SpaceX lança com sucesso e pela primeira vez a nave Crew Dragon para a NASA

Por Patrícia Gnipper | 02 de Março de 2019 às 11h25
NASA/Joel Kowsky
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ATUALIZAÇÃO (03/03, às 9h30): A NASA confirmou, na manhã de domingo (3), que a Crew Dragon se acoplou com sucesso à Estação Espacial Internacional. A nave é capaz de fazer esse encaixe de maneira autônoma, enquanto a Dragon (veículo de transporte de cargas da SpaceX que leva suprimentos à ISS) precisa da ajuda de um braço robótico para ser acoplada. A astronauta estadunidense Anne McCLain e o astronauta canadense David Saint-Jacques monitoraram a chegada da Crew Dragon à ISS, e por lá a nave ficará até a próxima sexta (8), quando se destacará da estação e voltará à Terra.

Abaixo, você lê a notícia original na íntegra:

Na madrugada deste sábado (2), diretamente do Kennedy Space Center da NASA, a SpaceX realizou com sucesso o primeiro lançamento de teste com sua nova nave Crew Dragon, que no próximo ano levará astronautas norte-americanos à Estação Espacial Internacional (ISS).

O lançamento marca um grande passo em direção à autossuficiência dos Estados Unidos no que diz respeito a voos tripulados ao espaço, já que desde 2011, com o fim do programa do Ônibus Espacial, o país depende da Rússia para esse tipo de transporte. Em seu último lançamento para a ISS, usando o conjunto de foguete e nave Soyuz, os EUA pagaram US$ 80 milhões pelo assento.

Início da decolagem do foguete Falcon 9 com a nave Crew Dragon (Foto: Reuters)

Nesta primeira missão, chamada Demo-1, a Crew Dragon não levou tripulantes humanos consigo, transportando apenas Ripley, um traje de astronauta fazendo as vezes de um passageiro cujo nome foi inspirado na personagem Ellen Ripley da franquia Alien. O primeiro voo tripulado com pessoas de verdade está previsto para acontecer em junho; contudo, ainda em caráter de testes, enquanto a Boeing, outra empresa participante do Commercial Crew Program da NASA, realizará o primeiro voo de teste não tripulado com sua nave Starliner em abril, com o primeiro lançamento tripulado rolando em agosto.

Cerca de 10 minutos após a decolagem, o primeiro estágio do foguete reutilizável Falcon 9 voltou à Terra sem imprevistos, e apenas um minuto depois a Crew Dragon se separou do segundo estágio do foguete, iniciando seu trajeto de maneira independente rumo à ISS. O lançamento histórico foi transmitido ao vivo, e você pode rever a transmissão no vídeo abaixo:

O Commercial Crew Program começou, na verdade, em 2014, quando a NASA assinou o contrato com a Boeing e a SpaceX para que desenvolvessem novas naves capazes de levar humanos ao espaço — contrato esse que envolveu US$ 2,6 bilhões destinados à companhia de Elon Musk; para a Boeing, foram destinados US$ 4,2 bi. A ideia era que as naves estivessem prontas e funcionando em 2017, mas diversos atrasos marcaram o andamento do programa, que agora, enfim, começa a acontecer de verdade.

A Crew Dragon é uma versão mais avançada da Dragon, nave de transporte da SpaceX que já participou de 16 lançamentos carregando cargas úteis à ISS. Entre suas diferenças, a nave para tripulação tem janelas, assentos (com espaço para até 7 unidades), sistemas de suporte à vida e de controle ambiental, telas sensíveis ao toque e sistema de escape emergencial — coisas que não são necessárias em uma nave projetada para transportar apenas cargas. Além disso, a Crew Dragon tem painéis solares em seu tronco, com a cápsula atracando a ISS diretamente. A Dragon, por sua vez, tem painéis solares tradicionais e, para ser acoplada à estação espacial, precisa que o enorme braço robótico da ISS a agarre no espaço.

A nave deve chegar à ISS na manhã de domingo (3), aproveitando a viagem para entregar cerca de 180 quilos de suprimentos aos astronautas que estão vivendo hoje no laboratório orbital. Contudo, ainda que a Crew Dragon também tenha essa capacidade de transportar cargas, em futuros voos tripulados ela deve levar consigo no máximo 100 quilos de suprimentos, enquanto a Dragon continuará a ser usada pela NASA para transportar cargas (incluindo experimentos científicos) em outros momentos.

A missão Demo-1 está prevista para ser encerrada na próxima sexta-feira (8), quando a nave deixará a ISS e retornará à Terra, aterrissando no Oceano Atlântico em uma região não muito longe da costa da Flórida, de onde será resgatada.

O que vem a seguir

Em abril, acontecerá o primeiro teste de aborto de missão com a Crew Dragon, para que em junho o primeiro voo tripulado (Demo-2) fique marcado na história da nossa indústria espacial. Esse lançamento com tripulação, ainda em caráter de testes, levará consigo os astronautas da NASA Bob Behnken e Doug Hurley.

Arte mostra a Crew Dragon se preparando para se acoplar à ISS (Imagem: NASA)

Quando a Crew Dragon estiver realmente liberada para iniciar os voos operacionais para a NASA, a nave, ainda que tenha capacidade para levar até 7 pessoas, transportará quatro astronautas por vez — um a mais do que o limite máximo da nave russa Soyuz, por sinal. E uma pessoa a mais trabalhando na ISS fará grande diferença, pois aumentará o tempo em que membros da estação se dedicarão a experimentos científicos — atualmente, eles fazem de 40 a 50 horas por semana nessa atividade, e esse número pode crescer para de 80 a 90 horas. E a nave Starliner, da Boeing, que também será usada para levar astronautas à ISS, possibilitará ganhos similares, pois também transportará quatro pessoas por viagem.

A estreia operacional desses veículos privados acabarão com a parceria dos Estados Unidos com a Rússia no que diz respeito a envio de astronautas à ISS. Mas isso só deve acontecer em meados de 2020, pois a NASA ainda tem contratos vigentes com a Roscosmos para esses transportes. Ainda, a NASA garante que os voos feitos com as naves Crew Dragon e Starliner levarão um cosmonauta russo por viagem, bem como algum astronauta europeu da ESA — mantendo, assim, a diversidade de nações trabalhando na estação espacial, como acontece desde a primeira expedição, no ano 2000.

Fonte: NASA, Space.com, NASA

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