Android TV x Google TV: quais as diferenças entre os dois sistemas?

Android TV x Google TV: quais as diferenças entre os dois sistemas?

Por Alveni Lisboa | Editado por Douglas Ciriaco | 29 de Agosto de 2021 às 17h00
Alveni Lisboa/Canaltech

Com a explosão das smart TVs, o mercado de entretenimento subiu de patamar, afinal os apps que antes eram restritos à telinha dos celulares agora podem rodar em proporções muito maiores. Se antes era preciso ligar um cabo no PC para transferir imagens para os televisores, depois os computadores se tornaram completamente obsoletos para esse propósito.

Foi nesse contexto que as gigantes da tecnologia imaginaram a criação de softwares capazes de emular um sistema operacional em televisores, mesmo sabendo que eles não continham processadores, placas de vídeo ou memória RAM. Com os serviços de streaming dando seus primeiros passos, o movimento de criar aplicações voltadas para a TV era algo inadiável.

Tem diferença entre o Android TV e o Google TV? (Imagem: Reprodução/Envato)

O Google foi o pioneiro mais bem-sucedido ao adaptar o código do Android para a plataforma televisiva. Foi assim que surgiu o Android TV, o popular sistema operacional que roda em praticamente qualquer dispositivo focado no entretenimento, mas a empresa também apresentou posteriormente outro sistema, o Google TV. Entenda agora as diferenças entre Google TV e Android TV.

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Android direto na televisão

O Android TV é um sistema operacional baseado no Android, desenvolvido pelo Google especificamente para televisores inteligentes, reprodutores de mídia digital, set-top boxes e soundbars.

Lançado em 2014, ele surgiu para entregar às fabricantes uma solução gratuita e eficaz para rodar aplicações nas então emergentes smart TVs. Desde então a biblioteca de softwares cresceu muito e hoje há uma variedade imensa disponível gratuitamente, principalmente serviços de streaming de mídia.

O Android TV é compatível com apps da Play Store (Imagem: Reprodução/9to5Google)

Um dos diferenciais é a interface simples, leve e bastante rápida para a entrega de mais fluidez nos televisores, mesmo naqueles com menos recursos de hardware. Além disso, o Android TV conta com total integração com o Google Assistente para propiciar pesquisa por voz, atividades inteligentes, integração com celulares e recursos úteis para o cotidiano, como controlar sua casa.

Assim como o irmão mais velho nos celulares, esse software é construído sobre uma plataforma de código aberto e permite que desenvolvedores trabalhem sobre ele para efetuar melhorias. Isso abriu muitas possibilidades, inclusive para os piratas, que usam o sistema para rodar em set-up boxes voltadas para difusão de canais via internet (IPTV).

Televisores da TCL e da Sony, por exemplo, costumam vir com o Android TV instalado de fábrica, mas, como mencionado acima, são as pequenas "caixinhas de mídia" onde o sistema operacional reina. Alguns provedores de TV por assinatura regulares de IPTV oferecem esses aparelhos já com a plataforma do Google embarcada, o que garante imensa compatibilidade com apps da Play Store e a possibilidade de instalar aplicações de modo externo, via pendrive ou direto da internet.

E o Google TV?

Aqui a coisa é um pouco mais complicada porque a criadora do Android fez uma bagunça imensa com a nomenclatura, o que causa confusão até hoje. Isso porque este já foi o nome de um produto e, hoje, é o nome de uma interface.

No início, em 2010, a Google TV era um projeto de televisor inteligente criado pela companhia em parceria com Intel, Sony e Logitech. A TV rodava uma versão do Android, que ainda não era a Android TV, e a versão Linux do navegador Google Chrome para oferecer uma experiência de acesso à internet do próprio aparelho.

A TV do Google foi um projeto que fracassou (Imagem: Reprodução/Google)

A segunda versão do aparelho teve apoio da LG, Samsung e Vizio, trazendo consigo suporte a tecnologia 3D com óculos e melhor processamento. Uma das vantagens era suporte a teclados e integração com os smartphones, o que permitia uma navegação aprimorada. Apesar do relativo impacto na indústria, a TV ficou longe de ser um sucesso comercial, principalmente por causa do elevado preço na época, e o projeto foi descontinuado.

De TV para sistema operacional

Os anos passaram e agora, em 2021, o Google voltou com o nome do passado, porém com um propósito diferente. O Google TV é um sistema operacional por si só, criado para ser o sucessor espiritual do Android TV.

O foco do Google TV é centralizar várias plataformas de entretenimento, de modo mais restrito que a antecessora, porém com muito mais eficácia e desempenho. Embora tenha menos programas compatíveis, a interface lembra outros sistemas já conhecidos dos proprietários de televisores inteligentes, como o Tizen (Samsung) e o WebOS (LG).

Os televisores novos da TCL virão com o Google TV (Imagem: Reprodução/TheVerge)

Embora seja jovem, o sistema operacional já tem compatibilidade com praticamente todos os principais serviços de streaming do momento, como Netflix, Amazon Prime Video, Disney +, HBO Max, Peacock e até Apple TV.

Ele também repete a integração com o Google Assistente e aprimora os comandos: é possível procurar por conteúdos dentro de aplicativos e serviços, além de programar horários e gravações, por exemplo. A integração com o Google Fotos possibilita exibir as imagens sincronizadas com o app e fazer um slideshow direto na TV.

O Google TV atualmente funciona como uma camada sobre o Android TV e vem embarcado nos novos Chromecasts, em algumas marcas de televisores e funciona também como um aplicativo de celular para Android.

Google TV + Android TV

A ideia do Google é manter ambos os sistemas ativos, sendo o Google TV criado e mantido pela gigante de Mountain View, enquanto o Android TV deve ser trabalhado por desenvolvedores independentes e empresas interessadas. Independentemente da escolha, o fato é que ambos cumprem o seu papel de oferecer recursos extras para televisores.

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