10 obras-primas do cinema dos anos 2010 que você precisa assistir

Por Sihan Felix | Editado por Jones Oliveira | 10 de Abril de 2021 às 21h00
Divulgação/Imovision, Drafthouse Films

Alguns filmes podem passar despercebidos, terem estreias pouco comentadas ou passarem somente por um circuito mais restrito. Pensando nisso e em quem gosta de fugir, de vez em quando, do cinema mais pop e hollywoodiano mais abrangente, o Canaltech preparou uma lista com algumas obras-primas da década passada (2010 a 2019) que podem não estar tão difundidas hoje.

Por mais que algumas tenham tido repercussão em seus lançamentos ou tenham fãs, a questão é trazer a lembrança desses filmes para todos os que pensam em abrir o leque de experiências e adentrar em um mundo um pouco (e às vezes muito) diferente do que é tão comercialmente badalado. E, com isso, não queremos dizer que são filmes melhores do que blockbusters que permanecem populares, mas, somente, desejamos apresentar outras formas, outras portas para o pensar cinema.

Vamos à nossa lista de 10 obras-primas em ordem cronológica dos anos 2010 que passaram despercebidas, com direito a um bônus de novo clássico (esse mais popular):

10. Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas

Um dos filmes que tem mais poder de reflexão da lista e de mudar em nossas mentes com o passar do tempo, Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas transforma o simples em algo sensorial e esotérico. O tailandês Apichatpong Weerasethakul (ou Joe, como se apelidou para facilitar a vida da imprensa) tem uma filmografia fascinante e que, gostando ou não, tem um poder gigante ao construir metáforas a partir de elementos fantásticos. Na história, um homem passa seus últimos dias com a família, incluindo o fantasma de sua esposa e um espírito da floresta que costumava ser seu filho. Tudo acontece em uma área rural no norte da Tailândia.

9. Cópia Fiel

Provavelmente o filme mais popular do diretor iraniano Abbas Kiarostami, Cópia Fiel é estrelado por ninguém menos que Juliette Binoche. A história de um filósofo escritor que vai à Toscana para promover seu último livro e acaba conhecendo a dona de uma galeria de arte é tratada com a elegância e a forma inconfundíveis de Kiarostami — que está sempre mais interessado nas perguntas que pode causar do que em trazer respostas.

Cópia Fiel pode ser assistido no Telecine.

8. O Cavalo de Turim

O último filme de ficção do cultuado húngaro Béla Tarr, novamente em parceria com Ágnes Hranitzky, tem como mote um contexto simples, que diz sobre um fazendeiro rural forçado a enfrentar a mortalidade de seu fiel cavalo. Não é um cinema popular, não é um cinema feito com pensamentos comerciais. Talvez, para quem não estiver acostumado a filmes fora do padrão de Hollywood, este seja o mais difícil da lista. A sensação de que os diretores nos carregam até o limite da paciência pode, inclusive, existir. Mas, entregando-se à experiência, tudo vai consumindo hipnoticamente e entrando em nossos poros, ficando sob nossa pele. O Cavalo de Turim é a humanidade nua e, de certo modo, sombria.

7. A Separação

Seria o mais pop da lista? Talvez perca essa posição para o próximo. O filme, dirigido por Asghar Farhadi (iraniano como Kiarostami), foi o vencedor do Oscar 2012 de Melhor Filme Estrangeiro (hoje, Melhor Filme Internacional) contando a história de um casal que enfrenta uma decisão difícil: melhorar a vida de seu filho mudando-se para outro país ou ficar no Irã e cuidar de um pai em declínio com doença de Alzheimer. A Separação é uma obra dinâmica e que tem facilidade em agradar, dada a forma de um cinema mais enérgico em sua primeira camada.

A Separação pode ser assistido no Amazon Prime Video.

6. O Ato de Matar

Disponível na Netflix em sua versão para cinema (Theatrical Cut), The Act of Killing (no original) é um documentário que revela que o mal não nasce somente dos atos, mas pode surgir pelo esquecimento. A perpetuação da maldade como algo costumeiro, para o filme, é o ato mais odioso e covarde da índole humana.

O Ato de Matar vai de e ao encontro da monstruosidade particular dos seus personagens. Nesse sentido, sua cena mais poderosa pode ser aquela em que o personagem Anwar Congo é observado de perto e é possível enxergar não somente um rosto, mas a abominação que aquele homem sempre ignorou.

Curiosidade: A citada cena com Anwar foi comentada por alguns críticos como sendo passível de indicação ao Oscar de Melhor Ator, o que causa incômodo pela incerteza se aquele homem estava, de fato, sendo natural ou atuando com alguma especificidade a pedido da direção.

5. Holy Motors

Flertando ou abraçando o surrealismo, o filme do francês Leos Carax foi considerado por muitos entre os melhores filmes de 2012. As quase duas horas são uma viagem (em todos os sentidos) por algumas horas na vida sombria de um homem místico chamado Monsieur Oscar. Denis Lavant que, além de interpretar o protagonista, vive outros 10 personagens (entre eles o icônico Monsieur Merde), só engrandece uma obra que é gigante por si só, mas se torna ainda maior a depender da disposição do espectador em ser confrontado.

Da lista, Holy Motors é o filme que, de longe, tem o final mais inusitado. Ele pode ser assistido no catálogo do Globoplay.

4. Tabu

Uma inquieta mulher aposentada se junta à empregada de seu vizinho falecido para procurar um homem que tem uma conexão secreta com sua vida passada, como proprietário de uma fazenda, no sopé do Monte Tabu, na África. Tabu ficou entre os 10 melhores filmes pela Cahiers du Cinéma em seu ano e é um filme-poesia grandioso que pode ter efeitos profundos.

Tabu pode ser alugado ou comprado no Looke ou no iTunes.

3. Timbuktu

Dirigido por Abderrahmane Sissako (que talvez tenha um autoapelido como Apichatpong Weerasethakul) Timbuktu é uma coprodução entre a Mauritânia (país do diretor), França e Qatar. Não existe um frame no filme que não possa ser constatada uma beleza estética a favor da narrativa que traz a vida de um pastor de gado e sua família. Eles, que residem nas dunas de Timbuktu, descobrem que a paz pode ser perturbada por mais que se esteja livre daqueles que controlam a sua fé.

Timbuktu está disponível no catálogo do Looke.

2. Leviatã

Em uma cidade costeira da Rússia, Kolya (Aleksey Serebryakov) é forçado a lutar contra o prefeito corrupto quando é informado de que sua casa será demolida. Ele recruta um amigo advogado para ajudá-lo, mas a chegada do homem traz ainda mais infortúnios. As duas horas e vinte minutos de duração de Leviatã, no final das contas, podem ser poucas para um filme monumental. O esqueleto gigantesco de uma baleia funciona como uma metáfora do povo sob retratos de Putin e Gorbachov. Ali, o velho e o novo lutam pelo coração do país, no que é um paralelo simbólico para Kolya e sua família.

Leviatã está disponível para os assinantes do Globoplay.

1. A Árvore dos Frutos Selvagens

A Árvore dos Frutos Selvagens é a beleza da existência. É um filme que permite que nos demos ao luxo de dramas existenciais, sendo a existência uma eterna renúncia do que pensamos que somos para aproveitarmos o que nos tornamos. Na história, um escritor não publicado retorna à sua cidade natal depois de se formar. Nela, ele busca auxílio para a publicação de seu livro enquanto lida com a indulgência cada vez maior de seu pai para o jogo. Mas vai além demais...

Bônus novos clássicos: Boyhood: Da Infância à Juventude

Um filme pode causar muitas reflexões, o que é normal a depender da intenção. Em Boyhood: Da Infância à Juventude, elas (as reflexões) são tão comuns quanto esquecidas. Não há, no trabalho de Richard Linklater, uma tentativa desesperada de fugir de clichês ou de inserir acontecimentos dramáticos chocantes. Tudo é tão simples e, ao mesmo tempo, tão vivo quanto a nossa vida. Dessa maneira, o diretor faz com que seus personagens estejam sempre próximos do público no que diz respeito às sensações.

Boyhood: Da Infância à Juventude está disponível para todos os assinantes do Amazon Prime Video.

Agora, ficam aí os comentários para que vocês acrescentem filmes e possamos criar uma lista cada vez maior e construída por todos nós de obras-primas que não estão tão difundidas!

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