Elon Musk defende posts "ultrajantes, mas dentro da lei" em reunião no Twitter

Elon Musk defende posts "ultrajantes, mas dentro da lei" em reunião no Twitter

Por Márcio Padrão | Editado por Claudio Yuge | 17 de Junho de 2022 às 17h20
JD Lasica / Wikimedia

O CEO da Tesla e SpaceX, Elon Musk, reuniu-se na quinta-feira (16) com funcionários do Twitter pela primeira vez desde que anunciou a intenção de comprar a rede social. A ação é considerada incomum, já que Musk ainda não concluiu todas as etapas para adquirir a empresa e chegou até a ameaçar desistir do negócio, que lhe custará US$ 44 bilhões (R$ 225 bilhões) se for concretizado.

De acordo com a agência de notícias AP, o magnata tentou tranquilizar os funcionários e esclarecer dúvidas por meio de uma reunião virtual. Já o jornal The Wall Street Journal disse que o CEO do Twitter, Parag Agrawal, anunciou a reunião aos funcionários em um e-mail na segunda-feira (13), dizendo que eles poderiam enviar suas perguntas com antecedência.

"Confiança faz confiança. Eu costumo ser extremamente literal no que eu digo... Você não quer ter que ler nas entrelinhas. Você pode apenas ler as linhas", disse Musk na reunião, de acordo com um tuíte de Nola Weinstein, chefe global de experiências e engajamento da marca do Twitter. Segundo a AP, nem Weinstein nem o Twitter responderam à reportagem.

Elon Musk comparou moderação de conteúdo no Twitter a discursar na Times Square (Imagem: Reprodução/Brett Jordan/Unsplash)

O que Elon Musk disse na reunião com o Twitter?

De acordo com Weinstein, Musk defendeu na reunião que o Twitter se torne "tão convincente que você não pode viver sem ele". O executivo acrescentou ainda que, embora algumas pessoas "usem o cabelo para se expressar, eu uso o Twitter". Musk tem mais de 98 milhões de seguidores e é cliente ativo da plataforma.

Segundo a CNN, Musk enfrentou uma série de perguntas sobre sua postura na moderação de conteúdo e reiterou sua vontade de permitir todo discurso legal no Twitter, mesmo quando isso incluir os chamados conteúdos “legal, mas horrível”, como extremismos ou abusos. Só fez a ressalva de que tais conteúdos nocivos não sejam amplificados.

“Há liberdade de expressão e liberdade de alcance. Qualquer um pode entrar no meio da Times Square agora mesmo e dizer o que quiser. Eles podem simplesmente entrar no meio da Times Square e negar o Holocausto. Eu acho que as pessoas deveriam ter permissão para dizer coisas muito ultrajantes que estão dentro dos limites da lei, mas que, se não são amplificadas, não têm muito alcance”, exemplificou.

Ainda de acordo com a CNN, Musk chegou cerca de 10 minutos atrasado ao encontro e falava com os funcionários enquanto mexia em seu smartphone.Também apresentou seus planos de aumentar a base diária de usuários ativos do Twitter de pouco mais de 200 milhões para “pelo menos um bilhão de pessoas”, criar oportunidades de monetização para criadores e explorar possíveis recursos de pagamentos.

Fonte: CNN, AP

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