Quais serão os primeiros passos de Satya Nadella como CEO da Microsoft?

Por Redação | 06.02.2014 às 06:15

Satya Nadella assumiu a cadeira de presidente executivo na Microsoft ontem (04) logo após o anúncio da companhia. Com 22 anos de Microsoft, Nadella também passou pela Sun Microsystems e, desde seu primeiro emprego, participou de importantes projetos, emprestando-lhes seu conhecimento técnico e carisma para alcançar objetivos.

Agora que assumiu o principal cargo de uma das maiores companhias do mundo, Nadella tem pela frente alguns desafios e mudanças para encarar. Para o Techradar eles são os seguintes.

1. Mergulhar na internet das coisas, big data e computação cognitiva

No seu primeiro e-mail enviado aos funcionários da Microsoft, Nadella contou que entrou para a empresa em 1992 para "mudar o mundo através da tecnologia que capacita pessoas a fazerem coisas incríveis". Não resta dúvidas que poucas tecnologias ajudam as pessoas a realizarem isso tanto quanto a chamada "Internet das Coisas".

Para Nadella, "a evolução conjunta do software e novas formas de hardware intermediará e digitalizará as formas como fazemos e vivenciamos negócios, a vida e o nosso mundo. Isso se tornará possível graças a uma crescente rede de dispositivos conectados, uma incrível capacidade computacional na nuvem, previsões do big data e inteligência artificial das máquinas".

Apesar de lançar suas apostas, Nadella foi muito cauteloso e tentou não cometer as mesmas extravagâncias de Steve Ballmer, que riu do iPhone poucos dias após assumir o cargo de CEO. Sua visão é totalmente compartilhada pela Microsoft, que já vem apostando na internet das coisas há algum tempo.

Não faz muito tempo que a empresa lançou o Windows Embedded 8.1, um sistema operacional desenvolvido para equipar o cérebro das bilhões de "coisas" conectadas à internet. A companhia ainda está ajustando o Bing e colocando-o como elemento central do desenvolvimento de soluções e serviços voltados à internet das coisas.

Espera-se que Nadella se aproveite de algumas soluções de big data para saber o que e quais produtos os consumidores domésticos e corporativos esperam. Tudo isso, no entanto, só será possível se a companhia mergulhar de vez nessas áreas e destinar uma maior parte do seu orçamento para pesquisas e desenvolvimento dessas áreas.

2. Utilizar a Nokia como pivô da estratégia mobile

Que a Microsoft demorou muito para assumir que os dispositivos móveis são elementos importantes no cenário tecnológico atual, isso não é novidade. Portanto, essa é uma área cujo sucesso será determinante para que ela possa se considerar uma companhia da nuvem.

A aquisição da divisão de dispositivos e serviços da Nokia por US$ 7,17 bilhões em setembro do ano passado foi apenas o começo de uma longa jornada. Sobre ela, Nadella diz que "no começo da nossa história, nossa missão era colocar um computador em cada mesa e casa possível, algo que já conseguimos nos países desenvolvidos. Agora, estamos focados num número maior de dispositivos. Apesar do negócio ainda não ter sido aprovado, nós acolheremos nossos amigos da Nokia e o talento em dispositivos móveis que eles nos trarão".

Há quem diga que a sobrevivência da Nokia e do Windows Phone dependem desse acordo, mas a verdade é que há muito mais em jogo do que isso. Um dos principais fatores motivadores da aquisição foram os aplicativos e serviços baseados na nuvem que são servidos a milhares de consumidores que utilizam tablets e smartphones. Unindo os dois mundos, a Microsoft conseguiu um importante avanço no cenário da nuvem.

"Ao olhar para o futuro, devemos focar naquilo que a Microsoft pode contribuir para o mundo. A oportunidade à nossa frente vai nos obrigar a reimaginar muitas coisas que já fizemos no passado para os dispositivos móveis e serviços baseados na nuvem, além de fazer coisas novas", disse Nadella sobre o assunto.

"Somos os únicos capazes de aproveitar o poder do software e entregá-lo através de dispositivos e serviços que realmente capacitam cada indivíduo e cada organização. Somos a única empresa com história e foco contínuo em construir plataformas e ecossistemas que criam amplas oportunidades".

3. Inovação como prioridade

Nadella foi visto por muitos como uma "escolha segura", mas em seu discurso ele mostra justamente o oposto, principalmente quando se trata de inovação.

"Nossa indústria não respeita a tradição - somente a inovação", disse em uma publicação no site da Microsoft. "A oportunidade diante da Microsoft é grande, mas para aproveitá-la, nós teremos que ser rápidos, ter foco e continuar a inovar. Vejo que grande parte do meu trabalho será acelerar nossa capacidade de fazer produtos inovadores para nossos consumidores".

É importante lembrar que as ideias e ações de Nadella serão muito influenciadas por Bill Gates, que retornou à companhia como fundador e consultor de tecnologia após abrir mão do cargo de presidente. Há um ano Gates lamentou a estratégia de inovação adotada pela Microsoft (ou a falta dela) numa entrevista concedida à CBS e ele fará de tudo para que os erros do passado não sejam cometidos mais uma vez.

"O que fazer agora?", pergunta Nadella. "Parafraseando Oscar Wilde, nós precisamos acreditar no impossível, mas nunca no improvável. Isso começa com clareza de propósito e sentido de missão que vai nos levar a imaginar o impossível e fazer entregá-lo. Precisaremos priorizar a inovação para capacitar usuários e organizações a 'fazerem mais'".

4. Planejar com antecedência para executar a estratégia da Microsoft

Quando Steve Ballmer anunciou a nova estratégia da Microsoft em julho de 2013, Nadella foi indicado para liderar uma das divisões mais inovadoras da companhia. Como líder do recém-criado grupo de Computação na Nuvem e Engenharia de Negócios, ele foi incubido de tornar alguns produtos lucrativos, incluindo o Office 365 e a plataforma de computação na nuvem da empresa, o Windows Azure.

Desde o início Nadella deixou claro que não pretende abandonar as estratégias que adotou no passado, o que inclui adaptar alguns softwares para oferecê-los como serviços e disponibilizá-los em dispositivos móveis através da internet. Em outras palavras, a companhia está prestes a fazer a transição do modelo tradicional para o modelo na nuvem.

"Escolhemos um conjunto de atividades de alto valor como parte de nossa estratégia. E com cada lançamento de serviço e dispositivo que temos pela frente, nós precisamos trazer mais inovação para competir nesses cenários", disse ele.

Nadella já mostrou que é capaz de levar produtos para a nuvem em algumas oportunidades. Lançado há um ano, o Office 365 Home Premium já atraiu mais 3,5 milhões de assinantes. Já o Windows Azure alcançou um crescimento de três dígitos no último trimestre financeiro da empresa.

5. Mudança cultural que parte de dentro

Muito embora não demonstre nenhuma preocupação aparente com um produto, serviço ou "coisa" da Microsoft, ao longo do e-mail Nadella faz um apelo para que haja uma mudança na cultura corporativa da empresa e que essa mudança deve começar de dentro para fora.

"Acredito que estou na Microsoft pelo mesmo motivo que muitas pessoas aqui: para mudar o mundo através da tecnologia. Temos feito isso, nós estamos fazendo hoje e nós somos a equipe que vai fazê-lo novamente", escreveu Nadella.

No entanto, ele adverte que a mudança só acontecerá se os funcionários se esforçarem e derem o melhor de si para liderar e ajudá-lo a dirigir a empresa. "Nós, por vezes, subestimamos o que o outro pode fazer para que as coisas aconteçam e superestimamos o que os outros precisam fazer para nos levar adiante. Precisamos mudar isso", disse o CEO que provavelmente revolucionará a forma como a Microsoft tem trabalhado.