Missão OSIRIS-REx ajuda a prever risco de impacto do asteroide Bennu com a Terra

Missão OSIRIS-REx ajuda a prever risco de impacto do asteroide Bennu com a Terra

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 11 de Agosto de 2021 às 17h18
NASA/Goddard/University of Arizona

Em outubro de 2020, a NASA fez história com a sonda Origins, Spectral Interpretation, Resource Identification, Security-Regolith Explorer (OSIRIS-REx), que tocou a superfície do asteroide Bennu para coletar amostras. Além do enorme valor científico do material coletado, os dados obtidos durante a missão permitiram que pesquisadores da NASA compreendam mais detalhes da órbita futura do asteroide para, assim, diminuir as incertezas relacionadas ao trajeto dele, e até melhorar os cálculos de probabilidade de impactos.

Durante a visita, a sonda realizou um procedimento para coletar amostras do asteroide e se despediu dele em maio de 2021. Antes disso, a OSIRIS-REx tinha passado mais de dois anos próxima ao Bennu, coletando informações sobre seu tamanho, massa e composição, enquanto monitorava sua rotação e trajetória orbital. “Os dados da OSIRIS-REx nos proporcionaram informações tão precisas que podemos testar os limites dos nossos modelos e calcular a trajetória futura, com um grau bem alto de certeza, ao longo de 2135”, explica David Farnocchia, autor que liderou o estudo com os dados da missão.

Moisaco do Bennu, criado a partir das observações da OSIRIS-REx (Imagem: Reprodução/NASA/Goddard/University of Arizona)

O ano em questão representa uma aproximação futura de Bennu e, embora a passagem não ofereça perigo para a Terra, os cientistas precisam entender os detalhes da trajetória do asteroide para conseguir, assim, prever como a gravidade da Terra irá afetar a órbita do Bennu em torno do Sol — e, por consequência, os riscos de um impacto no futuro mais distante. Assim, com a rede Deep Space Network e modelos computacionais, os cientistas conseguiram uma redução significativa nas incertezas da órbita do Bennu.

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Como resultado, os pesquisadores estimam que a probabilidade de impacto ao longo do ano de 2300 é de 1 em 1.750 — ou seja, de 0,057%. Já o dia 24 de setembro de 2182, que representa a data mais significativa para um possível impacto, terá a probabilidade de 1 em 2700 — ou de aproximadamente 0,037%. Ambos os cenários mostram chances baixas de um impacto, mas a precisão das medidas é importante para os pesquisadores poderem aprimorar as estimativas da evolução da órbita e se ele irá passar por uma “fechadura gravitacional” em 2135.

Caso o Bennu passe por alguma dessas “fechaduras” em determinados momentos, ele seria enviado em uma órbita que cruzaria a da Terra devido à atração gravitacional do nosso planeta. Então, para calcular exatamente onde o asteroide estará durante a visita em 2135 e se ele irá viajar por alguma dessas regiões, a equipe analisou uma série de pequenas forças que poderiam afetar a órbita do asteroide em torno do Sol, incluindo o calor liberado pela nossa estrela e até a força exercida durante a manobra de coleta de amostras da OSIRIS-REx.

As amostras coletadas pela OSIRIS-REx poderão ajudar no entendimento do passado do Sistema Solar (Imagem: Reprodução/NASA)

Felizmente, a força exercida durante o procedimento foi minúscula em comparação às demais consideradas. "A manobra não alterou a probabilidade de o Bennu atingir a Terra", explicou Rich Burns, gerente de projeto da missão. No fim das contas, mesmo que as chances de um impacto futuro sejam baixas, o estudo deixa claro como a OSIRIS-REx teve papel essencial para a caracterização da órbita do asteroide. "Os dados orbitais dessa missão nos ajudam a entender melhor as chances de impacto do bennu ao longo dos próximos séculos, e nosso entendimento geral de asteroides possivelmente perigosos — um resultado incrível", comentou Dante Lauretta, principal investigador da OSIRIS-Rex.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Icarus.

Fonte: NASA

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