7 filmes e séries do MCU que a Marvel quer que você esqueça

7 filmes e séries do MCU que a Marvel quer que você esqueça

Por Durval Ramos | Editado por Jones Oliveira | 12 de Julho de 2021 às 19h00
Reprodução/Netflix, Disney+, Lionsgate

O novo Viúva Negra marca o retorno do Universo Cinematográfico da Marvel (MCU, na sigla em inglês) aos cinemas depois de mais de um ano de hiato forçado pela pandemia da COVID-19 em todo o mundo. E a empolgação dos fãs de conferir a história de uma personagem cujo destino a gente já sabe qual é mostra o poderoso toque de Midas do Marvel Studios: dos grandes heróis dos quadrinhos aos grupos mais obscuros, tudo o que a empresa toca vira sucesso.

Quer dizer, em partes. Apesar do histórico bastante positivo nesses mais de 10 anos de MCU, o estúdio tem em seu currículo algumas produções que prefere esquecer e fingir que nunca existiram. São séries e filmes que foram prometidos como grandes histórias desse universo compartilhado, mas que foram rapidamente jogados para baixo do tapete.

Deve ser bem frustrante fazer parte do MCU e, logo depois, ser descartado (Imagem: Divulgação/Netflix)

E não se trata nem da velha desculpa de que faz muito tempo e que, por isso, o Marvel Studios decidiu rever sua estratégia — até porque Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis vai trazer um personagem de O Incrível Hulk, de 2009. O motivo dessa limpa feita pela empresa é a pura falta de qualidade de algumas de suas produções ou mesmo por causa de disputas dentro da própria Marvel.

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Mas quais são esses patinhos feios que foram excluídos do MCU? O Canaltech mostra para você.

7. Justiceiro: Zona de Guerra

Este é um filme que passou despercebido por muita gente, até porque ele foi lançado ainda em 2008, pouco tempo depois de Homem de Ferro, quando o nome da Marvel no cinema ainda estava engatinhando.

E o grande problema de Zona de Guerra é que ninguém sabia exatamente o que ele deveria ser e, ao tentar ser tudo ao mesmo tempo, acabou sendo só ruim e ignorado. A ideia inicial era que ele fosse uma sequência de O Justiceiro, de 2004, mas ele passou por uma série de problemas de produção, com o roteiro tendo que ser alterado diversas vezes e com parte do elenco desistindo do projeto. Assim, quase todos os atores foram substituídos e a continuação ganhou cara de reboot.

O Justiceiro teve a chance de ser um dos primeiros antiheróis do MCU, mas foi engolido por sua própria ruindade (Imagem: Divulgação/Lionsgate)

O curioso é que Justiceiro: Zona de Guerra não foi integrado ao MCU não apenas por ser um filme tão ruim que fez roteiristas pedirem para tirar seus nomes dos créditos, mas por ainda ser parte daquela leva de produções que a Marvel desenvolvia em conjunto com outros estúdios. No caso, a maior parte do controle criativo estava com a Lionsgate, ainda que o todo poderoso da Marvel na época, Avi Arad, também estivesse envolvido em todo o processo de criação do longa — algo semelhante aconteceu com O Incrível Hulk, que foi desenvolvido em parceria com a Universal.

Só que, como filho feio não tem pai, ninguém se esforçou em fazer com que esse Justiceiro fosse integrado ao recém-criado MCU e o personagem ficou esquecido por alguns anos até que os direitos voltassem para a Marvel.

6. Inumanos

No longínquo ano de 2014, o Marvel Studios já havia se tornado o colosso que é hoje. O primeiro Vingadores tinha sido um sucesso estrondoso, seu universo de filmes já estava bem estabelecido e tinham conseguido até mesmo alçar um grupo desconhecido como os Guardiões da Galáxia ao status de blockbuster do ano. Isso animou o estúdio, que não demorou em revelar quais as produções que iriam fazer parte da vindoura Fase 3. Entre elas, estava Inumanos.

Não tinha como isso dar certo, né? (Imagem: Reprodução/Disney+)

Na época, a notícia foi muito comemorada. Apesar de não ser um grupo tão famoso para o público geral, os fãs de quadrinhos viram ali a oportunidade da Marvel de expandir seu universo de heróis ao introduzir uma alternativa aos mutantes, cujos direitos pertenciam ainda à Fox. Mais do que isso, a entrada do herói Raio Negro e de toda a família real inumana viria pouco antes de Vingadores: Guerra Infinita, ou seja, tinha tudo para ser um épico.

Só que, na prática, as coisas desandaram bonito. Primeiro, o filme começou a sofrer uma série de adiamentos que acenderam um sinal de alerta na cabeça dos fãs. Em seguida, a série Agents of SHIELD começou a colocar alguns personagens inumanos em seu elenco e a tratar com muita liberdade questões que, em tese, deveriam ser mostradas no cinema. A partir disso, não demorou para que a Disney retirasse Inumanos do seu cronograma de lançamentos.

Para tentar contornar a situação, o Marvel Studios anunciou que a produção não seria descartada, mas lançada em formato de série de TV. E, bem, seria melhor não ter lançado, já que o programa foi alvo de muitas críticas por causa de sua péssima qualidade. Com atuações fracas e uma história pouco interessante, ninguém deu muita bola para a família real de Attilan e o MCU passou a tratar a série como um delírio coletivo. Uma pena, pois o Raio Negro é um personagem que poderia render grandes momentos para o futuro.

5. Agents of SHIELD

E não é porque Agents of SHIELD puxou o tapete de Inumanos que ela teve um destino melhor dentro do MCU. A grande diferença aqui é que, apesar de ter sido por muito tempo ignorada pelo Marvel Studios e existido quase que à margem do MCU, a série teve sete temporadas e conquistou uma boa legião de fãs. Então o que aconteceu?

Os agentes da SHIELD até tentaram, mas não conseguiram se manter no MCU por muito tempo (Imagem: Reprodução/ABC)

O principal problema com o seriado foi o modo como ele foi vendido para o público. Quando a série estreou, em 2013, a ideia era que ela fosse uma extensão do MCU, contando histórias que não foram exploradas no cinema e que sofreriam os impactos dos eventos que vimos nas telonas — e, em tese, o inverso também seria verdadeiro.

Só que essa proposta se revelou uma enorme armadilha. Manter as aventuras dos agentes atreladas aos filmes era muito limitante, porque os roteiros ficavam presos ao que o cinema mostrava — como na queda da SHIELD em Capitão América: Soldado Invernal. Além disso, os acontecimentos da série não tinham impacto no restante do universo e nem mesmo os grandes heróis podiam aparecer por lá. E, de quebra, havia uma restrição quanto ao uso de outros personagens dos gibis, uma vez que eles poderiam ser requisitados para os filmes no futuro.

É por isso que, pouco a pouco, o Marvel Studios abriu mão de Agents of SHIELD e concedeu a liberdade que o programa precisava. Por um lado, isso permitiu que os episódios explorassem tanto os inumanos quanto o Motoqueiro Fantasma, mas também fez com que a série fosse cada vez mais ignorada pelo MCU até chegar ao ponto de nada mais daquilo valer.

Ao contrário da Marvel, os fãs não abandonaram a série (Imagem: Reprodução/Disney+)

Outro detalhe que é muito importante para entender o distanciamento do seriado com o MCU — e que vai valer para todas as demais séries pré-Disney+ — é a disputa interna que existia na Marvel. Naquela época, a divisão de cinema respondia diretamente à Disney, enquanto os produtos de TV ainda estavam sob o guarda-chuva da Marvel Entertainment e havia uma rixa entre os presidentes de cada um desses departamentos.

Foi somente em 2019, quando essa distinção deixou de existir e tudo ficou concentrado na mão de Kevin Feige, que o universo foi finalmente unificado.

4. Universo Netflix

O cancelamento de Demolidor dói até hoje (Imagem: Divulgação/Netflix)

E se Agents of SHIELD foi vítima dessa queda de braço entre Marvel Studios e Marvel Entertainment, as séries dos heróis urbanos da editora sofreram ainda mais. E a pior parte é que essas produções eram muito boas — ou pelo menos as primeiras delas —, mas foram engolidas por causa dessa briga até que passaram a ser completamente ignoradas.

A promessa inicial era que séries como Demolidor, Jessica Jones e Luke Cage iriam contar histórias mais urbanas, mas ainda situadas dentro do MCU. E era uma ideia muito boa: enquanto os Vingadores estavam lutando contra Ultron em Sokovia, o Demolidor estava dando porrada em traficante na Cozinha do Inferno, mostrando como o universo de super-heróis ia do micro ao macro.

O Justiceiro é um personagem que não tem muita sorte no MCU (Imagem: Divulgação/Netflix)

E apesar de as séries da Netflix não contarem com nenhum herói dos cinemas, os eventos dos filmes eram citados nos episódios. A empolgação do público foi tanta que começaram a rolar boatos de que o Demolidor ou mesmo o Punho de Ferro poderiam aparecer em Vingadores: Guerra Infinita.

Só que a gente começou a ver que tinha algo de errado quando os personagens passaram a chamar o Hulk de “verdão” ou o Homem de Ferro de “o cara da armadura”. Depois que a briga interna da Marvel se tornou pública, entendemos o porquê disso. Uma pena, pois seria muito bom ver o Demolidor e o Justiceiro das séries voltando a vestir seus uniformes, assim como aquele Rei do Crime seria um ótimo vilão para um futuro filme do Homem-Aranha — embora alguns rumores apontem para algum surpresa nesse sentido em Sem Volta para Casa.

3. Fugitivos

Se você nunca ouviu falar de Fugitivos, não se assuste. Lançada em 2017, a série é muito mais voltada para o público adolescente e, embora seja considerada parte do MCU, existe quase que de forma isolada, sem depender tanto dos filmes e nem sonha em influenciar o cinema de alguma forma. Ela está ali e pronto — e o fato de tudo se passar em Los Angeles ajuda bastante.

(Imagem: Reprodução/Disney+)

A trama é centrada em um grupo de adolescentes filhos de vilões que se unem para tentar impedir as ações de seus pais. Ao todo, foram produzidos 33 episódios divididos em três temporadas exibidos lá fora pelo Hulu e que chegaram ao Brasil pela Netflix. Hoje, a série está no Disney+.

Esse caráter mais autocontido da história é algo que vem dos quadrinhos. O seriado é inspirado na HQ de mesmo nome e, mesmo lá, o grupo teen não se envolvia com os grandes super-heróis e existiam quase como se fosse em um cantinho mais pacato do universo. Foi somente mais recentemente que alguns dos personagens de Fugitivos começaram a interagir mais com o restante dos heróis.

No MCU, a única grande ligação com os cinemas é que a mãe de uma das protagonistas aparece em Doutor Estranho. Só que, no filme, ela não tem nome e é por isso que foi possível reaproveitá-la na série de TV.

2. Manto e Adaga

Manto e Adaga também tentaram explorar o lado teen do MCU (Imagem: Reprodução/Freeform) 

Outra série de TV que deveria estar conectada ao MCU, mas que foi prejudicada pela briga entre Marvel Studios e Marvel Entertainment. Lançada em 2018, era outra série adolescente que pretendia levar os super-heróis da editora para esse público — e brigar com as séries da CW. Teve apenas duas temporadas.

A curiosidade em torno de Manto e Adaga é que os poderes da dupla surgem após um incidente com a Roxxon, que é a mesma empresa que estamos vendo nos episódios de Loki.

1. Helstrom

Helstrom não durou uma temporada (Imagem: Reprodução/Hulu)

Helstrom foi a última tentativa da Marvel Entertainment de produzir uma série de TV antes de o controle criativo ficar todo nas mãos de Kevin Feige. O seriado foi pensado para funcionar dentro do MCU, mas também de forma isolada e com uma pegada mais voltada para o terror. Tanto que a sua história se concentra em dois filhos de um famoso serial killer que descobrem habilidades especiais demoníacas.

A diferença é que, nesse caso, não foi apenas a briga corporativa que matou o projeto, já que a baixa qualidade da trama fez com que a série fosse cancelada com apenas uma temporada.

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