Elon Musk e Twitter: uma linha do tempo para entender a "novela" da aquisição

Elon Musk e Twitter: uma linha do tempo para entender a "novela" da aquisição

Por Márcio Padrão | Editado por Claudio Yuge | 19 de Maio de 2022 às 18h20
Reprodução/NBC News

As notícias sobre o Twitter no último mês e meio têm sido agitadíssimas desde que Elon Musk resolveu se tornar o "patrão" da plataforma. De uma mera compra de ações, no começo de abril, o magnata foi além e decidiu não só adquirir toda a empresa, mas sugerir que fará mudanças radicais no funcionamento e modelo de negócios da rede social.

Só os passos acima foram suficientes para agitar boa parte do mercado financeiro e preocupar antigos acionistas, executivos e pessoas que usam o Twitter. Levou até mesmo a demissões e bullying público de Musk contra a própria equipe de sua nova companhia. Como se tudo isso não fosse pouco, as últimas informações sugerem que o sul-africano pode até mesmo desistir da compra da Twitter ou renegociar um valor mais baixo para o acordo.

Ficou perdido com o resumo acima? Não tema: acompanhe abaixo cada passo desta novela, que até o momento não sabemos como vai terminar.

22 de março de 2022: Órgão dos EUA diz que continua de olho nos tuítes de Elon Musk

Em 2018, a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC, em inglês) processou Elon Musk, acusando-o de ter enganado investidores quando anunciou em um tuíte que teria levantado fundos suficientes para transformar a Tesla em uma empresa de capital fechado. O órgão acusou o magnata de criar especulação financeira com seus tuítes.

Pois bem: em março deste ano, uma representante do órgão regulador disse que têm autoridade para intimar o bilionário sobre seus tuítes. "Enquanto Musk e Tesla usarem a conta do Twitter de Musk para divulgar informações aos investidores, a SEC pode investigar legitimamente questões relacionadas aos controles e procedimentos de divulgação da Tesla", sentenciou.

26 de março de 2022: Elon Musk diz que está "pensando seriamente" em criar sua própria rede social

Dias após a notícia acima, um seguidor de Musk perguntou se ele estaria considerando criar sua própria rede social. O ricaço respondeu: "Estou pensando seriamente nisso".

4 de abril de 2022: Elon Musk compra 9,2% do Twitter e entra para conselho da empresa

O CEO da Tesla e SpaceX adquiriu 73.486.938 ações do Twitter, o que equivalia a 9,2% de participação na empresa, tornando-se o seu maior acionista. Com o negócio, Musk também foi nomeado para o conselho de administração do Twitter. Ele não poderia comprar mais de 14,9% das ações ordinárias do Twitter durante o período de seu mandato mais 90 dias depois.

Elon Musk comprou o Twitter por US$ 44 bilhões (Imagem: Alexander Shatov/Unsplash)

11 de abril de 2022: Elon Musk deixa cargo no conselho do Twitter

O CEO do Twitter, Parag Agrawal, publicou uma mensagem comunicando que Elon Musk não teria mais uma cadeira no conselho de administração da rede social. Dias antes, o bilionário perguntou a seus seguidores se a rede social estava "morrendo" porque muitos dos dez perfis com mais seguidores raramente postavam. Em outro tuíte, já apagado, sugeriu transformar a sede do Twitter em San Francisco em um abrigo para sem-teto porque "ninguém aparece lá de qualquer maneira".

14 de abril de 2022: Musk lança proposta para comprar Twitter por US$ 43 bilhões

O empresário sul-africano registrou na SEC, a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA, uma proposta para comprar toda a rede social por US$ 43 bilhões (R$ 198 bilhões), além de fechar novamente seu capital — ou seja, deixar de informar ao público detalhes sobre suas finanças.

15 de abril de 2022: Diretoria do Twitter não teria gostado de oferta de compra de Musk

O assunto teria sido o tema de uma reunião emergencial do quadro de controladores da companhia, horas após o recebimento da oferta considerada desagradável. A ideia, agora, seria colocar em prática estratégias que evitassem uma tomada hostil da companhia. Entre as possibilidades estaria o uso de “poison pills”, uma grande emissão de ações que invadiriam o mercado de uma só vez, diluindo o controle dos maiores acionistas e tornando a manutenção de um poder desse tipo mais difícil e cara, mas que também causaria grande desvalorização dos papéis.

22 de abril de 2022: Elon Musk consegue US$ 46,5 bilhões para comprar o Twitter

Um consórcio de bancos emprestaria a Musk US$ 12,5 bilhões (R$ 58,4 bilhões) por suas ações da Tesla, além de um financiamento adicional de US$ 13 bilhões (R$ 60,7 bilhões). O banco Morgan Stanley foi o principal financiador, seguido de outros como Bank of America e Barclays.

25 de abril de 2022: Elon Musk compra o Twitter por US$ 44 bilhões

O Twitter fechou o acordo para ser adquirido por Musk. Ele comprou todas as ações da empresa ao preço unitário de US$ 54,20 (R$ 253,21) em uma transação avaliada em cerca de US$ 44 bilhões (R$ 205,5 bilhões). Após a conclusão do negócio, o fundador da Tesla e da SpaceX disse que transformará a rede social em uma empresa privada.

26 de abril de 2022: Elon Musk teria quebrado acordo com Twitter ao criticar executiva

Em resposta a um tuíte que criticava a principal executiva de política do Twitter, Vijaya Gadde, Musk disse que "suspender a conta do Twitter de uma grande organização de notícias para publicar uma história verdadeira foi obviamente incrivelmente inapropriado." Ele se referia á forma como ela tentou impedir a disseminação da notícia dos vazamentos no laptop de Hunter Biden, filho do presidente dos EUA, Joe Biden, em 2020. Mas, de acordo com um documento encaminhado por Musk e o Twitter à SEC, o bilionário não poderia falar mal do Twitter ou de seus funcionários após o acordo de aquisição. Os ataques a Gadde podem significar uma quebra desse acordo.

Elon Musk deve se tornar CEO temporário do Twitter após fechar negócio (Imagem: Reprodução/Daddy Mohlala/Unsplash)

5 de maio de 2022: Elon Musk deve se tornar CEO temporário do Twitter após fechar negócio

Elon Musk deverá ser um CEO temporário do Twitter por alguns meses após completar a aquisição de US$ 44 bilhões da rede social, disseram fontes ao site CNBC. O atual CEO do Twitter, Parag Agrawal, só liderou a empresa por alguns meses após suceder o cofundador Jack Dorsey em novembro do ano passado.

11 de maio: Musk pode reverter banimento de Trump do Twitter

Segundo o CEO da Tesla, o banimento de Donald Trump no Twitter em 2021 teria sido um erro da rede social. Musk classificou como "moralmente ruim" e "tola ao extremo" a ação e afirmou que planeja desbanir Trump quando assumir o comando. Ele não concorda com a postura de excluir permanentemente pessoas de plataformas sociais e se diz um "absolutista da liberdade de expressão".

13 de maio de 2022: Musk suspende compra do Twitter, que despenca na Bolsa; Tesla dispara

Após o Twitter revelar em um balanço financeiro que inflou exageradamente a quantidade de usuários da plataforma entre 2019 e 2021, Musk interrompeu seu acordo de US$ 44 bilhões para adquirir a plataforma. Ele disse que aguarda dados mais precisos sobre a proporção de contas falsas na rede social. Enquanto o Twitter caiu na Bolsa após o anúncio do bilionário, a Tesla subiu no dia. Mas ambas as empresas estão com seus papeis instáveis nas últimas semanas desde que Musk resolveu assumir a rede social.

16 de maio de 2022: Elon Musk e Twitter discutem sobre bots com direito a emoji de cocô na conversa

Musk tuitou dizendo que a equipe jurídica da rede social o acusou de violar um acordo de confidencialidade sobre o tamanho da amostra usada para veriricar o alcance de bots na plataforma. Depois, em resposta a um fio de Parag Agrawal dizendo que a sugestão de Musk para medir bots com uma amostra aleatória de 100 contas não funcionaria, o bilionário respondeu com dois tuites: primeiro, com um emoji de cocô. Segundo, perguntou "Então, como os anunciantes sabem o que estão recebendo pelo seu dinheiro? Isso é fundamental para a saúde financeira do Twitter".

17 de maio de 2022: Elon Musk já cogita renegociar compra do Twitter

Elon Musk sugeriu que sua oferta de US$ 44 bilhões (R$ 225 bilhões) para comprar o Twitter pode ser alterada se a empresa não provar que menos de 5% das contas da plataforma são falsas. A Bloomberg noticiou que Musk disse em uma conferência de tecnologia em Miami que uma renegociação da compra da plataforma por um preço mais baixo "não estava fora de questão".

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