Boeing Starliner chega à Estação Espacial Internacional

Boeing Starliner chega à Estação Espacial Internacional

Por Rafael Rigues | 21 de Maio de 2022 às 11h10
Boeing

Depois de muitos adiamentos, ajustes e testes, a Boeing finalmente conseguiu acoplar sua espaçonave CST-100 Starliner à Estação Espacial Internacional (ISS). O sucesso da manobra foi confirmado às 22h30 (horário de Brasília) da noite desta sexta-feira (20), com abertura da escotilha da espaçonave prevista para as 12h45 deste sábado (21)

Boeing CST-100 Starliner se acoplando à ISS na missão OFT-2

Voo quase perfeito

A espaçonave foi lançada às 19h54 (horário de Brasília) da sexta-feira (19), exatamente como programado, a bordo de um foguete Atlas V, da United Launch Alliance (ULA), partindo do complexo de lançamento 41 (SLC-41) da Estação da Força Aérea dos EUA em Cabo Canaveral, na Flórida.

Durante o trajeto rumo à ISS, a espaçonave demonstrou alguns pequenos problemas: dois motores de manobra usados para controlar sua atitude (orientação em relação à Terra) falharam, o que exigiu o uso de motores de backup. Além disso um sublimador, responsável pelo resfriamento da cápsula, demorou a entrar em operação. Entretanto, nenhum destes problemas colocou o sucesso da missão em perigo, nem representaria um risco aos astronautas em um voo tripulado.

No total a missão Orbital Flight Test-2 (OFT-2), como é chamada, deve ter duração de cerca de 5 dias, do lançamento ao retorno da cápsula à Terra. Não há tripulação, exceto por um manequim apelidado de Rosie the Rocketter.

O evento foi transmitido ao vivo no canal da NASA no YouTube, e quem perdeu pode assistir novamente no vídeo abaixo. O lançamento propriamente dito ocorre aos 55 minutos na transmissão.

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O sucesso da OFT-2 é crucial para que a Boeing possa comprovar que a espaçonave é segura para missões tripuladas, e que atenderá aos requisitos da Nasa no Commercial Crew Program (CCP), uma parceria entre a agência e empresas do setor aeroespacial para o desenvolvimento de novos veículos para o transporte de astronautas e carga até a órbita terrestre, quebrando décadas de dependência dos foguetes e cápsulas Soyuz, desenvolvidos e operados pela agência espacial russa (Roscosmos)

Boeing vs SpaceX

Duas empresas foram selecionadas como parte do CCP: a Boeing com sua CST-100 Starliner e a SpaceX com a Crew Dragon. A SpaceX saiu na frente na corrida, concluindo com sucesso sua primeira missão orbital, chamada Demo-1, em março de 2019.

Já a Boeing só fez o primeiro teste da Starliner nove meses depois, em dezembro de 2019, na missão OFT-1. Entretanto, um erro de temporização em um computador de bordo fez com que a espaçonave gastasse combustível demais em uma manobra, impedindo que ela pudesse chegar à ISS dentro da margem de segurança definidas pela NASA.

Como isso, a missão foi abortada sem o acoplamento à ISS. Como o principal objetivo não foi cumprido, ela não foi considerada um sucesso, embora a espaçonave tenha demonstrado a capacidade de chegar à órbita terrestre e retornar ao planeta em segurança.

Lançamento da CST-100 Starliner na missão OFT-1, em dezembro de 2019. (Imagem: NASA/Joel Kowsky)

Desde a OFT-1, a SpaceX certificou a Crew Dragon para voos tripulados (na missão Demo-2), fez quatro voos para a NASA como parte de seu contrato com o CCP (Crew-1 a Crew-4) e duas missões tripuladas "turísticas" ao espaço, uma delas orbital (Inspiration 4) e outra rumo à ISS, onde quatro "turistas" passaram 15 dias (Ax-1).

Além disso, a empresa anunciou um programa espacial privado chamado Polaris, patrocinado pelo comandante da Inspiration 4, Jared Isaacman, composto por três voos com objetivos cada vez mais ambiciosos. A primeira missão, Polaris Dawn, deve acontecer até o final deste ano e contar com a primeira caminhada espacial privada da história. Espera-se que o terceiro voo seja a primeira missão tripulada da Starship, espaçonave que a SpaceX espera usar para levar a humanidade de volta à Lua e, eventualmente, a Marte.

Ajustes, ajustes e mais ajustes

Com o fracasso da primeira tentativa, a Boeing realizou “mais de 80” modificações, ajustes e melhorias na Starliner a pedido da Nasa. Uma segunda tentativa, batizada de OFT-2, foi marcada para 29 de março de 2021. Depois, foi adiantada para 25 de março, e em seguida sofreu vários adiamentos: 2 de abril, meados de abril e “agosto/setembro”, até que o lançamento foi finalmente marcado para 30 de julho de 2021.

Infelizmente, um incidente com o módulo russo Nauka, recém-adicionado à ISS, forçou mais um adiamento, desta vez para 3 de agosto. “Problemas técnicos” forçaram mais um adiamento, desta vez para 4 de agosto, quando problemas com os indicadores de algumas válvulas no sistema de combustível forçaram o cancelamento do teste.

O que se seguiu foram 8 meses de testes e análises para determinar a causa do problema com as válvulas, que acabou sendo identificada como corrosão causada pela interação do oxidante (que potencializa a queima do combustível) com umidade interna.

Após várias tentativas de “destravar” as válvulas, a Boeing acabou optando por enviar a cápsula Starliner que seria originalmente usada na OFT-2 de volta à fábrica, para que possa ser desmontada e estudada a fundo, e usar a cápsula prevista para a primeira missão tripulada, a OFT-3, que ainda não tem data definida.

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