BV-1: nova variante do coronavírus é descoberta nos Estados Unidos

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 23 de Abril de 2021 às 17h45
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Nos Estados Unidos, um grupo de pesquisadores da Texas A&M University descobriram uma nova variante do coronavírus SARS-CoV-2. Descoberta no estado do Texas, a cepa foi provisoriamente chamada de BV-1 e, em análises preliminares, foi verificada uma maior resistência contra os anticorpos.

De acordo com os pesquisadores, a variante BV-1 foi encontrada durante um exame de suspeita da infecção por coronavírus em um jovem. O paciente apresentava sintomas leves, quando a amostra de saliva foi coletada. Sobre o caso, no dia 5 de março, o jovem testou positivo para a COVID-19 pela primeira vez e o mesmo diagnóstico foi obtido no dia 25 do mesmo mês. Somente no dia 9 de abril, o teste deu negativo para infecção. Por isso, o grupo suspeita da possibilidade da cepa causar infecções mais longas.

Nova variante do coronavírus é descoberta no estado do Texas, nos EUA (Imagem: Reprodução/Ktsimage/Envato Elements)

A principal suspeita é de que a nova variante descenda da que foi identificada pela primeira vez no Reino Unido, a B.1.1.7, somada a algumas mutações. Neste momento, a cepa britânica predomina entre as novas infecções nos Estados Unidos, o que colabora com a suspeita quanto a origem.

Após a descoberta, os cientistas enviaram todos os detalhes sobre a BV-1 para os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA, alertando sobre o risco da variante registrada, até o momento, em um único paciente. No entanto, há chances desta cepa já ter se espalhado pelo estado, já que não são todos os doentes que passam pela testagem genômica do coronavírus.

Nova variante do coronavírus dos EUA é mais resistente?

“No momento, não sabemos todos os efeitos dessa variante, mas ela traz uma combinação de mutações semelhante a outras variantes de preocupação [VOCs] notificadas ​​internacionalmente”, explicou o virologista-chefe da Texas A&M, Ben Neuman, para o canal de TV CNBC. “Esta variante combina marcadores genéticos separadamente associados com disseminação rápida, doença mais grave e alta resistência a anticorpos neutralizantes”, afirmou.

Outras variantes do coronavírus com mutações similares à da BV-1 já demonstraram que os anticorpos neutralizantes, parte fundamental do sistema imunológico, não obtiveram tanto sucesso no combate, pelo menos em laboratório. No entanto, Neuman destaca que testes específicos ainda não foram realizados com esta cepa. “Não cultivamos ou testamos esse vírus de forma alguma. Este anúncio é baseado puramente na análise da sequência genética feita em outros laboratórios", pontua.

Por mais que os efeitos da nova variante ainda sejam desconhecidos, a descoberta “destaca a importância da vigilância rigorosa das mutações e os testes genômicos”, especialmente entre adultos jovens que são assintomáticos ou apresentam sintomas leves, defende o pesquisador.

Fonte: CNBC  

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