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Bitcoin: de moeda disruptiva a nova opção de pagamentos

Por| Editado por Claudio Yuge | 26 de Julho de 2022 às 20h00

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Pexels/David McBee
Pexels/David McBee

O Bitcoin surgiu em 2009 como uma tecnologia desconhecida utilizada principalmente por “nerds”. No entanto, após valorizar cerca de 900.000% de 2011 até 2021, a criptomoeda conquistou seu espaço no mercado e passou de uma moeda disruptiva para uma nova opção de pagamentos.

Com apenas 13 anos de existência, a moeda digital conquistou seu espaço no cenário mundial e impactou o sistema financeiro tradicional. De lá para cá, tudo o que aconteceu no mundo da tecnologia tem sido publicado por aqui. A criptomoeda foi criada em meados de 2008, por uma pessoa — ou grupo — com o pseudônimo de Satoshi Nakamoto. Ele divulgou sua criação num fórum na internet em um texto intitulado “Bitcoin: A Peer-to-Peer Electronic Cash System”.

Mas foi em janeiro de 2009 que aconteceu de fato o “nascimento" da moeda digital, quando ela foi minerada pela primeira vez. Na época, o mundo passava por uma crise econômica, e o sistema financeiro tradicional estava em ruínas. Nascida num cenário de caos econômico, o Bitcoin surgiu como uma alternativa descentralizada ao banco central. Um novo sistema de pagamento capaz de oferecer transações com baixo custo, acessível a qualquer pessoa.

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Um ano após seu nascimento, aconteceu a primeira transação financeira envolvendo o Bitcoin. Esse dia é conhecido como o “pizza day”. Em 22 de maio de 2010, Laszlo Hanyecz, um programador, publicou também em um fórum na internet a quantia de 10 mil BTC por duas pizzas.

Esse evento marcou a história do Bitcoin e mostra que, no começo não havia interesse pela criptomoeda, revela também que seu potencial disruptivo era reconhecido apenas pelos entusiastas da moeda digital.

Um desses entusiastas que acreditava com convicção quanto ao futuro do Bitcoin foi o programador estadunidense Hal finney. Ele foi a primeira pessoa a receber uma transação da criptomoeda. Sua confiança na tecnologia e no potencial disruptivo da moeda era tão grande que ele previu o preço da moeda em US$ 10 milhões (R$ 55 milhões) ainda em 2009.

O que é ser moeda disruptiva?

Disruptivo é algo que interrompe a continuidade normal de um processo; que traz conceitos e propostas não para derrubar o que já existe, mas para manifestar algo completamente novo e muito melhor.

Para alguns, esse é certamente o melhor adjetivo para o Bitcoin. Como uma moeda disruptiva, ela chegou e desestabilizou a sequência natural de processos do chamado sistema financeiro tradicional.

O Bitcoin tem uma estrutura que possui uma moeda e uma rede de pagamentos descentralizado, que, segundo seus maiores entusiastas, pode facilmente substituir o complexo sistema financeiro tradicional.

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Bitcoin se torna uma moeda popular

Em 2017, o Bitcoin foi amplamente divulgado na mídia; houve uma explosão na demanda pela criptomoeda. Em dezembro daquele ano, a CME, bolsa de valores de Chicago anunciou a negociação de contratos futuros do ativo.

No ano de 2017 também aconteceu o “hardfork” do Bitcoin, a criptomoeda se transformou em duas. Uma controvérsia devido à quantidade de transações que a moeda digital poderia processar fez a comunidade e o ativo se dividir e nasceu o Bitcoin Cash.

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O Bitcoin Cash sempre esteve na sombra do Bitcoin original e nunca se tornou o “Bitcoin principal” como os seus defensores queriam. A moeda hoje vale cerca de US$ 100 (R$ 500 atualmente), muito abaixo dos US$ 20.500 (R$ 109.000) do BTC

No ano de 2018 o preço do Bitcoin despencou e especialistas declararam o mercado cripto uma bolha. Naquele ano a queda da moeda digital foi superior a 80%, desde a máxima do ano anterior. O ativo encerrou o ano valendo cerca de US$ 3.200 (R$ 17.171,95 nos valores atuais).

Desde essa época, a forte volatilidade do Bitcoin chamava a atenção, e o sobe e desce do preço passou a ser notícia tanto para críticos quanto para apoiadores. Para uns, é uma bolha que explode e deixa todos falidos; para outros é uma oportunidade para compras a preços mais baixos.

Em 2019, a moeda digital foi amplamente aceita, com aumento da adoção do Bitcoin. A Bakkt, uma exchange voltada para instituções, foi lançada nos Estado Unidos e confirmou o investimento de mais de US$ 180 milhões (R$ 965.922,41 na cotação atual) na criptomoeda.

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A Bakkt é vista como a grande porta de entrada de fundos de investimentos, fundos de pensão, seguradoras e bancos, que agora podem investir em Bitcoin por meio da empresa ICE, que também controla a Bolsa de Valores de Nova York.

Bitcoin uma nova opção de pagamentos

Um levantamento de 2021 do cryptoliteracy, um portal especializado em conteúdo educacional sobre criptomoedas, revelou o resultado de uma pesquisa realizada aqui no Brasil que mostra um a cada quatro brasileiros tem interesse em utilizar Bitcoin para pagar por algum produto.

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Outra pesquisa realizada pelo site CoinMap, um portal especializado em dados do mercado cripto, mostra que cerca de mil empresas aceitam Bitcoin no Brasil; e quase 30 mil comércios em todo o mundo têm a criptomoeda como uma opção na hora de receber o pagamento dos clientes.

No Brasil, ainda não existe uma regulamentação para definir as regras de funcionamento do mercado cripto, mas já tramita na câmara dos deputados um projeto de lei (PL) para mudar esse cenário. A votação e uma possível aprovação do PL 4401/2021 foi adiada para após as eleições em outubro deste ano. Especialistas já revelaram que a aceitação desse texto deve impulsionar mercado de criptomoedas no país — e, talvez, tornar de fato o Bitcoin uma nova opção de pagamentos por aqui.

Outros países também tem se empenhado em criar leis para regulamentar o mercado de criptomoedas. Um exemplo é a União Europeia que está desenvolvendo um conjunto de regras para direcionar o funcionamento do setor por lá.

El Salvador e a República Centro-Africana foram países que recentemente adotaram o BTC como moeda oficial em seus territórios. Com isso o Bitcoin se tornou, de fato, uma nova opção de pagamentos. Isso é histórico, considerado o maior teste para o Bitcoin em seus 13 anos de história.

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Ao se tornar moeda oficial, as empresas localizadas nesses países são obrigadas a aceitarem o Bitcoin como pagamento, pelo contrário estarão infringindo a lei local.

Várias empresas consolidadas atualmente adotam o Bitcoin como pagamento

Grandes empresas consolidadas no mercado fincanceira em todo o mundo passaram a aceitar o Bitcoin como uma forma de pagamento, não por estarem sendo obrigados por conta de alguma lei, mas porque entenderam a criptomoeda como sendo uma boa opção de pagamentos.

A Visa permite que fintechs do mercado cripto possam oferecer soluções de pagamentos com saldo em Bitcoin. Nesse caso, os cartões da empresa não precisam estar vinculados a uma conta bancária, e sim a uma carteira digital de criptomoedas. Em fevereiro de 2020, a empresa anunciou a criação de um sistema que permitirá que bancos ofereçam serviços com Bitcoin e outras moedas digitais.

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A MasterCard oferece transações usando o Bitcoin, mas utiliza intermediários que convertem o criptoativo em moeda tradicional. Dessa forma é possível pagamento direto usando criptomoedas utilizando os cartões da empresa.

A PayPal, conhecida carteira digital, passou a oferecer a negociação de Bitcoin diretamente no aplicativo a partir de outubro de 2020.

A plataforma Twitch foi uma das primeiras a aceitar o Bitcoin. Em 2014 a plataforma de streaming anunciou a nova opção de pagamento, mas em 2019, a organização removeu o método. Mas em 2020, a criptomoeda voltou a fazer parte dos meios de recebimento da instituição.

Companhias de vários setores já admitem o Bitcoin como forma de pagamento, como nos segmentos de entretenimento, moda, turismo, imobiliário, varejo, entre outros. E no próprio meio financeiro, bancos tradicionais, a exemplo de Itaú e Banco do Brasil, além de corretoras nacionais e fintech populares, como Nubank, já passaram a aceitar o Bitcoin.

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E o futuro? Bem, tudo depende da recuperação do mercado financeiro e das regulamentação das leis. Mas, como dá para notar, a adoção da criptomoeda, que há 13 anos não passava de uma aposta disruptiva, parece estrar no caminho certo para se consolidar como uma ampla opção de pagamentos e investimento.