Além da "porta alienígena": veja outras coisas estranhas já vistas em Marte

Além da "porta alienígena": veja outras coisas estranhas já vistas em Marte

Por Danielle Cassita | Editado por Rafael Rigues | 17 de Maio de 2022 às 15h00
NASA

Você já deve ter visto nuvens que lembravam a forma de animais, ou até mesmo encontrado um rosto em uma tomada. Da mesma forma, ao longo de décadas de exploração, pessoas vem analisando fotos de Marte e encontrando estruturas familiares, seres alienígenas ou animais desconhecidos. Todas estas situações têm algo em comum: elas são o resultado da pareidolia, uma tendência de nosso cérebro que nos faz reconhecer imagens em padrões aleatórios.

Um ótimo exemplo disso é uma imagem de Marte feita pela sonda Viking em 1976, que deu o que falar. Na época, a espaçonave estava orbitando Marte e capturando fotos do planeta vermelho, que ajudariam a definir locais de pouso para a missão Viking 2. Entre os registros, havia algo curioso: uma das fotos da região de Cydonia parecia mostrar algo familiar, parecido com um rosto humano.

O "rosto" fotografado pela Viking 1 (Imagem: Reprodução/NASA, Viking 1 Orbiter)

Os cientistas do Laboratório de Propulsão a Jato, na NASA, devem ter ficado surpresos com a imagem — mas a sensação não deve ter durado muito tempo, já que sabiam bem que se tratava simplesmente de um tipo de rocha bastante comum na região. A única diferença é que, graças às sombras, a formação geológica ficou parecida com um rosto.

A foto foi divulgada pela NASA após alguns dias, que a descreveu com “uma grande formação rochosa parecida com uma cabeça humana, com sombras que davam a ilusão de olhos, nariz e boca”. A ideia ali não era especular sobre algum ser vivo ou obra de alienígenas no planeta, mas sim envolver o público e atrair a atenção para Marte.

No fim, a estratégia deu tão certo que a foto se tornou uma espécie de ícone pop que nos mostra a pareidolia, a tendência que o cérebro humano tem de identificar padrões em meio a informações aleatórias. A pareidolia pode ser mais desenvolvida em algumas pessoas e menos em outras, e ajudou tanto povos antigos a “ligar” estrelas e formar constelações quanto a criar situações divertidas, como o que aconteceu com a foto da sonda Viking.

Abaixo, você confere outras fotos de formas estranhas e divertidas em Marte:

Cratera "feliz"

Mudanças observadas na cratera ao longo do tempo (Imagem: Reprodução/NASA/JPL/University of Arizona)

Já imaginou uma cratera que parece sorrir? Pois é, foi isso que apareceu em uma imagem da sonda Mars Reconnaissance Orbiter (MRO), feita em 2011. Já outra, capturada 2020 quase na mesma estação da foto anterior, mostra que a cratera passou por algumas mudanças após tantos anos — e, mesmo assim, não perdeu o "sorriso"!

Brincadeiras à parte, vamos à cratera: o "rosto" dela é formado por grandes blocos de gelos sublimados (ou seja, foram direto para o estado gasoso, sem passar pelo líquido) pela ação solar. Já o "nariz" é composto por um par de depressões circulares, que acabaram aumentando e se fundindo com o tempo.

Rocha “torcida”

Enquanto escalava uma região na montanha Mount Sharp, uma formação geológica composta por argila e enxofre, o rover Curiosity encontrou esta rocha e a registrou com seus instrumentos. Depois, o engenheiro de software Kevin Gill reuniu os dados dos instrumentos do robô e os processou, chegando no resultado que você viu acima.

Logo de primeira, a estrutura da rocha chama a atenção por parecer estar “torcida”. Ela pode até parecer frágil, mas ao que tudo indica, está resistindo ao vento e outros agentes erosivos de Marte. Abigail Fraeman, cientista planetária do Laboratório de Propulsão a Jato, estima que a rocha “dobrada” tenha tamanho pequeno.

Insetos marcianos?

O professor alegou que este seria um ser vivo marciano, mas outros cientistas refutam a afirmação; não há evidências de vida em Marte até o momento (Imagem: Reprodução/ William Romoser)

Em 2019, William Romoser, professor emérito de arbovirologia na Universidade de Ohio, acreditou ter encontrado “provas” de seres semelhantes a insetos e répteis em fotos feitas por rovers da NASA. Ele apresentou a “descoberta” em um evento da Sociedade Entomológica da América e mostrou as imagens que, segundo ele, mostravam fósseis e até seres vivos em Marte.

Claro, não havia ser vivo nas imagens — David Maddison, professor de biologia da Universidade Estadual do Oregon, observou que o ocorrido foi simplesmente um exemplo prático de pareidolia. Já Nina Lanza, cientista planetária do Laboratório Nacional Los Alamos, destacou que é fácil encontrar padrões em imagens, principalmente quando elas estão fora de contexto.

A vez dos "fungos"

Os autores acreditam ter visto seres vivos nesta duna, registrada pela MRO (Imagem: Reprodução/Rhawn Gabriel Joseph)

Após o episódio dos supostos insetos em Marte, uma equipe de pesquisadores alegou em 2021 que os rovers Curiosity e Opportunity e a sonda Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) teriam encontrado evidências fotográficas de seres parecidos com fungos. Eles sugeriram que os “seres” teriam evoluído e se adaptado às condições de Marte, como baixas temperaturas e alto nível de radiação.

As tais formações observadas por eles não são suficientes para concluirmos que são fungos ou seres vivos, principalmente porque elas podem ter vindo de processos com minerais, forças geológicas ou até algum fenômeno exclusivo de Marte, desconhecido para nós na Terra.

Outro “ser” estranho

Em 2012, o rover Curiosity registrou algo parecido com uma silhueta que estaria encostada em uma rocha. Na ocasião, um canal do YouTube descreveu que se tratava de um alienígena pequeno, que não teria mais que 15 cm de altura. Depois, o ufólogo Scott C Waring até colorizou a imagem e acrescentou olhos na “cabeça”.

O tal “alienígena” era simplesmente uma formação geológica que, em função da textura e das sombras, ficou com forma parecida com a de um ser extraterrestre — ao menos para os criadores do vídeo.

Logo da Frota Estelar

A sonda Mars Reconnaissance Orbiter (MRO), da NASA, também descobriu algo familiar na superfície de Marte. Em 2019, a câmera HiRISE mostrou dunas de areia com formato que deve ter chamado a atenção dos fãs de Star Trek (“Jornada nas Estrelas”, no nome da franquia no Brasil): a formação parece com o logo da Frota Estelar!

As dunas foram encontradas no sudeste de Hellas Planitia, região no hemisfério sul de Marte. No passado, havia grandes dunas no se movendo por lá, até que houve uma erupção; a lava expelida fluiu ao redor das dunas e, depois de se solidificar, elas seguiram ali, se erguendo como ilhas. Com o vento, a areia delas “migrou”, deixando para trás os sinais que vimos na planície da lava.

Porta alienígena?

A "porta" registrada pelo rover Curiosity (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech/MSSS)

Uma estrutura parecida com uma porta esculpida em uma parede rochosa em Marte apareceu em outro registro do rover Curiosity. Se você é um entusiasta da busca por vida alienígena e suspeitou se tratar de uma “entrada” para alguma instalação extraterrestre, já adiantamos que a estrutura é, provavelmente, uma simples fratura causada por alguma tensão na rocha.

A tal “porta” foi encontrada em Greenheugh Pediment, região formada por uma grande camada de rochas no topo de uma colina. A rocha parece não ter mais que alguns poucos centímetros de altura, e o melhor jeito de saber as origens dela é com investigações mais detalhadas.

Disco voador — ou quase isso

Foto do "disco voador" feita pelo helicóptero Ingenuity (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech)

Agora, é a vez de um registro do helicóptero Ingenuity. Durante seu 26º voo em Marte, a pequena aeronave fez algumas fotos, entre elas uma que mostra destroços de algo parecido com um “disco voador”. E desta vez não se trata de pareidolia: são realmente os restos de uma espaçonave construída por uma civilização inteligente em outro mundo. No caso, a nossa.

Mais precisamente, o que vemos na foto é a carenagem que ajudou a proteger o rover Perseverance e o helicóptero Ingenuity durante sua viagem pelo espaço e entrada na atmosfera marciana. A carenagem está fragmentada, pois atingiu a superfície
de Marte a 126 km/h, mas mesmo assim resistiu bem.

Já o paraquedas que ajudou na desaceleração do rover parece não ter sido muito afetado pela descida. As imagens serão analisadas detalhadamente pelos engenheiros da Nasa para determinar novas estratégias de pouso em missões futuras a Marte.

Fonte: Via: NASA

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