Os 5 melhores documentários disponíveis na Netflix

Por Sihan Felix | 19 de Fevereiro de 2019 às 08h41
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Como sempre, listas são traiçoeiras: nunca são unânimes e, por isso, sempre poderiam ser quase que completamente diferentes. É normalmente muito subjetiva a escolha de “melhores filmes”. É um processo que depende da vivência de cada um, da trajetória pessoal de cada espectador, da sua vida privada, da sua idade – consequentemente da sua maturação... Mesmo assim, é divertido elencar títulos, assistindo ao máximo possível para chegar a um resultado aceitável (por mais que seja diferente de outros).

No caso dos documentários, é muito interessante o quanto essa restrição pode ser abrangente. Ciente de que há documentários dos mais variados em forma e em conteúdo, a ideia desta lista, portanto, é atender da maneira mais abrangente possível uma parcela considerável do público: De um filme que relata o mundo do doping em um esporte olímpico a outro que discorre sobre um sushi dos sonhos (isso mesmo); de uma produção que vai a fundo em questões feministas a outra que trata da extinção do partido comunista indonésio...

E é óbvio que, no campo para comentários, toda indicação será bem-vinda! Podemos ir fazendo uma espécie de corrente. Assim, mais e mais bons filmes poderão chegar a todos.

Vamos à lista que, à procura dos impossíveis cinco melhores, acabou se tornando uma reunião dos cinco mais variados e efetivos em suas formas e conteúdos:

5. Miss Representation

Não é um documentário perfeito. De forma alguma. Quando Miss Representation foi lançado, ele sofreu queixas por não oferecer soluções e só ressaltar os problemas do mundo machista. Por outro lado, a síntese de um filme relevante passa muitas vezes pela sua capacidade de intrigar, de fazer refletir e pensar sobre o tema abordado. Por esse lado, a demonstração do quanto as mulheres foram subjugadas ao longa da história e representadas como um ser de poderio inferior é um atestado da fraqueza masculina que, para se sentir forte, parece necessitar do domínio do oposto. Alice Walker, escritora e ativista americana citada no filme, não poderia estar mais certa: “A maneira mais comum de as pessoas desistirem de seu poder é pensar que elas não têm nenhum.”

Curiosidade: Jennifer Siebel Newsom (que dirigiu Miss Representation junto a Kimberlee Acquaro) é também atriz, tendo passado, inclusive, pela série Mad Men.

4. Jiro Dreams of Sushi

No porão de um arranha-céu em Tóquio, próximo a uma estação de metrô, Jiro Ono serve apenas sushi em seu restaurante. Jiro Dreams of Sushi é um documentário sobre um homem que tem o sushi como seu grande amor e, ao mesmo tempo, seu grande vilão. Isso porque o perfeccionismo atrapalha Jiro a ponto de ele permanecer em um limite claustrofóbico entre a lucidez e a loucura. No final das contas, o documentário parte de um homem particular e passa a ser um tratado sobre a vida, sobre o poder da empatia, sobre o quanto a importância que se dá ao próximo pode ser o remédio para as aflições da vida.

Curiosidade: O diretor de Jiro Dreams of Sushi é David Gelb, que dirigiu o péssimo Renascida do Inferno (2015). Fica claro que o talento do moço, ao menos por enquanto, não é para a ficção.

3. Ícaro

O melhor do documentário investigativo e com um envolvimento arriscado do cineasta Bryan Fogel, que, com seu trabalho duplo, é levado a Grigory Rodchenkov, chefe do laboratório antidoping russo. Mas Fogel, que não percebe a tempo (ou percebe?), passa a se envolver diretamente, além de ser, de dentro, um cronista do maior escândalo de doping do esporte, conforme os detalhes vão sendo revelados. A história passa de uma experiência pessoal para um thriller geopolítico em questão de cenas. Urina contaminada, morte inexplicável e ouro olímpico fazem parte de um documentário para se assistir com os olhos grudados na tela.

Curiosidade: Ícaro foi o primeiro documentário produzido pela Netflix a vencer o Oscar em sua categoria.

2. Winter on Fire: Ukraine's Fight for Freedom

Winter on Fire: Ukraine's Fight for Freedom é daqueles raros filmes que têm a força de fazer o espectador ter uma relação muito próxima através de algo muito distante. Assim, é possível que o sentimento de patriotismo para com a Ucrânia se estabeleça já nos primeiros 15 minutos. Aliado a esse fato, o documentário também tem coração o suficiente para causar reflexões que vão muito além da luta por liberdade que acompanha o subtítulo: a luta é por ser humano, por todos aqueles que querem, mais do que liberdade, a mais honesta felicidade para si e para suas famílias. O preço em Winter on Fire: Ukraine's Fight for Freedom é alto, é doloroso, mas, simultaneamente, representa a esperança por mudanças. Fica, no mínimo, a mensagem real e atemporal de que é preciso lutar de qualquer forma, porque aqueles que detêm o poder de maneira egoísta, egocêntrica e enganosa não irão desistir de boa vontade. Esse filme, dirigido por Evgeny Afineevsky e que concorreu ao Oscar de Melhor Documentário em 2016, já figura entre os melhores do século XXI. E assim deverá permanecer por muito... muito tempo.

Curiosidade: Apesar do interesse e da dedicação em Winter on Fire: Ukraine's Fight for Freedom, o diretor Evgeny Afineevsky é russo, de Cazã (na República do Tartaristão, onde somente a minoria é de ucranianos).

1. The Act of Killing

Disponível na Netflix em sua versão para cinema (Theatrical Cut), The Act of Killing é um documentário que revela que o mal não nasce somente dos atos, mas pode surgir pelo esquecimento. A perpetuação da maldade como algo costumeiro, para o filme, é o ato mais odioso e covarde da índole humana. Ao contrário de Jiro Dreams of Sushi, que parte do íntimo e se torna mais abrangente, The Act of Killing vai de e ao encontro da monstruosidade particular dos seus personagens. Nesse sentido, sua cena mais poderosa é, sem dúvida, aquela em que o personagem Anwar Congo é observado de perto e é possível enxergar não somente um rosto, mas a abominação que aquele homem sempre ignorou.

Curiosidade: A citada cena do personagem Anwar foi comentada por alguns críticos como sendo passível de indicação ao Oscar de Melhor Ator, o que causa espanto pela incerteza se aquele homem estava, de fato, sendo natural ou atuando a pedido da direção.

Bônus Adam Sandler: Adam Sandler 100% Fresh

Não é porque se trata de uma lista de documentários que eu me esquivaria desse bônus! Claro, um documentário exatamente sobre Sandler ou com a participação dele talvez seja mais improvável por enquanto no catálogo da Netflix. Por outro lado, há um lançamento da plataforma que se chama Adam Sandler 100% Fresh, uma comédia stand-up que, forçando um pouquinho a barra, pode ser encaixada aqui. Como disse Jason Zinoman, crítico que escreve para o New York Times, "é a comédia mais gratificante do ator em anos".

Completamente desnudo de suas personagens, Sandler não somente consegue fazer o espectador rir, mas é possível que algumas risadas sejam seguidas por lágrimas. Isso porque o tema desse especial que engloba música também é universal: a importância da família, o sentimento de nostalgia... e muito do que remete ao poder da memória. O humor é muitas vezes bem bobo e inofensivo, mas é elaborado o suficiente para que o ator, que surgiu com o péssimo Ir ao Mar (de Valerie Breiman, 1999), com apenas 23 anos, demonstre que ao 53 é capaz, sim, de papéis mais do que contundentes, como no recente Os Meyerowitz: Família Não Se Escolhe (de Noah Baumbach, 2017).

Menções honrosas

Como a lista é somente de cinco documentários, complementá-la com menções honrosas talvez fosse ainda mais injusto, visto que a quantidade de filmes de qualidade desse gênero disponíveis na Netflix é realmente acima de razoável. De qualquer forma (e me contradizendo), seguem cinco que se diferem bastante dos listados acima e, só por isso, acrescentarei eles:

  1. Virunga, que discorre sobre uma equipe que arrisca a vida dos seus integrantes para proteger os últimos gorilas da montanha.
  2. What Happened, Miss Simone?, um filme sobre a vida da lenda Nina Simone, uma cantora americana, pianista e ativista dos direitos civis rotulada como a "Alta Sacerdotisa do Soul". Um mulher inspiradora, gigante e que marcou toda a história da música e da luta a favor da igualdade racial.
  3. Visita ao Inferno, para quem gosta da natureza, do poder que ela exerce sobre a terra e, ainda por cima, com a direção do lendário Werner Herzog.
  4. Shirkers – O Filme Roubado, um filme intimamente conceitual sobre valores pessoais, empatia e amadurecimento.
  5. Senna: O Brasileiro. O Herói. O Campeão., sobre um homem que definiu os valores de uma geração.

Ficam, então, as indicações e o espaço dos comentários para acréscimos e tudo o que desejarem. Sem dúvida, como sempre ao fazer uma lista, foi dolorido, mas tenho certeza que vocês conseguirão complementar e enriquecer tudo o que está aí.

Bons (ou ruins?) filmes para nós!

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