Análise: APU A10-6800K, o modelo mais potente da geração Richland da AMD

Por Pedro Cipoli
photo_camera divulgação

Algum tempo atrás, os gráficos integrados aos processadores eram sinônimo de uma péssima performance gráfica, incapazes de fornecer uma boa experiência ao reproduzir vídeos em alta definição ou qualquer outra tarefa que precisasse de recursos visuais. Conforme o tempo foi passando e as interfaces gráficas foram ficando cada vez mais refinadas, quem queria ter um computador rápido tinha que necessariamente recorrer a uma placa de vídeo dedicada, independentemente de quão poderoso era o processador.

Os gráficos integrados começaram a ficar mais sofisticados e a tomar o espaço das placas de vídeo de entrada, sendo capazes tanto de rodar vídeos em alta definição como jogos um pouco menos exigentes. Hoje temos modelos que possuem poder de fogo suficiente para não precisarmos de uma placa de vídeo dedicada para a maioria das tarefas. Este é o caso da APU (Accelerated Processing Unit) A10-6800K da AMD, que vamos conhecer hoje.

Os pontos fortes dessa terceira geração de APUs é o clock mais alto e a introdução da série 8000 de gráficos AMD Radeon HD, mesma tecnologia utilizada nas GPUs discretas da empresa. A arquitetura Richland nada mais é do que uma melhoria da Trinity de segunda geração, o que significa que os modelos de placas-mãe com soquete FM2 são capazes de suportar os novos modelos com os mesmos chipsets A55, A75 e A85X para quem pretende realizar um upgrade.

Antes de começarmos a falar de testes, vale a pena entender um pouco mais sobre a arquitetura Richland. Esta usa os mesmos cores Pilediver que estão presentes na geração Vishera (Bulldozer) de processadores FX, em vez do Steamroller que será utilizado na próxima geração, conhecida como Kaveri. O processo de fabricação de 32 nanômetros também é o mesmo. Apesar das frequências mais altas e gráficos mais potentes, a AMD conseguiu manter a TDP de 100 watts para condições stock, valor que não requer sistemas sofisticados de resfriamento.

Porém, como não estamos falando de uma arquitetura nova, é difícil justificar um upgrade para quem já possui um modelo Trinity A8 ou A10. As novidades ficam por conta de um sistema mais inteligente de controle de energia (conhecido como Hybrid Boost), que é capaz de fazer os cores trabalharem com voltagens menores e alcançar frequências maiores em modo turbo sem superaquecer — no caso do modelo que recebemos, isso significa 4,1 GHz em stock e 4,4 GHz em modo turbo.

Tal modelo, em especial, traz um controlador de memória capaz de suportar frequências de memória DDR3 de até 2133 MHz sem depender do chipset, o que realmente é capaz de melhorar o desempenho dos gráficos integrados. O A10-6800K traz uma GPU Radeon HD 8670D, modelo com 384 cores de processamento de fluxo rodando por padrão a 844 MHz, um aumento de cerca de 5,2% em relação aos gráficos que equipam a geração Trinity.

Foram incorporados recursos exclusivos da AMD para aproveitar melhor o potencial do Richland:

  • Face Login: capaz de utilizar a webcam para tarefas que normalmente precisariam de uma senha, desde o desbloqueio do sistema operacional até logar em sites como Facebook ou webmail;
  • Screen Mirror: recurso de espelhamento de tela via DLNA compatível com televisores e monitores que tenham suporte a ele (disponível apenas nas séries "Elite" da AMD, como A8 e A10);
  • Entretenimento de vídeo: conjunto de tecnologias voltadas para entretenimento visual, como o já conhecido Steady Video, para estabilização de vídeos "tremidos", Perfect Picture HD8, para gerencimento de cores e Quick Stream, recurso voltado para reprodução de vídeos via streaming (como Netflix e Youtube);
  • Gesture Control: assim como o Screen Mirror, só está disponível na série "Elite" de processadores e funciona de modo semelhante a um Kinect da Microsoft, reconhecendo movimentos (gestos) pela webcam e realizando os comandos pré-programados;

Agora que connhcemos um pouco mais do Richland vamos aos testes!

Configuração de testes:

  • Processador: APU A-Series A10-6800K, 4 cores rodando a 4,1 GHz (4,4 GHz em modo Turbo);
  • GPU (integrada): Radeon HD 8670D, 384 cores de processamento de fluxo rodando a 844 MHz;
  • Memória: 8 GB de memória RAM DDR3 em dual-channel (2x4 GB) rodando a 1600 MHz;
  • Placa-mãe: ASUS F2A85V-PRO, soquete FM2, chipset A85X (Hudson D4);
  • Disco rígido: Western Digital 500 GB Sata III;
  • Monitor: Samsung LED Full HD (1920x1080) com conexão DVI;
  • Fonte de alimentação: 3R System IceAge 500 watts (reais).

FutureMark PCMark 7

O PCMark 7 realiza uma série de testes de desempenho dividindo os resultados em categorias, como produtividade, entretenimento e assim por diante. Cada uma delas precisa de uma combinação diferente de processamento da CPU, memória RAM e placa de vídeo para alcançar a sua pontuação.

Neste teste, o A10-6800K se saiu bem nas áreas de "Computação" (3895 pontos) e "Criatividade" (3169 pontos), mostrando que o alto clock do processador é um ponto forte dessa terceira geração de APUs. Os gráficos também não se saíram nada mal, pontuando 2728 no quesito "Entretenimento", o que significa que mesmo os jogos mais modernos podem ser rodados nas configurações que testamos, desde que se ajuste os filtros e efeitos de forma apropriada.

PCMark 7

FutureMark 3DMark 11

Desenvolvido pela Futuremark, o 3Dmark 11 mede a capacidade das máquinas de executar gráficos utilizando o DirectX 11 da Microsoft através de uma série de testes sintéticos. Com o preset "Extreme" (resolução 1920x1080, filtros e efeitos no máximo), o A10-6800K não se saiu bem e pontuou somente 445 pontos. Para se ter uma ideia, a Radeon HD 7790, modelo da própria AMD focado no público intermediário, pontou 1500 sob as mesmas condições.

3DMark 11 - Richland A10 - X

No modo "Performance" (1280x720, vários filtros e efeitos desativados), o A10-6800K alcançou uma pontuação 3 vezes maior (1471), mostrando a queda brutal de desempenho causada pela resolução mais alta. Mesmo que essa pontuação ainda fique bastante abaixo da Radeon HD 7790, mostra que o modelo que testamos é capaz de executar boa parte dos jogos que temos autalmente sem abrir mão de filtros e efeitos.

3DMark 11 - Richland A10 - P

Futuremark 3DMark Vantage

Também desenvolvido pela Futuremark, o 3DMark Vantage mede a capacidade das máquinas de executar gráficos utilizando o DirectX 10 da Microsoft através de uma série de testes sintéticos (saiba mais sobre o 3DMark Vantage). Nas configurações "Extreme" (resolução 1920x1200, filtros e efeitos no máximo), o A10-6800K pontou 2269, resultado que mostra uma incapacidade de segurar games nesta resolução quando os filtros e efeitos estiverem no máximo.

3DMark Vantage - Richland A10 - X

Na configuração "High" (1680x1050, alguns filtros e efeitos ativados), o resultado é cerca de 50% maior, mas ainda assim insuficiente para segurar um game no máximo.

3DMark Vantage - Richland A10 - H

Na configuração "Performance" (1280x1024, vários filtros e efeitos desativados), a pontuação é suficiente para que games nesta resolução não 'engasguem', mesmo com filtros e efeitos ativos.

3DMark Vantage - Richland A10 - P

MAXON Cinebench 11.5

O Cinebench é um programa totalmente gratuito que testa a capacidade da máquina de executar gráficos OpenGL, disponibilizando o resultado em quantidades de frames por segundo (fps) (saiba mais sobre o Cinebench). Os resultados são surpreendentes? Não. Mas esta é a primeira vez que vemos um processador cravar mais de 30 fps no OpenGL sem utilizar uma placa gráfica dedicada, então quem utiliza aplicações OpenGL não sofrerá com uma máquina lenta.

CINEBENCH

Luxmark 2

O Luxmark é um programa de código aberto multiplataforma que testa a capacidade da placa de vídeo de executar gráficos OpenCL, e, quanto maior a pontuação, melhor e mais poderosa é a máquina neste quesito. Com 400 pontos, o A10-6800K fica à frente até da GeForce GTX 650 TI Boost da NVIDIA (319), ou seja, um excelente resultado.

luxmark2

Conclusão

O A10-6800K da AMD ainda não possui um preço oficial no Brasil, mas imaginamos que não fique muito mais caro que os modelos "Trinity" vendidos atualmente. O que pudemos perceber é que este modelo de APU possui um público bastante abrangente, em geral usuários que desejam uma máquina bastante rápida para a maioria das tarefas, com um desempenho acima da média em aplicações gráficas, sem ter que fazer uso de uma placa de vídeo dedicada.

Nos próximos dias publicaremos um artigo mostrando o desempenho do Richland em alguns jogos, mas já podemos adiantar algumas informações com os testes que realizamos aqui: grande parte deles rodará acima dos 30 frames por segundo sem sacrificar muito a resolução dos efeitos e filtros, mas poucos deles rodarão no máximo, o que torna o A10-6800K um modelo voltado para gamers casuais.

Siga o Canaltech no Twitter!

Não perca nenhuma novidade do mundo da tecnologia.