Huawei lança plano para se livrar da dependência de companhias estrangeiras

Por Rubens Eishima | 06 de Agosto de 2020 às 07h30
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Após mais de um ano sob boicote do governo dos Estados Unidos, a Huawei se encontra cada vez mais encurralada devido ao uso de tecnologias norte-americanas. Mas como reação às sanções, a imprensa chinesa revelou que a fabricante já tem um plano completo para acabar com essa dependência, e ele tem até nome: “Nanniwan”.

O termo faz referência a uma região onde surgiu um movimento do partido comunista local contra o domínio japonês na China, durante a Segunda Guerra Mundial. O local foi imortalizado em uma música patriótica popularizada pelo partido que comanda o país asiático desde 1949.

Assim como aconteceu na década de 1940, o novo Nanniwan procura eliminar a presença do “invasor” estrangeiro, mas desta vez o alvo é o governo de Donald Trump. Segundo a imprensa chinesa, o objetivo é alcançar a autossuficiência tecnológica, sem depender de software, componentes ou empresas estrangeiras.

Curiosamente, o plano teria começado com as unidades de notebooks e televisores da Huawei — no caso dos notebooks, resta saber como a empresa deixará de usar CPUs e GPUS AMD, Intel ou Nvidia.

Longo prazo

Outras iniciativas já noticiadas podem ser agrupadas com o projeto, incluindo a criação de um novo sistema operacional, o HarmonyOS. Em estágio mais avançado está o ecossistema Huawei Mobile Services (HMS), que visa oferecer alternativas às ferramentas do Google no sistema Android, cujo uso foi proibido pelas sanções norte-americanas.

HMS tenta compensar a ausência de apps como YouTube, Google Maps, Google Drive, Chrome e Play Store (imagem: Huawei)

Na parte de hardware, após ser proibida de produzir seus processadores HiSilicon com a taiwanesa TSMC, a Huawei tem buscado alternativas em outros países, inclusive com a chinesa SMIC. Neste caso, eliminar a dependência externa será um desafio complicado de concretizar, já que a empresa licencia o uso dos núcleos ARM Cortex e Mali para suas CPUs Kirin.

Já a divisão de infraestrutura de telecomunicações parece mais avançada no plano, com a produção de estações-base sem componentes norte-americanos. O componente é usado nas antenas das operadoras, como as em avaliação para uso no 5G no Brasil.

Fonte: GlobalTimes

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