles demonstraram os primeiros foguetes de decolagem assistidos por jato. No ano seguinte, fundaram a Aerojet para continuarem a desenvolver foguetes deste tipo.

O "Esquadrão Suicida" em Arroyo Seco, Los Angeles, em 1936. Parsons é o último da esquerda para a direita (Imagem: Reprodução/Domínio Público)

Em 1943, a empresa recebeu o nome de Laboratório de Propulsão a Jato (JPL, na sigla em inglês), tornando-se uma instalação formal do exército dos EUA sob contrato da Caltech. No ano seguinte, no entanto, Parsons foi expulso porque seus métodos de trabalho foram considerados “pouco ortodoxos e inseguros”, após o FBI fazer uma série de investigações sobre seu envolvimento com o ocultismo, drogas e promiscuidade sexual.

O lado oculto de Parsons

No ano de 1939, Parsons conheceu a Igreja Thelema, um movimento religioso ocultista fundado pelo inglês Aleister Crowley no início de 1900. Em 1941, ele e sua primeira esposa, Helen Northrup, juntaram-se ao Agape Lodge, um ramo californiano da religião thelemita — no ano seguinte, por ordem de Crowley, Parson passou a administrá-lo. Sua reputação infame à frente do Lodge o tornou alvo das investigações do FBI que o levaram a ser expulso da NASA, em 1944.

Parsons ao lado de um cilindro JATO, desenvolvido junto ao JPL, em 1943 (Imagem: Reprodução/Domínio Público)

Em 1945, Parsons se separa de Helen, não sem antes ter um caso com sua irmã, Sara. Nesse mesmo ano, ele conheceu L. Ron Hubbard, fundador da Igreja da Cientologia, por quem Sara eventualmente trocou Parsons. Mesmo assim, os dois seguiram trabalhando juntos, inclusive realizando uma série de rituais ocultos envolvendo sexo, que ficaram conhecidos como Babalon Working.

O objetivo era fazer com que o espírito da deusa Babalon encarnasse em Sara. Mais tarde, Parsons se desligou da OTO, após Sara e Hubbard detonarem suas economias. Segundo George Pendle, autor da biografia de Parson, “Strange Angel: The Otherworldly Life of Rocket Scientist John Whiteside Parsons” (2005), Jack foi atraído pelo ocultismo, pois ele acreditava que a magia rompia com os limites do mundo físico.

Fim precoce e reconhecimento tardio

Nos anos seguintes, Parsons continuou desempenhando alguns trabalhos, inclusive como consultor para o programa de foguetes de Israel. Então ele foi acusado de espionagem pelo governo norte-americano e parou de trabalhar com foguetes, mas em casa continuou suas experiências explosivas.

Oficial do Departamento de Polícia de Pasadena, Califórnio, no local da explosão que levou Jack Parson à morte (Imagem: Reprodução/Domínio Público)

No dia 17 de junho de 1952, aos 37 anos, Parsons se envolveu em um acidente em seu laboratório doméstico, que o levou a morte com graves queimaduras por todo corpo. Apesar das especulações de suicídio ou assassinato da época, a polícia considerou como um acidente.

Muitos historiadores do esoterismo ocidental consideram Jack Parsons como uma das figuras mais proeminentes na propagação de Thelema na América do Norte. E, mesmo que sua carreira científica não despertasse interesse acadêmico na época, com o tempo Parsons passou a ser reconhecido por sua importante contribuição para a exploração espacial que conhecemos hoje — tanto que ele se tornou personagem de muitos livros e até produções audiovisuais, como a série Strange Angel (2018).

Fonte: Supercluster, New York Post

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