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O que é o X, aplicativo de Elon Musk que pode substituir o Twitter

Por| Editado por Douglas Ciriaco | 11 de Outubro de 2022 às 11h56

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Reprodução/NBC News
Reprodução/NBC News
Elon Musk

O bilionário Elon Musk pode usar o Twitter como ponto de partida para criar o X, um superapp para "dominar' o ocidente. Se antes ele estava na dúvida sobre comprar ou não a rede social, hoje o empresário vê no passarinho o início de uma grande jornada, como afirmou recentemente em seu perfil.

A ideia de Musk parece ser transformar o Twitter em um app similar ao WeChat, solução extremamente popular na Ásia, em especial na China. Trata-se de uma espécie de aplicativo all-in-one, porque reúne uma série de serviços como troca de mensagens instantâneas, redes sociais, serviço de pagamentos, compras online e delivery de comida.

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Esse conceito ainda não existe no Ocidente com tamanha grandeza, mas o X poderia ser o pioneiro no segmento. No Brasil, costuma-se usar a nomenclatura superapp para serviços que integram loja virtual e pagamento, mas ainda não há nada que chegue próximo ao WeChat e sua fórmula centralizadora.

O Twitter vai virar o X?

A seu favor, o Twitter tem a popularidade e a boa aceitação social. A rede está longe de ser tão povoada quanto o Instagram e o TikTok, mas goza de prestígio graças ao uso por políticos, autoridades, empresas e influenciadores digitais, principalmente quando precisam emitir opiniões ou compartilhar pensamentos.

Com o anúncio da compra por Musk, que prometeu oferecer mais "liberdade de expressão" ao reduzir a moderação de conteúdo, muito se falou sobre uma possível fuga em massa da plataforma para rivais como o Mastodon. Integrar novos serviços ao Twitter poderia ser uma forma inteligente de manter as pessoas mais conectadas, além de trazer mais frentes de lucro para o negócio.

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O X poderia atrair públicos novos, pouco interessados nos posts curtos, mas dispostos a comprar online ou fazer pagamentos sem depender de bancos. O WhatsApp tenta seguir nessa linha há alguns anos, principalmente a partir do lançamento do WhatsApp Pay, mas ainda segue patinando sem fazer esses complementos caírem no gosto popular.

Ainda não dá para saber se o empresário concretizará seus planos, mas isso parece ser apenas uma questão de tempo. Trata-se de um projeto antigo do dono da SpaceX, que chegou a cogitar lançar no X uma rede social própria se a compra do Twitter melasse.

O que esperar do X?

Integrar uma rede social a um app de compras é o sonho de todos os desenvolvedores da área. Você está assistindo a um vídeo do seu criador de conteúdo favorito quando se depara com uma comida apetitosa feita por ele, mas que pode ser recebida pronta na sua casa com apenas um clique.

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Isso seria muito mais simples do que ir ao supermercado, fazer as compras e ter que preparar o prato. Muita gente até perde a vontade só de pensar nesse processo longo. Este é o trunfo que um superapp como o X poderia oferecer: abusar do impulso de compra das pessoas para vender mais e lucrar como nunca.

Na Ásia, o principal rival do WeChat é o Grab. Ele não oferece rede social, mas tem tudo o que as pessoas desejam: táxi na porta de casa, delivery de comida, pedidos de compras em supermercados, compra de pacotes de férias e pagamentos de todo o tipo.

No caso do Grab, as pessoas podem pedir uma comida de madrugada ou solicitar ao mercado mais próximo uma jaca descascada, poupando o trabalho (e o mau cheiro) de prepará-la para o consumo. O superapp também permite enviar encomendas ou documentos, além de efetuar compras em milhares de sites de comércio eletrônico ou pedir por um teste de covid-19, por exemplo.

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Tudo é pago com uma carteira digital vinculada à conta bancária ou ao cartão de crédito. Algumas soluções oferecem parcelamento direto com a empresa (algo que os brasileiros conhecem bem, mas é menos comum lá fora) e um sistema de recompensas com descontos/moedas ganhas por realizar atividades no app.

Em se tratando de Elon Musk, é claro que o sistema de pagamentos integrado deve ser uma das funcionalidades centrais do X, inclusive com suporte a criptomoedas. Isso exigiria obviamente o lançamento de uma imensa plataforma em blockchain, algo que está nos planos do bilionário há tempos.

Superapp de Musk chegará ao Brasil?

Ainda é muito cedo para falar sobre a expansão para o Brasil e outros países, já que o X nunca foi confirmado oficialmente. A ideia é boa e ter o Twitter como ponto de partida — a rede social já tem um sistema de pagamento integrado da Stripes — pode agilizar os planos do bilionário dono da Tesla.

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O WeChat tem 1,29 bilhão de usuários na China, portanto seria difícil competir em terrenos orientais. Mas Musk tem todo o Ocidente, em especial a Europa e América do Norte, para implementar o X.

Isso daria ao popular empreendedor um nível de poder pouco visto na história da tecnologia. Os superapps podem manter as pessoas conectadas quase o dia inteiro neles, o que se reverte em venda de publicidade, alcance de conteúdo e domínio de múltiplos mercados em simultâneo.

Apesar das facilidades, é importante ponderar se as pessoas querem centralizar toda a sua vida em um único aplicativo. Todos os filmes apocalípticos de ficção científica, tem as grandes corporações como estopim para problemas globais.

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O acesso à crédito ou serviços básicos ficaria atrelado ao seu "comportamento social", como retratado em séries como Black Mirror. Tal associação pode trazer graves consequências para os mais pobres e os excluídos digitais, como ocorre com o WeChat desde 2020, que oferece benefícios extras para quem tem boas condições financeiras.

Será que o superaplicativo X de Musk, caso seja lançado algum dia, será visto como revolucionário ou ameaça à liberdade de expressão? Isso somente o tempo, e a postura adotada pelos desenvolvedores do X, dirá.