5 momentos marcantes da audiência com as Big Techs

Por Stephanie Kohn | 30 de Julho de 2020 às 14h43
The Times

Nesta quarta-feira (29), líderes das quatro maiores empresas de tecnologia do mundo, Google, Apple, Amazon e Facebook, prestaram depoimento no Subcomitê do Poder Judiciário do Senado dos EUA em Política Antitruste, Política de Concorrência e Direitos do Consumidor (House Judiciary Antitrust Subcommittee).

As companhias estão sendo investigados por monopólio, abuso de poder e práticas antitruste. Por mais de cinco horas, Tim Cook, da Apple, Mark Zuckerberg, do Facebook, Sundar Pichai, do Google, e Jeff Bezos, da Amazon, responderam perguntas difíceis de 15 congressistas democratas e republicanos, membros do comitê norte-americano. Confira abaixo alguns dos momentos mais relevantes.

1 - Email do Mark Zuckerberg

O representante democrata do comitê antitruste, Jarry Nadler, apresentou e-mails trocados entre Mark Zuckerberg e seu CFO, David Ebersman, que revelam que o Facebook comprou o Instagram para neutralizar uma ameaça.

Em uma das mensagens, Zuckerberg diz: "Esse negócio é incipiente, mas a rede está estabelecida, a marca já é significativa e, se crescer em larga escala, pode ser muito perturbadora para nós ... penso que podemos procurá-los."

Eis que Ebersman pergunta ao chefe se ele gostaria de "neutralizar um competidor em potencial" e Zuckerberg diz que seria uma combinação disso com a adição de melhorias ao Facebook. A mensagem seguinte do CFO acrescenta, em tom de arrependimento: "Não estava sugerindo comprá-los para impedir que compitam com a gente."

Como resposta às trocas de emails apresentadas, Zuckerberg lembrou o comitê que diversos órgãos reguladores internacionais analisaram a aquisição na época e decidiram que o Facebook poderia comprar o Instagram.

O membro do comitê, então, apresentou outro email em que Zuckerberg diz que demoraria um certo tempo até que ele pudesse comprar o Google. O CEO do Facebook respondeu dizendo que a mensagem não passava de uma brincadeira.

2 - Defesa da Apple Store

O congressista democrata Henry Johnson levantou preocupações a respeito da App Store, sugerindo que as regras do marketplace de aplicativo eram alteradas "em benefício da Apple e às custas dos desenvolvedores" e também discriminava diferentes criadores.

O CEO, Tim Cook, por sua vez, disse que a maçã trata os desenvolvedores da mesma forma e que eles têm regras transparentes. "Nós olhamos cada aplicativo que vai ao ar. As regras são aplicadas igualmente a todos", ressaltou.

Novamente emails foram apresentados por membros do comitê e, desta vez, envolvia não somente a empresa em questão, mas a Amazon também. Em mensagem trocada entre o VP da Apple, Eddy Cue, e Jeff bezos, CEO da Amazon, fica claro que a dona do iPhone concordou em reduzir a comissão da varejista para 15% para colocar o Amazon Prime Video em sua plataforma.

Vale lembrar que a comissão para os demais apps é de 30% e, a partir de abril de 2020, a Apple iniciou um esquema que permite às plataformas de streaming terem taxas reduzidas se integradas a outros produtos da maçã. Segundo a Bloomberg, a Amazon faz parte deste acordo.

Em outro email apresentado pelo congressista, Cue sugere que a Apple cobre 40% de taxa em vez de 30%. Cook, no entanto, revidou dizendo que em mais de 10 anos de App Store, eles nunca aumentaram a comissão ou adicionaram uma taxa única. "Na verdade, reduzimos taxas para assinaturas e isentamos categorias adicionais de apps", informou.

Veja aqui outro momento marcante de Cook.

3 - Facebook e Google foram acusadas de serem tendenciosas

O congressista republicano Jim Sensenbrenner perguntou a Mark Zuckerberg por que o Twitter havia removido um post do filho do presidente dos EUA, Donald Trump Jr, discutindo a eficácia da droga hidroxicloroquina.

O CEO da rede social disse que o Twitter não é propriedade do Facebook e, portanto, seria difícil falar sobre o assunto. Apesar disso, Zuckerberg acrescentou que a plataforma removeu postagens que poderiam ser diretamente prejudiciais às pessoas.

Já o republicano Jim Jordan sugeriu a Sundar Pichai que o Google pode adaptar seus recursos para favorecer a campanha presidencial do democrata Joe Biden. "Você tem minha palavra. Continuaremos a nos comportar de maneira neutra", respondeu o CEO da gigante de buscas.

No entanto, a discussão extrapolou as empresas e iniciou um desacordo entre os membros do comitê. A democrata Mary Gay deu a entender que Jordan acreditava em conspirações e o republicano respondeu furioso que tinha emails para comprovar sua teoria.

Para coroar o assunto, o republicano Greg Steube perguntou a Pichai por que seus emails de campanha estavam sendo marcados como spam no Gmail. O executivo desconversou.

Veja aqui outro momento marcante de Pichai.

4 - Bezos não conseguiu responder "sim" ou "não"

Um dos momentos mais marcantes do depoimento de Jeff Bezos ocorreu quando a democrata Pramila Jayapal questionou o CEO da Amazon se a companhia já havia usado dados de alguns dos varejistas que vendem na plataforma para beneficiar seu próprio negócio. A congressista pediu que a resposta se resumisse a "sim" ou "não", mas Bezos não conseguiu cumprir a ordem e disse que não poderia dar uma resposta com termos tão simples.

A pergunta em questão dizia respeito a relatórios publicados recentemente que apontavam que a Amazon usava dados coletados de empresas que vendiam produtos por meio de seu site para desenvolver e precificar seus próprios produtos concorrentes - fato que, segundo a empresa, se restringiu a um pequeno grupo de funcionários desonestos.

"O que posso dizer é que temos uma política contra o uso de dados de vendedores para nos ajudar em negócios de marcas próprias, mas não posso garantir que essa política nunca tenha sido violada", informou o executivo.

Veja aqui outro momento marcante de Bezos.

5 - Google foi acusada de trabalhar com a China

O congressista republicano Matt Gaetz afirmou que o Google colabora com universidades chinesas que recebem "milhões e milhões de dólares das forças armadas do país" e ainda lembrou que o investidor da companhia Peter Thiel já havia acusado a gigante de buscas de traição.

Sundar Pichai negou veementemente que estejam agindo contra os interesses dos americanos: "Não estamos trabalhando com os militares chineses, isso é absolutamente falso", disse. O executivo ainda destacou que o trabalho da empresa na China é limitado a um pequeno grupo de pessoas que trabalham em projetos de Inteligência Artificial de código aberto.

O republicano Greg Steube ainda perguntou aos quatro CEOs se eles acreditam que o governo chinês está roubando tecnologia das empresas americanas. Bezos, Cook e Pichai disseram que, apesar de terem lido a respeito, não podiam afirmar nada, pois não tinham tido nenhuma experiência pessoal que comprovasse a acusação. Apenas Zuckerberg confirmou a teoria, dizendo que está documentado que a China usa tecnologia das empresas norte-americanas.

Fonte: BBC

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.