10 dicas para tirar as melhores fotos do céu e das estrelas com o celular

10 dicas para tirar as melhores fotos do céu e das estrelas com o celular

Por Wyllian Torres | Editado por Patrícia Gnipper | 08 de Agosto de 2021 às 10h00
Rolf Weisenfeld

Um céu noturno repleto de estrelas, ou banhado pelo luar, é um convite quase irresistível para eternizar aquele instante em uma bela fotografia. Mas, por falta de um equipamento profissional, muitas pessoas se frustram na tentativa de obter um bom resultado a partir da câmera do celular. Normalmente, as fotos do céu saem escuras ou tremidas, e a bela Lua parece mais uma lâmpada de poste público. A boa notícia é que, compreendendo algumas configurações básicas do seu aparelho, é possível obter ótimos resultados com a astrofotografia feita pelo celular.

De modo geral, a astronomia observa o universo captando a luz emitida ou refletida pelos corpos celestes e, nesse sentido, a astrofotografia desempenha um papel semelhante. Com certeza, ambas as atividades contam fundamentalmente com a luz para compor suas imagens. E, graças à tecnologia, até com os celulares mais simples é possível fazer fotos de estrelas ou da Lua naquele céu de fim de tarde — claro, desde que o aparelho atenda a alguns requisitos básicos.

Pensando nisso, nesta matéria você encontra 10 dicas para iniciar uma trajetória no universo da astrotografia com a câmera do celular mesmo — ou simplesmente fazer um registro amador com mais qualidade.

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10 dicas para fotografar o céu e as estrelas com o celular

Não desanime

Antes de mais nada, é preciso deixar de lado aquele pensamento de que somos incapazes de fazer uma boa foto do céu por não sermos fotógrafos profissionais. Com um celular em mãos, qualquer um pode fotografar, mas, o mais importante, é dar o primeiro passo: apontar a câmera e se arriscar.

O brilho em destaque é o planeta Vênus no fim de tarde. Logo abaixo, é a estrela Regulus — a mais brilhante da constelação de Leão —, seguida por um brilho menor, que é Marte (Imagem: Reprodução/Wyllian Torres)

Ninguém começa sabendo de tudo; no entanto, seguindo boas dicas e praticando com o mínimo de frequência, certamente bons resultados serão colhidos a longo prazo — e antes disso, aprende-se muito sobre a arte de compor com a luz do céu.

Entenda a astrofotografia

A astrofotografia nada mais é do que uma especialização da fotografia que envolve compor imagens com a luz dos corpos celestes no céu noturno — ou da Lua, até mesmo durante o dia. Por isso, é imprescindível entender a relação entre a câmera e a luz.

A "mancha" na no centro imagem é, na verdade, a região mais iluminada da Via Láctea no céu noturno, registrada por um celular. O ponto brilhante em destaque é o planeta Saturno (Imagem: Reprodução/Wyllian Torres)

Felizmente, a tecnologia nos possibilita diferentes tipos de astrofotografia — seja de estrelas, de galáxias ou do Sistema Solar, como Júpiter e suas luas. Por isso, entender um pouco mais sobre os conceitos dessa especialidade da fotografia nos ajuda a entender nossos gostos e a entender mais de suas muitas técnicas — além de encontrar alguma inspiração.

Conheça seu equipamento

Se fotografar é compor com a luz, é importante saber quais são as ferramentas e configurações que estão disponíveis na câmera do seu celular. Por exemplo, quando o aparelho não oferece um tempo de exposição grande, é impossível capturar a quantidade de luz necessária para produzir uma astrofoto. Antes de tentar um registro, explore as configurações manuais da câmera do seu aparelho.

As primeiras tentativas dificilmente saem boas, então explore seu aparelho em testes simples (Imagem: Reprodução/Wyllian Torres)

Uma alternativa para que não tem um aparelho com as configurações básicas é baixar algum aplicativo que ofereça as opções de ISO, tempo de exposição e foco — pois são estes ajustes que vão garantir, ou não, um bom resultado.

Use o modo manual

A câmera do celular pode apresentar duas modalidades de configuração: automática e manual. A automática só funciona muito bem em ambientes bem iluminados, ou em contextos específicos, por exemplo, a Lua se pondo em um fim de tarde, pois, como há “bastante” luz no ambiente, fica mais fácil para a câmera capta-la. Mas não é sempre que isso funciona.

O modo manual permite que a câmera capte as distantes luzes das estrelas, por exemplo, ao aumentar o tempo de exposição (Imagem: Reprodução/Wyllian Torres)

É aqui, então, que o modo manual entra em ação, porque é partir dele que acessamos as configurações básicas da câmera do celular, como o tempo de exposição, peça fundamental para a astrofotografia — especialmente nas noites escuras de céu estrelado.

Ajuste o tempo de exposição

Imagine que a câmera funciona como os nossos olhos captando a luz ambiente, mas, ao contrário dos nossos órgãos, ela depende de ser configurada para se manter aberta por um bom tempo (alguns segundos) e, assim, receber a quantidade de luz necessária. O tempo de exposição é literalmente o tempo em que a câmera do celular se mantém exposta para receber a luz externa.

Perceba que, quanto maior o tempo de exposição, mais brilho a câmera capta (Imagem: Reprodução/Wyllian Torres)

Dois segundos de exposição é o suficiente? Depende do seu foco fotográfico. Por exemplo, para uma noite de Lua Cheia, dois segundos é até tempo demais, porque, com tanta luz do luar, a câmera capta uma boa quantidade em pouco tempo.

Mas se a meta são as estrelas, então dois segundos é pouquíssimo tempo, pois o brilho delas é bem menor em relação ao da Lua ou de qualquer outra iluminação artificial próxima por perto. Então a câmera precisa de um tempo maior para receber a quantidade de luz suficiente para registrar as estrelas.

Mantenha seu aparelho estável

Manter a câmera estável enquanto ela se mantém exposta à luz é fundamental para um bom resultado. Qualquer tremida compromete a qualidade da imagem e as luzes saem borradas, como riscos. Por isso, a estabilidade do aparelho é imprescindível. O mais adequado para isto é um tripé, mas, na ausência de um, basta usar a imaginação para encontrar uma maneira de deixar o seu celular imóvel enquanto o clique é feito.

À esquerda, a luz saiu tremida e a câmera não conseguiu focar as estrelas, pois o aparelho não estava parado, ao contrário da imagem à direita (Imagem: Reprodução/Wyllian Torres)

Para ter ainda mais certeza da estabilidade da imagem, recomenda-se o uso do temporizador — aquele relógio que aparece entre as configurações da câmera. Quando o aparelho não está bem posicionado, até o menor dos movimentos, como o toque do dedo na tela para “bater” a foto, pode tremer os primeiros milésimos de segundos da exposição.

Evite a poluição luminosa

A poluição luminosa é aquela poluição gerada pelo excesso de luz artificial. Além interferir nos ecossistemas — por exemplo, os insetos confundindo os luzes artificiais com a Lua —, o excesso de iluminação artificial alcança a atmosfera, iluminando-a acima de cidades e grandes centros.

Um avião que passa no céu durante o registro da imagem também pode poluir o cenário e atrapalhar o foco das estrelas mais ao longe (Imagem: Reprodução/Wyllian Torres)

Ao tentar registrar uma foto do céu noturno, é preciso considerar os focos luminosos que possam estar enquadados na câmera. A luz produzida pelas casas e ruas é bem maior do que a luz que chegam dos astros, então procure por lugares mais escuros e afastados dos focos de iluminação artificial. Dessa maneira, a poluição luminosa ofusca menos o brilho das estrelas. Resumindo; quanto mais escuro estiver, melhor para se fotografar o céu e as estrelas.

Conheça o céu

À medida que a Terra cumpre sua trajetória ao redor do Sol, o céu noturno muda ao longo do ano. Por exemplo, para tentar um registro da região mais iluminada da Via Láctea, as noites de inverno são as mais indicadas para isso, pois é quando esta área do céu aparece acima de nossas cabeças logo ao anoitecer. Ou ainda para fotografar Vênus, que ora aparece quando o Sol se põe e ora antes de o dia nascer.

O conhecimento do céu nos permite enquadrar muitos objetos celestes na imagem. Nesta, temos muitos, como a constelação de Órion, onde observamos as Três Marias e a nebulosa de Órion (Imagem: Reprodução/Wyllian Torres)

O conhecimento sobre os movimentos dos astros e estrelas guia a câmera para um objetivo mais certeiro, garantindo composições melhores. Apesar de a Lua Cheia arrancar suspiros e despertar aquela vontade de fotografá-la, ela não é a melhor modelo para uma astrofotografia de celular. Em contrapartida, enquanto ela muda de fase e seu brilho diminui, torna-se mais favorável o seu registro.

É possível contar com o auxílio de bons aplicativos que mostram as posições das estrelas e quais são os objetos presentes no céu em determinado momento de acordo com a localização.

Edite a foto

A edição é uma boa amiga da fotografia e não existe uma "receita de bolo" para uma foto bem tratada. Mas, pelo celular mesmo, é possível fazer alguns ajustes na foto de modo a destacar mais o brilho das estrelas ou da Lua. Também é importante soltar a criatividade, pois editar faz parte da composição fotográfica e o resultado dependerá do gosto (ou conceito artístico) do próprio autor.

Antes e depois de uma edição (Imagem: Reprodução/Wyllian Torres)

Normalmente, o celular apresenta uma ferramenta de edição de imagem bem básica — mas na falta, existem boas opções de aplicativos para editar fotos pelo celular. O mais importante é controlar o contraste e o brilho da foto. Aumentar o contrastaste ajuda a destacar as partes escuras do céu, enquanto diminuir a exposição reduz a claridade das superfícies iluminadas na foto.

Pratique

Se, mesmo depois dessas dicas, ainda permanecer algum receio de "brincar" de astrofotografia com o celular, lembre-se: ninguém nasce sabendo, mas com a prática qualquer um chega lá. Além de melhorar nossa compreensão sobre a maneira como a câmera capta a luz, o exercício de fotografar o céu nos ensina muito sobre os astros e estrelas.

Conjunção entre Lua e Vênus, registrada pouco antes de o Sol nascer (Imagem: Reprodução/Wyllian Torres)

Para os que gostam de contemplar o universo, a astrofotografia é uma deliciosa jornada de conhecimentos — sejam técnicos ou algumas particulares da astronomia. No mais, não se exija tanto! A cada noite ou fim de tarde, tente um novo registro no modo manual de sua câmera. Explore as configurações e ouse na composição das astrofotos.

Se “somos uma maneira de o cosmos conhecer a si mesmo”, como já disse Carl Sagan, nada mais prazeroso do que eternizar um instante do céu em uma foto!

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