Giro da Saúde: coquetel da covid; hipóxia silenciosa; sentimento meio "meh"

Por Luciana Zaramela | 25 de Abril de 2021 às 08h00

Bebida alcoólica interfere ou não na vacina contra COVID-19? Você sabe por que muita gente está se sentindo meio "meh" nessa pandemia? E imaginaria que nosso DNA já contém genes para lutar contra o coronavírus? Essas e outras questões foram destaques na última semana, e você confere tudo agora, aqui no Giro da Saúde.

Afinal, bebida alcoólica interfere na vacina da COVID-19 ou não?

Bebida alcoólica e vacina da COVID: interfere ou não? (Kelsey Chance/Unsplash)

Afinal de contas, tomar umas biritas no mesmo dia da vacina altera ou não o efeito da imunização contra COVID-19? De acordo com a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a afirmação de que o álcool interage com o imunizante não passa de mito.

A ideia de que bebida alcoólica atrapalha a farmacocinética do imunizante caiu por terra, mesmo após ter circulado entre as pessoas que o consumo pode afetar o efeito da vacina e ainda provocar reações indesejadas. Além do boca a boca, houve até vídeo nas redes sociais que viralizou após uma enfermeira dizer ao paciente que ele teria que esperar 30 dias para voltar a tomar uma cerveja.

Em relação a isso, durante entrevista para O Globo, Mônica Levi, diretora da SBIm, afirmou que ainda há muito despreparo dos profissionais da saúde que estão nas salas de vacinação: "Infelizmente o Brasil não deu conta de fazer um bom treinamento dos profissionais, e cada um fala o que quer".

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Instituto Butantan (que produz a CoronaVac no Brasil) a Fiocruz (responsável pela Covishield no Brasil) e o Ministério da Saúde, não há razão para se preocupar em relação ao consumo de bebidas alcoólicas e a vacina contra a COVID-19. “Não há nenhuma evidência sobre a relação do álcool com o comprometimento da formação de anticorpos promovida pela vacina Covid-19”, disse o Ministério da Saúde, em nota.

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Israel está praticamente livre da COVID

Israel e o exemplo da vacinação em massa (user3802032/Freepik)

Boas notícias! De acordo com um estudo publicado na última segunda-feira (19) na Nature, foi comprovado que a vacinação em massa faz sim um grande efeito e é crucial para conter a propagação do novo coronavírus.

No cerne da pesquisa está Israel, que criou o programa de vacinação mais caro do mundo e conseguiu erradicar a COVID-19 do país até o momento. Por lá, a rotina praticamente já voltou ao que era antes da pandemia, com exceção do uso de máscaras em locais fechados, o que ainda é obrigatório. Todas as escolas e universidades já foram reabertas e as regras do uso de máscaras em ambientes externos está mais flexível.

Atualmente, Israel, em relação ao início do ano, mostra uma redução de 98% dos casos, uma queda de 93% de contaminados em situação crítica, além de 87% menos mortes registradas. No entanto, uma preocupação ainda aflige os profissionais de saúde e a população: o surgimento de variantes, que coloca em dúvida o espectro de proteção da vacina contra o causador da COVID-19.

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Você está se sentindo meio "meh" na pandemia? 

Nem tristeza, nem alegria; nem depressão, nem euforia. Por que tem tanta gente se sentindo "meh"? (Imagem: McKinsey/Rawpixel)

Mais de um ano de pandemia em curso e muita gente se vê em uma situação de inércia, quase no limite da depressão, mas sem estar de fato deprimido. Sem sintomas de doença mental, mas também bem longe de ser um exemplo de saúde mental. O que essas pessoas sentem em comum é algo como não estarem funcionando com capacidade total.

Esse sentimento de vazio foi batizado temporariamente de "languishing" nos Estados Unidos, termo que significa algo próximo de "definhamento". O languishing entorpece a motivação, atrapalha a capacidade de se concentrar e triplica as chances de reduzir o trabalho. Parece ser mais comum do que a depressão grave e, de certa forma, pode ser um fator de risco maior para doenças mentais.

No entanto, apesar de não parecer, o languishing pode se tornar um perigo. Enquanto está acontecendo, a pessoa não consegue ver o próprio sofrimento, e acaba não buscando ajuda, ou tomando qualquer providência para se ajudar. Para quem é da área da psicologia ou da psiquiatria, uma boa estratégia para controlar as emoções é definir um nome para elas. Ainda há muito que aprender sobre o que causa o languishing e como curá-lo, mas dar um nome pode ser um primeiro passo.

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Remédio usado contra asma pode ajudar na recuperação da COVID

Budesonida pode ser um aliado na luta contra o coronavírus (Imagem: Freepik)

Quem diria que o medicamento composto nas bombinhas para asma, o corticoide budesonida, seria um aliado na luta contra a COVID-19? Na verdade, faz total sentido.

Usado para o tratamento dos sintomas da asma e rinite alérgica, o fármaco pode encurtar o tempo de recuperação de pacientes com mais de 50 anos que sofrem com as consequências da infecção pelo coronavírus. Quem descobriu isso foi a iniciativa COVID-19 Rapid Response, conduzida pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, que busca soluções para intervenções da doença em idosos. A descoberta acende a esperança de quem espera tratar a doença ainda em seu estágio inicial, longe dos hospitais.

A pesquisa funcionou da seguinte maneira: 961 pacientes receberam a budesonida para a inalação em casa, em comparação com outros 1.819 pacientes que receberam o tratamento tradicional do serviço de saúde do Reino Unido. A estimativa de tempo médio de recuperação com o uso da budesonida inalada foi de 3,01 dias a menos em comparação com o tratamento comum. Além disso, 32% dos pacientes que inalaram o medicamento contra asma se recuperaram nos primeiros 14 dias, enquanto no outro grupo a proporção foi de 22%. Os participantes do estudo que estavam no grupo da budesonida também relataram ter sentido um maior bem-estar ao longo das duas semanas seguintes.

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Anvisa aprova uso emergencial de coquetel contra COVID

Injetável, o coquetel pode ser usado apenas em ambiente hospitalar (Imagem: Willfried Wende/Pixabay)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, na terça-feira passada (20), o uso emergencial do coquetel de anticorpos monoclonais da Roche, em parceria com a norte-americana Regeneron. O remédio, chamado REGN-COV2, foi desenvolvido para uso exclusivo em ambiente hospitalar, já que sua forma de administração é intravenosa. Ele é composto de duas drogas: casirivimabe e imdevimabe. O coquetel, aliás, já recebeu aprovação para uso emergencial em casos leves de COVID-19 nos Estados Unidos.

O REGN-COV2 pode ajudar os pacientes no Brasil, desde que tenham pelo menos um fator de risco para evolução de agravamento do quadro, como obesidade, diabetes ou idade avançada. Vale explicar que os anticorpos monoclonais são proteínas feitas em laboratório e que imitam a capacidade do sistema imunológico de combater patógenos nocivos, como o coronavírus.

Assim, “a ideia desse produto é que nesses pacientes se mimetize o que seria a resposta imune natural dos anticorpos produzidos em células e que essa produção extra-humana de anticorpos ajude a promover a ação imunológica”, explicou o gerente-geral de medicamentos e produtos biológicos da Anvisa, Gustavo Silva Santos. No coquetel, o casirivimabe e o imdevimabe agem, de forma direcionada, contra a proteína de pico (spike) do SARS-CoV-2, projetada para bloquear a adesão e a entrada do vírus em células humanas.

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Neuralink pode vender dados cerebrais de pacientes? 

Do cérebro para a web: já pensou se pensamentos começam a ser vendidos? (Imagem: Bret Kavanaugh/Unsplash)

Há poucos dias, a Neuralink, empresa de Elon Musk voltada à neurociência e uso de implantes cerebrais, publicou um vídeo no YouTube que mostrava um macaco conectado a eletrodos jogando videogame com a mente. Foi o bastante para acender a luz de alerta no painel de alguns especialistas, envolvendo ética a propriedade de dados com o uso de chips cerebrais em aplicações terapêuticas.

Susan Schneider, diretora do Center For the Future Mind, centro de inovação da Universidade Atlântica da Flórida, é uma crítica ferrenha do trabalho que Elon Musk vem fazendo no campo da "hibridização" de inteligências, que pretende unir a mente humana com a inteligência artificial. Para ela, esse objetivo é o mesmo que suicídio. "Sem regulamentações adequadas, os seus dados biométricos e pensamentos mais íntimos podem ser vendidos para o licitante mais poderoso", explica a especialista.

Tudo ainda é muito novo, mas os dados neurológicos já são protegidos por regulações como a HIPAA (Health Insurance Portability and Accountability Act) dos Estados Unidos. No entanto, isso não impede que empresas vendam informações cognitivas por meio de implantes neurais.

Apesar de parecer perfeitamente factível, a possibilidade de venda desse tipo de informação ainda é muito, muito remota, já que tais implantes ainda são experimentais.

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Nós temos genes capazes de lutar contra o coronavírus!

Nosso DNA revelou que sim, temos genes que acionam o combate ao coronavírus — mas ainda precisamos de mais estudos para entendê-los (Imagem: iLexx/Envato)

Pesquisadores do Sanford Burnham Prebys Medical Discovery, da Califórnia, anunciaram uma descoberta interessante sobre nosso sistema imune e a COVID-19. Eles identificaram um conjunto de genes humanos capazes de lutar contra a infecção do SARS-CoV-2 (o novo coronavírus). A novidade abre caminho para que estudiosos de todo o mundo consigam pesquisar, com mais dados e maior precisão, os fatores que provocam o agravamento da doença, além de descobrir opções de tratamento e cura, salvando mais vidas. Os genes em questão estão relacionados às proteínas interferon, que lutam contra o coronavírus.

"Alguns inibiram a habilidade do vírus de entrar nas células, outros suprimiram a fabricação do RNA, e um agrupamento de genes inibiu a montagem do vírus", conta o autor do estudo, Sumit K. Chanda, referindo-se aos genes estudados. "Mas ainda estamos procurando pelo 'calcanhar de Aquiles' para que possamos desenvolver antivirais otimizados", conclui.

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Cães farejadores podem detectar coronavírus na urina

Cachorros conseguem identificar coronavírus em amostras de urina humana (Imagem: Couleur/Pixabay)

Mais avanços da ciência chamara a atenção da mídia na última semana: pesquisadores estão testando a capacidade de cães farejadores para detectar a presença de coronavírus na urina humana. E de acordo com o estudo inicial, os caninos conseguem ter uma precisão de até 96%.

Liderada por Cynthia Otto, diretora do Centro de Trabalho para Cães da Escola de Medicina Veterinária da Universidade da Pensilvânia, a equipe de pesquisa primeiro colocou nove cães para reconhecer o cheiro de uma substância sintética conhecida como composto de detecção universal (UDC), que é um odor que não é encontrado naturalmente no ambiente. Eles recompensavam os cães sempre que reagiram a essa substância, que foi colocada em meio a várias outras nos testes.

Após concluir essa etapa, a segunda parte foi treinar os cachorros para reagir a amostras de urina colhidas de pacientes que testaram positivo para COVID-19. No treinamento, o vírus foi inativado com calor ou detergente para torná-lo inofensivo para os cães. Passadas três semanas de treinamento, todos os cachorros do estudo conseguiram identificar amostras positivas de coronavírus com 96% de precisão, em média.

A especificidade geral foi de 99%, o que significa que quase não houve falsos positivos, mas a sensibilidade geral foi de 68%, o que significa que havia alguns falsos negativos. Em estudos futuros, os pesquisadores esperam treinar os cães usando amostras diversas, ao invés de ficar insistindo repetidamente com amostras dos mesmos indivíduos. Dessa forma, é possível fazer com que os cachorros consigam detectar até mesmo se alguém foi vacinado.

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Casos de COVID disparam na Índia e país bate recorde mundial

Caos na Índia: país enfrenta colapso na saúde e hospitais têm filas de contaminados (Imagem: IciakPhotos/Envato)

A situação da Índia está crítica como nunca esteve em matéria de coronavírus. Por lá, a situação gera desespero, já que o país está sofrendo com a falta de oxigênio hospitalar, sobrecarga de hospitais e, agora, pela alta de casos novos da infecção.

O país registrou, na quinta-feira passada (22), mais de 314 mil casos de COVID-19 em apenas 24h. Foi o maior número de casos em um único dia relatados desde a descoberta do agente infeccioso, segundo New York Times. Foram contabilizadas, no mesmo período, 2,1 mil novas mortes em decorrência da doença.

Além de ter sido descoberta uma nova cepa do coronavírus na Índia, ainda vale mencionar as filas do lado de fora de alguns hospitais, onde pessoas infectadas aguardam atendimento. Também há registros de falta de oxigênio para atender o número de doentes entubados em decorrência da infecção por coronavírus. Diante do colapso, o país agora busca formas de ampliar a produção do suprimento para atender a demanda. Populosa, a Índia conta com mais de 1,3 bilhão de habitantes.

Saiba mais sobre a situação da Índia e sua posição no ranking mundial da COVID-19

Hipóxia silenciosa, uma condição alarmante para pacientes com coronavírus

Após contrair COVID, muita gente pode apresentar queda na saturação de oxigênio e nem sentir (Imagem: rottonara/Pixabay)

Você já ouviu falar em hipóxia silenciosa? Trata-se de uma condição que ocorre quando os níveis de oxigênio no corpo estão anormalmente baixos, no entanto, o paciente nem sempre tem falta de ar. Se não for identificada, pode colocar em risco a integridade de órgãos vitais, como os pulmões.

O que as equipes médicas que investigam a COVID podiam observar até agora era que a infecção causada pelo novo coronavírus, primeiro, danificava os pulmões e os impedia de funcionar de forma adequada. Posteriormente, esses tecidos perdiam oxigênio e paravam de funcionar, impedindo a entrada de oxigênio sanguínea e causando hipóxia.

Um grupo de pesquisadores norte-americanos das universidades de Boston e de Vermont usou modelos computacionais e dados de pacientes internados em decorrência da COVID-19 para investigar a condição silenciosa. Em artigo publicado na Nature Communications, os autores do estudo apontam a interferência de alguns fatores, como o elevado fluxo sanguíneo em tecidos do pulmão e a formação de pequenos coágulos. Isso poderia causar, em efeito cascata, uma diminuição da saturação de oxigênio em todo o organismo, ao mesmo tempo em que os coágulos pulmonares podem afetar o fluxo sanguíneo no órgão e comprometer a distribuição de oxigênio para o organismo, de forma silenciosa.

Quer saber mais sobre hipóxia silenciosa? Acesse o conteúdo no CT!

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