Huawei já está produzindo estações 5G sem componentes americanos

Por Felipe Demartini | 26 de Setembro de 2019 às 14h25
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Em mais uma demonstração de que não foi plenamente atingida pelo banimento que sofre nos Estados Unidos, a Huawei já está realizando testes com estações-base do 5G sem componentes americanos. Quem confirmou a informação foi Ren Zhengfei, CEO da companhia, que anunciou os planos de fabricar cinco mil unidades do item de infraestrutura a partir de outubro.

E esse é apenas o começo, já que, segundo ele, a ideia é atingir um ritmo de 1,5 milhões de estações-base fabricadas mensalmente ao final de 2020. O fluxo deve atender à demanda do 5G em países, principalmente, da Europa e da Ásia, mantendo os planos da Huawei nesse segmento quase inalterados, apesar da proibição em solo americano e, também, da pressão do governo de Donald Trump para que outros países também apliquem as mesmas medidas contra a empresa.

A Noruega é o mais novo país a firmar com a Huawei o compromisso para instalação da rede 5G. O governo da nação disse não ter encontrado indícios de que o uso de equipamentos da fabricante chinesa representaria riscos à segurança nacional e, por isso, não cedeu aos pedidos dos EUA para que um banimento fosse feito também por lá. Outros países como França, Alemanha e Reino Unido também estão investigando a questão e se mostram favoráveis à liberação.

Atendendo ao banimento ainda imposto nos Estados Unidos, as estações-base de 5G da Huawei chegam sem nenhum componente ou tecnologia oriunda de companhias americanas. No passado, Ren já havia dito que isso não afetaria os planos, e agora, ao anunciar que eles efetivamente estão a pleno vapor, não citou quem são os novos parceiros comerciais e de inovação desta nova fase.

Não se sabe, também, se a iniciativa tem a ver com os planos de ocidentalização da Huawei, com o próprio Ren, no início do mês, afirmando que a empresa estaria pensando em uma joint venture com uma empresa deste lado do mundo, de forma a minar qualquer tentativa de acusação de espionagem. A ideia é que o parceiro majoritário seria capaz de utilizar tecnologias, patentes e outros recursos da chinesa, alterando como quiser o código-fonte e seus elementos de forma a dar garantias adicionais de segurança a países e empresas ainda preocupadas com as acusações de Trump.

Enquanto isso, o governo dos Estados Unidos continua em sua guerra de bravatas, enquanto tenta chegar a um acordo comercial com a China que pode envolver também a Huawei. O governo americano alerta aos países parceiros que comunicações diplomáticas e comerciais podem ser prejudicadas nos países que contarem com infraestrutura da companhia chinesa justamente devido aos supostos riscos à segurança nacional.

A mesma iniciativa de evitar o uso de componentes americanos pela Huawei também apareceu recentemente no anúncio dos smartphones da linha Mate 30. Os dispositivos chegam rodando o sistema operacional Android, mas sem os serviços e aplicativos da Google pré-instalados, como normalmente acontece com celulares dessa categoria.

Fonte: CNET

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