Review Xiaomi Mi 11 Lite | Um corpo premium em um celular intermediário

Review Xiaomi Mi 11 Lite | Um corpo premium em um celular intermediário

Por Diego Sousa | Editado por Wallace Moté | 16 de Junho de 2021 às 11h10
Ivo/Canaltech

O Xiaomi Mi 11 Lite é a versão mais acessível do aparelho topo de linha da Xiaomi que desembarcou no mercado brasileiro recentemente. O smartphone sobe um patamar no segmento intermediário, apostando em diversas características encontradas geralmente em modelos mais premium, como tela AMOLED com um bilhão de cores, traseira de vidro e câmeras de qualidade, prometendo um preço mais em conta para quem não quer gastar em um flagship.

Além disso, o Mi 11 Lite chama atenção por apelar para um corpo mais fino e leve, tudo isso com a promessa de não sacrificar a autonomia de bateria do aparelho, algo que a maioria das fabricantes abandonou nos últimos anos em favor de maior capacidade — o que, particularmente, me deixou bastante intrigado e curioso.

Mas, afinal, será que o Mi 11 Lite consegue cumprir o que promete? A autonomia de bateria é realmente boa mesmo com seu tanque relativamente inferior ao da concorrência? Tive a oportunidade de testar o smartphone intermediário da Xiaomi por alguns dias e compartilho toda a minha experiência com ele nos próximos parágrafos.

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Vale mencionar que o aparelho não foi oficialmente lançado por aqui, mas pode ser encontrado nos principais varejistas nacionais — deixaremos um link confiável no final desse review caso você se interesse por ele. Sem mais delongas, vamos para a análise.

Prós

  • Tela AMOLED com cores excelentes;
  • Design bastante fino e leve;
  • Desempenho digno de um bom intermediário;
  • Conjunto fotográfico decente.

Contras

  • Não possui entrada de 3,5 mm para fones;
  • Bateria é inferior quando comparada com a dos concorrentes;
  • Preço esbarra em outros modelos mais interessantes da própria Xiaomi.

Construção e design

Assim que tirei o Mi 11 Lite da caixa, a primeira sensação que tive foi nostalgia. Isso porque a última vez que utilizei um smartphone tão leve e fino foi em 2016, com o Motorola Moto Z. Em números, a comparação com o Moto Z é um pouco injusta — afinal, estamos falando de um celular de cinco anos atrás com bateria de 2.600 mAh e tela de 5,5 polegadas. Mesmo assim, a pegada me lembrou bastante o modelo da Motorola, principalmente devido à tampa traseira reta.

  • Dimensões: 160,5 x 75,7 x 6,8 mm;
  • Peso: 157 gramas.

Outro ponto que me agradou bastante no intermediário da Xiaomi foi sua construção. O Mi 11 Lite tem as partes frontal e traseira de vidro, ambas revestidas com a tecnologia Gorilla Glass 5, e moldura de plástico, uma combinação muito bem-vinda e que deveria se tornar padrão no segmento intermediário. O modelo que testamos possui a cor rosa, opção bastante simpática, mas também pode ser encontrado em tons de cinza, preto, amarelo, lilás e azul.

O Mi 11 Lite é um dos smartphones mais finos atualmente (Imagem: Ivo/Canaltech)

Por se tratar de uma simplificação do topo de linha Xiaomi Mi 11, o Mi 11 Lite tem o mesmo visual do seu irmão mais potente: o módulo de câmeras é praticamente idêntico, mas traz apenas dois níveis de volume, em vez de três do modelo maior. Ainda assim, as câmeras principal e ultrawide ficam desprotegidas, sujeitas a arranhar ao apoiar o smartphone em superfícies ásperas. Felizmente, a Xiaomi envia uma capinha de silicone na caixa, o que deve ajudar a proteger o aparelho até comprar um acessório mais robusto.

Vale mencionar, também, que o Mi 11 Lite possui certificação IP53, isto é, ele traz um revestimento leve contra respingos d’água e poeira. Não cheguei a testar a sua resistência, mas deve sobreviver a um banho de chuva rápido, por exemplo.

Já na parte da frente, o Mi 11 Lite traz um furo na lateral superior esquerda do display para uma câmera frontal. A tela não é curva igual a do Mi 11, mas possui uma pequena elevação em relação à moldura do aparelho, que promete adicionar uma camada extra de proteção caso ele caia de quina no chão.

Conexões e slots

Devido às dimensões reduzidas, a Xiaomi precisou cortar algumas coisas. Por exemplo, não há entrada para fones de ouvido, algo comum em celulares intermediários. O segundo alto-falante, por sua vez, fica localizado na saída onde geralmente sai o áudio das chamadas, resultando em um sistema sonoro mais simples quando comparado com o Mi 11.

A gaveta de chips do Mi 11 Lite fica na lateral inferior e tem apenas dois slots: o principal arranja apenas um chip, enquanto o segundo suporta um segundo cartão SIM ou um cartão microSD. O modelo que testamos tem conexão apenas 4G LTE, mas há uma opção na gringa com suporte às redes 5G e algumas diferenças na ficha técnica.

Como estamos falando de um smartphone intermediário mais avançado, pode esperar por Wi-Fi tanto de 2,4 GHz quanto de 5 GHz (também conhecido como dual band), Bluetooth 5.1, USB-C 2.0 para carregamento e transferência de dados, NFC para pagamentos por aproximação e emissor infravermelho para controlar outros dispositivos, este último sendo praticamente uma exclusividade dos aparelhos da Xiaomi atualmente.

Tela

Com relação à tela, temos uma das melhores experiências em um celular intermediário. O Mi 11 Lite traz um display de 6,55 polegadas na proporção 20:9, resolução Full HD+ e tecnologia AMOLED — até aí, nada muito inédito no setor mais acessível. O destaque do aparelho em relação aos concorrentes é a profundidade de cor de 10 bits, resultando em uma exibição de mais de um bilhão de cores — para comparação, muitos modelos de gama média exibem apenas 16 milhões de cores (8 bits).

Na prática, aliado ao painel AMOLED, a tela do Mi 11 Lite traz tons escuros ainda mais profundos, além de maior fidelidade de cores e brilho. Nas configurações do aparelho, é possível definir as cores para uma tonalidade mais natural, ideal para quem não curte imagens saturadas.

Tela do Mi 11 Lite é uma das melhores que já testei no segmento intermediário (Imagem: Ivo/Canaltech)

Em filmes, séries e vídeos, a compatibilidade com o padrão HDR10 deixa os conteúdos ainda mais destacados, com cores mais saturadas e nítidas, embora nada próximos ao real — particularmente, essa alteração da Xiaomi me agrada bastante, pois os detalhes saltam aos olhos. Vale mencionar, ainda, o suporte à taxa de atualização de 90 Hz, que adiciona mais fluidez à navegação do sistema e durante a execução de jogos compatíveis.

Configuração e desempenho

Por dentro, o Mi 11 Lite é equipado com o processador Snapdragon 732G da Qualcomm, modelo ligeiramente mais potente que o 720G de concorrentes como Galaxy A52 4G e Galaxy A72. O aparelho usado nos testes possui uma combinação de 6 GB de RAM e 128 GB de armazenamento interno, o mínimo esperado para um bom intermediário de 2021, mas também há uma opção com 8 GB de RAM e 128 GB de memória e outra mais básica, com 64 GB de espaço e 6 GB de RAM.

O desempenho do Mi 11 Lite não foi uma surpresa: aplicativos de redes sociais, como Twitter, Instagram, Facebook e TikTok rodaram sem nenhum sinal de travamento ou engasgos; a alternância entre eles também se deu de forma bastante suave, mostrando um ótimo gerenciamento de memória.

Em jogos, o smartphone também não fez feio, rodando títulos pesados com muita personalidade, embora sem muito fôlego para muitas horas de jogatina. Joguei Dead By Daylight, por exemplo, que é extremamente pesado, por cerca de 30 minutos sem problemas, porém após esse período ele começou a ter queda de quadros por segundo (fps). Com Asphalt 9 aconteceu praticamente o mesmo, mas no geral a qualidade foi melhor.

Software e interface

O Mi 11 Lite roda a interface MIUI 12, baseada no Android 11. A skin personalizada da Xiaomi é uma das melhores modificações do Android, logo abaixo da One UI, da Samsung. Ela traz ícones bem coloridos e simpáticos, além de animações e elementos que visam o minimalismo.

Skin da Xiaomi é uma das mais personalizáveis do mercado (Imagem: Ivo/Canaltech)

Durante os testes, a navegação no sistema não foi pesada, como era há algumas gerações, mas notei a exibição de anúncios ao passar por algumas telas, algo que se tornou comum entre os smartphones básicos e intermediários da Xiaomi. Particularmente, não foi um detalhe que me incomodou, mas pode ser um incômodo devido ao excesso de informações desnecessárias.

Um ponto negativo da interface da chinesa é a inclusão de diversos apps proprietários que poucas pessoas devem usar, como ShareMe, Mi Video, Música e Mi Browser. Felizmente, é possível desinstalar todos eles, deixando a gaveta de aplicativos mais enxuta. Pelo menos, o sistema consegue agrupar os programas de acordo com a sua categoria, algo que boa parte dos concorrentes não fazem.

Vale mencionar que o Mi 11 Lite está confirmado para receber recente MIUI 12.5, embora ainda não haja uma previsão — portanto, te convido a nos acompanhar diariamente para não perder nenhuma novidade sobre a disponibilização da nova interface da Xiaomi.

Câmeras

O Mi 11 Lite é equipado com câmeras de mesmo propósito das do Mi 11, porém com valores diferentes: a principal tem 64 MP, contra 108 MP do modelo mais potente; a ultrawide tem apenas 8 MP, em vez de 13 MP; já a macro é a única igual, com 5 MP. Obviamente, a qualidade de imagem do topo de linha é bastante superior em relação ao irmão menor, embora isso não queira dizer que o Mi 11 Lite faz feio.

Câmera principal

O sensor de 64 MP é o destaque do conjunto fotográfico do Mi 11 Lite, fornecendo imagens com ótima definição, nitidez equilibrada, cores bem presentes e baixo nível de ruído. Isso acontece porque o sensor conta com tecnologia que junta quatro pixels em um para tirar fotos de 16 MP com maior nível de detalhes e desempenho aprimorado em ambiente de baixa luz.

O pós-processamento da Xiaomi não satura as imagens, mantendo-as mais para o natural, diferentemente do software da Samsung. Ainda assim, os resultados são ideais para postar diretamente nas redes sociais.

O Mi 11 Lite não traz um sensor de profundidade ou uma lente telefoto, portanto o modo retrato é feito com o auxílio de inteligência artificial. Surpreendentemente, o celular faz um trabalho decente na detecção das bordas, desfocando o fundo naturalmente e mantendo as boas cores.

Além disso, o software de câmera do Mi 11 Lite faz um recorte automático dos 64 MP para fornecer uma imagem com até 10x de zoom. Naturalmente, a qualidade na aproximação máximo não é nada boa, portanto o recomendado é fotografar apenas em até 2x.

Câmera ultrawide

O sensor ultrawide de 8 MP faz um trabalho decente considerando a categoria. Em ambientes com boa iluminação, as fotos têm bons níveis de detalhes e os cantos não possuem muitas distorções, sendo ideal principalmente para paisagens.

Câmera macro

Os celulares da Xiaomi lançados no primeiro semestre deste ano são os que possuem as melhores fotos macro. Mesmo com 5 MP, os níveis de detalhes são surpreendentes, e o pós-processamento ainda adiciona um desfoque de fundo bastante interessante para deixar as imagens mais profissionais.

Modo noturno

Em cenários noturnos, o Mi 11 Lite faz um trabalho bom, embora sem muito destaque em relação a outros modelos intermediários. Percebi que o modo prioriza a redução dos ruídos, melhorando sutilmente a exposição. Com a câmera ultrawide, os resultados são um pouco piores, mas, ainda assim, boas para a classe intermediária.

Câmera frontal

A câmera frontal de 16 MP é a menos interessante do conjunto. A definição é boa, mas as cores são um pouco lavadas e o fundo acaba ficando estourado com facilidade na maioria das imagens em ambientes ensolarados.

Vídeos

Em vídeos, o Mi 11 Lite faz gravações em até 4K a 30 fps com definição excelente, reprodução de cores agradável e ruído na medida. Com a câmera ultrawide, os vídeos chegam apenas em até 1080p a 30 fps, mas a qualidade também é interessante.

Áudio

O sistema sonoro do Mi 11 Lite é estéreo, mas não espere uma qualidade de som muito acima da média. O volume máximo é bastante alto, porém as frequências não são nada definidas, principalmente médios e graves. Agudos e vozes, por outro lado, são mais presentes, embora resultem em um som estridente.

Tanto em músicas agitadas quanto calmas, como Love Bites, da banda Halestorm, Smile, de Wolf Alice, e Lost Cause, de Billie Eilish, somente as vozes são definidas, deixando a instrumentação misturada e sem vida no fundo. Em vídeos sem músicas e transmissões na Twitch, por outro lado, o Mi 11 Lite é muito bom, trazendo vozes claras e bem altas.

Bateria

Surpreendentemente, a autonomia de bateria do Mi 11 Lite é boa, considerando o corpo bastante fino. Com 4.250 mAh, considerado muito abaixo da média para um celular intermediário atualmente, o smartphone da Xiaomi aguentou quase pouco mais de um dia de uso longe da tomada. É uma média boa? Sim, mas inferior em relação a modelos como Galaxy A72, A52 e Redmi Note 10 Pro.

(Imagem: Ivo/Canaltech)

Reproduzindo um dia de utilização normal, com 30 minutos de jogos, 20 minutos de redes sociais, 15 minutos de YouTube e 30 minutos na Twitch, tudo no modo de tela em 90 Hz e brilho em 100%, o Mi 11 Lite saiu de 100% para cerca de 74%, uma autonomia interessante, porém, de novo, abaixo da concorrência.

A sensação é de que a Xiaomi priorizou o design em troca de maior autonomia de bateria, indo na contramão das principais empresas da indústria, como Samsung, Motorola, Realme e a própria Xiaomi em outros modelos, tornando o Mi 11 Lite uma opção mais para quem não tem tanta demanda por dias longe de tomadas.

Com relação ao carregamento, no entanto, o smartphone conta com um adaptador de 33 watts (W) na caixa, e a velocidade de recarga é superior a de seus principais concorrentes. De 10% a 100%, por exemplo, levou-se pouco menos de uma hora, o que é excelente.

Concorrentes diretos

O Mi 11 Lite ainda não foi lançado oficialmente no mercado brasileiro, mas ele pode ser encontrado em alguns varejistas locais entre R$ 2,3 mil e R$ 2,6 mil, em pesquisa rápida feita na data de publicação desta análise. Considerando sua ficha técnica, o valor é um pouco alto, já sendo possível levar para casa aparelhos mais potentes como o topo de linha Galaxy S20 FE com chip Snapdragon 865.

Em especificações técnicas, no entanto, o smartphone equivale-se aos intermediários Redmi Note 10 Pro, Galaxy A52 4G e Galaxy A72 4G, embora perca em alguns pontos, como autonomia de bateria, construção e qualidade de câmera. Também vale citar o Poco X3 NFC, que traz o mesmo processador e bateria de maior capacidade, e o Moto G60, que possui uma câmera de 108 MP.

Conclusão

O Mi 11 Lite é um smartphone intermediário competente para basicamente todas as tarefas do dia a dia. Sua tela é uma das melhores disponíveis no segmento, com cores bastante vivas e definição ótima, o desempenho é bom para os principais jogos e aplicativos da Play Store, e a construção mais fina com acabamento em vidro é um dos principais charmes.

Entretanto, o aparelho da Xiaomi não traz muitos diferenciais que justifiquem seu preço mais alto que muitos intermediários decentes vendidos no Brasil, como os Galaxy A52 4G e Galaxy A72. Esses dois, por exemplo, possuem conjunto de câmera mais potente, bateria de maior duração e uma interface mais interessante e sem anúncios.

A melhor maneira de adquirir o Mi 11 Lite seria através de importação, mas seu preço na gringa, pelo menos na versão que testamos, colide com o de outros aparelhos da própria Xiaomi, como os Poco X3 Pro e Poco F3, ambos trazendo praticamente tudo de melhor, como mais poder de processamento, câmeras e bateria.

No fundo, a sensação que dá é que o Mi 11 Lite foi sabotado pela própria estratégia da chinesa de inundar o mercado de smartphones.

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