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Solidão acelera envelhecimento biológico e traz problemas de saúde

Por| Editado por Luciana Zaramela | 17 de Abril de 2024 às 18h32

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PublicDomainPictures/Pixabay
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Cada vez mais pesquisas têm mostrado os efeitos nocivos da solidão na saúde, especialmente na terceira idade. Mais recentemente, a Mayo Clinic estudou o tema a fundo e descobriu que o isolamento está associado à aceleração do envelhecimento biológico e um aumento no risco de morte prematura.

Para chegar a essa conclusão, foram analisados dados de 280 mil adultos estadunidenses atendidos em ambulatórios do país entre junho de 2019 e março de 2022. Todos responderam questionários sobre diversos determinantes sociais da saúde, indo de condição econômica a fatores culturais, todos importantes para o surgimento e piora de doenças.

Com a ajuda de uma inteligência artificial, foi determinada, então, a idade biológica de cada paciente com base em eletrocardiogramas. Seis perguntas do questionário ainda foram usadas para elaborar o chamado Índice de Rede Social, indicador de grau de isolamento social que vai de 0 a 4.

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Solidão e a idade biológica

Comparando o grau de isolamento de cada voluntário com seus eletrocardiogramas, notou-se que indivíduos mais isolados tinham uma maior diferença entre sua idade cronológica e idade biológica, independente de gênero e idade. Os mais solitários também tiveram um maior grau de mortalidade nos dois anos de acompanhamento feitos para o estudo.

Segundo os cientistas, os dois aspectos mais importantes para explicar essa relação são a inflamação sistêmica e o sistema endócrino do corpo. A solidão aumenta o nível de cortisol no corpo — apesar de ser importante para o ciclo circadiano, nos fazendo acordar, esse hormônio é prejudicial ao corpo quando em excesso.

Genes que causam inflamação também são ativados por conta do isolamento social, que aumenta o estresse oxidativo nos tecidos vasculares. Por fim, a solidão aumenta a probabilidade de comportamentos de risco, como alcoolismo, tabagismo, dietas pouco saudáveis e sedentarismo, bem como baixa adesão à medicação.

Como lidar com o isolamento social

Para saber mais sobre os efeitos do cortisol no corpo e como lidar melhor com a questão do isolamento, especialmente na terceira idade, o Canaltech conversou com Natan Chehter, clínico geral e geriatra membro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia e do Hospital Estadual Mário Covas.

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Segundo Chehter, o cortisol é o hormônio do estresse, produzido em momentos de luta e fuga. Ele já foi responsável pela nossa sobrevivência nos tempos antigos — ao aumentar a frequência cardíaca e a pressão sanguínea, ele deixa o corpo pronto para responder rapidamente a ameaças.

No mundo moderno, no entanto, temos muitos estressores, e, assim, hormônio demais acaba sendo secretado. Um desses estressores é o isolamento social.

A boa notícia é que, assim como a idade biológica pode ficar além da idade cronológica por conta do estresse, uma vida saudável também pode reduzir a idade biológica, e uma pessoa idosa pode ter a saúde condizente à de alguém muito mais jovem. 

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Para socializar melhor, especialmente na terceira idade, há muitos fatores a considerar, segundo o geriatra — precisamos saber sobre os interesses do paciente e se ele está aberto a desenvolver novos; se há suporte familiar razoável ou não, ou se a dependência fica por conta de amigos ou terceiros ou apenas de si mesmo; se o indivíduo frequenta algum clube, etc.

Todos esses fatores influenciam na abordagem para combater a solidão. Caso familiares consigam morar com o indivíduo ou mais próximos a ele, isso pode ser o bastante — amigos podem fazer o mesmo, ou a pessoa pode procurar novos interesses, o que faz com que se aproxime de quem compartilha deles.

Em último caso, convém consultar um médico, como psicólogo ou psiquiatra, para fazer um diagnóstico do porquê há uma dificuldade de socialização: às vezes, o problema é patológico, mas pode ser apenas social.

Fonte: Journal of the American College of Cardiology