Mais de 16 mil pessoas tomaram doses trocadas de vacina contra COVID, diz jornal

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 23 de Abril de 2021 às 16h10
microgen/Envato

Na vacinação brasileira contra o novo coronavírus (SARS-CoV-2), pelo menos 16,5 mil pessoas não receberam as duas doses da mesma vacina, de acordo com informação levantada pelo jornal Folha de S. Paulo. Estas pessoas teriam recebido a primeira dose da CoronaVac e a segunda dose da Covishield (Oxford/AstraZeneca) ou vice-versa. Os dados foram obtidos a partir do sistema de informações do Ministério da Saúde, o Datasus.

De acordo com o levantamento, cerca de 14,7 mil imunizados receberam primeiro a Covishield e, na hora da segunda dose, receberam uma aplicação da CoronaVac. Agora, a troca de imunizantes foi bem menor por quem iniciou o processo com a CoronaVac. Neste grupo, foram calculados apenas 1,7 mil pessoas. Quase todos os estados registraram misturas de doses, exceto o Acre e o Rio Grande do norte. 

Mais de 16 mil casos de mistura de vacinas contra a COVID-19 são relatados no Brasil (Imagem: Reprodução/Twenty20photos/Envato Elements)

Os dados sobre as trocas de vacinas contra a COVID-19 apontam que 7 em cada 10 trocas de fabricantes dos imunizantes ocorreram em profissionais de saúde. Vale destacar que este rastreamento é possível, porque cada imunizado ganha um registro no Datasus através de um código de identificação. Com esse identificador, é possível acessar informações sobre cada dose recebida, como o fabricante e o número do lote.

É eficaz misturar as doses da vacina CoronaVac com a Covishield?

De acordo com o protocolo nacional de imunização do Ministério da Saúde, as pessoas dos grupos prioritários, quando chamadas para a imunização, devem receber a vacina disponível no posto no dia da vacinação, ou seja, não há possibilidade de escolha. Agora, na segunda dose, a determinação é que o mesmo fabricante seja mantido. Isso significa que quem recebeu a CoronaVac deve, obrigatoriamente, receber uma segunda dose do mesmo imunizante.

Inclusive, não há nenhum estudo científico demonstrando a eficácia e a segurança da aplicação conjunta da CoronaVac com a Covishield, como ocorreu com os mais de 16 mil brasileiros. "Quem tomou uma dose de um fabricante e outra dose de outro não tomou nenhuma dose completa da vacina", afirmou a imunologista Cristina Bonorino, professora titular da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e membro dos comitês científico e clínico da Sociedade Brasileira de Imunologia, para a Folha. Agora, a Saúde deve se pronunciar sobre o protocolo a ser adotado para estas pessoas. 

Além das trocas entre as vacinas contra a COVID-19, também foram notificados enganos entre a vacina da influenza e a do coronavírus. Desde o início da campanha de vacinação contra a gripe neste mês no estado de São Paulo, pelo menos dois casos de troca de vacinas chamaram a atenção. Um foi relatado em Diadema, no ABC Paulista, e outro na cidade de Itirapina, no interior de São Paulo. Após os casos, o Instituto Butantan lançou imagens informativas nas redes sociais para distinguir os imunizantes.

Fonte: Folha de S. Paulo  

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