Exynos 2200 vs Snapdragon 8 Gen 1: conheça os processadores do Galaxy S22

Exynos 2200 vs Snapdragon 8 Gen 1: conheça os processadores do Galaxy S22

Por Renan da Silva Dores | Editado por Wallace Moté | 29 de Janeiro de 2022 às 13h00
Renan da Silva Dores/Montagem Canaltech

Com o lançamento da família Galaxy S22 em fevereiro, é dada a largada pela competição dos principais chipsets concorrentes do mundo Android, com destaque para as soluções de Qualcomm e Samsung: o Snapdragon 8 Gen 1 e o Exynos 2200. As rivais de longa data trazem promessas ambiciosas neste ano, com foco especial em games e no papel da Inteligência Artificial em diferentes tarefas do cotidiano.

Apesar de ambos serem fabricados pela Samsung e compartilharem um bom número de semelhanças, como a configuração da CPU e o processo de fabricação, cada um deles possui particularidades que os fazem se destacar em pontos específicos e, mais importante, que devem definir o processador mais equilibrado de 2022.

Configuração de processamento é semelhante

A CPU é um dos aspectos de maior semelhança entre os componentes, salvas pequenos pontos de divergência. Ambos são fabricados pela Samsung utilizando a litografia 4LPE de 4 nm da empresa, e baseados na nova arquitetura ARMv9, focada na eficiência, escalabilidade para diferentes segmentos e segurança dos dados, combinando núcleos Cortex-X2 de máxima performance, Cortex-A710 de alto desempenho e Cortex-A510 de baixo consumo.

O Snapdragon 8 Gen 1 opera em uma configuração de 1 + 3 + 4, sendo 1 Cortex-X2 rodando a 3,0 GHz, 3 Cortex-A710 a 2,5 GHz e 4 Cortex-A510 a 1,8 GHz, junto a 6 MB de cache L3 e 4 MB de cache do sistema. Enquanto isso, o Exynos 2200 embarca a mesma configuração de 1 + 3 + 4, com 1 Cortex-X2, 3 Cortex-A710 e 4 Cortex-A510, mas sem detalhes sobre frequências de operação e cache até o momento.

Primeiro chip de 4 nm da Qualcomm, o Snapdragon 8 Gen 1 também estreia a nova arquitetura ARMv9 (Imagem: Divulgação/Qualcomm)

Apesar disso, vazamentos recentes indicam que o chip da Samsung deve trazer clocks de 2,8 GHz no Cortex-X2, 2,5 GHz no conjunto de Cortex-A710 e 1,7 GHz no grupo de Cortex-A510. As velocidades reduzidas podem ser as responsáveis pelos números ligeiramente mais baixos em testes vazados, e podem ou não resultar em temperaturas mais baixas, dependendo das otimizações feitas pela companhia.

Lançado primeiro, o Snapdragon 8 Gen 1 já foi testado em uma variedade razoável de smartphones e, em se tratando de CPU, entrega resultados decepcionantes. Além de esquentar bastante e consumir muita energia, especialmente em comparação aos rivais da Apple, a plataforma da Qualcomm praticamente não traz evolução em CPU frente ao antecessor, o Snapdragon 888.

Avaliado no Geekbench 5, tradicional benchmark que analisa a performance de CPU dos chipsets mobile, o processador entrega, em média, 1.231 pontos em single-core e 3.752 pontos em multi-core. Em comparação, o Snapdragon 888 atinge os 1.125 pontos com um único núcleo, e os 3.525 pontos com todos os núcleos, diferenças de apenas 9% e 6%, respectivamente.

Também fabricado em 4 nm, o Exynos 2200 traz CPU semelhante ao rival Snapdragon, mas com clocks mais baixos (Imagem: Samsung/YouTube)

Como ainda não foi equipado em um smartphone à venda, não é possível saber os níveis de consumo e temperatura do Exynos 2200, mas os resultados vazados sugerem um cenário muito semelhante ao do Snapdragon, com performance ligeiramente inferior: o componente parece marcar 1.109 pontos em single-core e 3.534 pontos em multi-core no Geekbench 5.

Especula-se que uma das maiores culpadas pelos resultados nada empolgantes seja a litografia de 4 nm da Samsung, ponto reforçado por comparações dos chips de Qualcomm e Samsung com o Dimensity 9000 da MediaTek, cuja CPU tem as mesmas configurações, mas utiliza o processo de fabricação de 4 nm da TSMC, chegando a consumir 30% menos energia enquanto oferece 17% mais desempenho.

De acordo com os rumores, essa diferença pode ter motivado a Qualcomm a voltar a trabalhar com a TSMC em uma versão revisada do Snapdragon 8 Gen 1, conhecida no momento por "Snapdragon 8 Gen 1 Plus". Dito isso, nada foi confirmado até o momento.

Adreno 730 vs Xclipse 920: potência e recursos

A GPU segue caminho oposto da CPU ao ser um dos pontos em que os chips de Qualcomm e Samsung mais se diferenciam, sendo ainda um dos maiores destaques de cada um dos chips. O Snapdragon 8 Gen 1 é equipado com a nova Adreno 730, cujos detalhes técnicos ainda são escassos, apesar de se saber a velocidade de operação e as novidades inclusas.

A solução trabalha a 800 MHz e traz a 4ª geração da suíte de recursos Snapdragon Elite Gaming, incluindo assim funcionalidades que prometem entregar uma experiência significativamente mais avançada em gameplay.

Entre elas, são destaques o suporte a renderização volumétrica, dando maior profundidade a elementos como névoa e raios de luz, e o Variable Rate Shading Pro (VRS Pro), que permite aos desenvolvedores reduzirem dinamicamente o nível de detalhes de objetos menos importantes da cena para aumentar o desempenho. Também vale a menção ao Adreno Frame Motion Engine, tecnologia que promete dobrar a taxa de quadros ao utilizar IA, mantendo o nível de consumo.

Durante o anúncio, a Qualcomm prometeu saltos de 30% de desempenho utilizando a API gráfica OpenGL, e impressionantes 60% ao operar com Vulkan, números que se comprovaram em testes realizados com o GFXBench.

Do lado da Samsung, nos teasers que divulgou mais de um ano antes do lançamento, a empresa deixou claro que o chip gráfico seria a maior inovação empregada no Exynos 2200 — a solução é a primeira desenvolvida em parceria com a AMD, empregando a aclamada microarquitetura RDNA 2 presente no PS5, Xbox Series X|S e placas de vídeo Radeon RX 6000.

A mudança drástica e as ambições da gigante sul-coreana já começam pelo nome da GPU, Xclipse 920. Durante o anúncio, a gigante explicou se tratar de uma combinação do "X" de Exynos com eclipse, pois o componente "simbolizaria o fim de uma era dos jogos mobile" para o início de "um novo capítulo empolgante".

Por utilizar a arquitetura RDNA 2, a solução promete trazer aos celulares tecnologias até então exclusivas de PCs e consoles, com destaque para Ray Tracing e VRS. A primeira utiliza milhões de raios emitidos da câmera do jogador para mapear o cenário e replicar o comportamento da luz de forma realista, enquanto a segunda opera de maneira similar ao VRS Pro do Snapdragon.

A Samsung não divulgou as especificações oficiais da Xclipse 920, mas testes vazados sugerem que a GPU da empresa será equipada com 3 Unidades Computacionais (CUs), para um total de 192 núcleos e 3 Ray Accelerators, responsáveis pelos cálculos para Ray Tracing, clocks supostamente estabelecidos na casa dos 555 MHz e 4 GB de memória RAM alocada do sistema.

Os mesmos testes mostram resultados mistos: enquanto computação parece ser o forte do chip, abrindo enorme vantagem de até 51% sobre a Adreno 730 utilizando a API Vulkan, o processamento gráfico propriamente dito parece ser mais limitado. No GFXBench, os números indicam que a Xclipse atingiu 109 FPS, 31% menos desempenho que a rival do Snapdragon, que marcou 145 FPS.

Inteligência Artificial é foco da geração

No papel, as Unidades de Processamento Neural (NPUs) dos novos chips são bastante similares, suportando instruções em INT6, INT8, processamento misto com ambas, além de FP16, novidade no Exynos que finalmente o coloca no mesmo patamar da linha Snapdragon.

Novamente, a Samsung ainda não divulgou muitos detalhes sobre as capacidades no departamento de IA, ainda que prometa que este será um dos focos da plataforma, com duas vezes mais performance que a NPU do Exynos 2100. Enquanto isso, a Qualcomm promete desempenho 4 vezes superior frente à NPU do Snapdragon 888, tendo como destaques três novidades de peso.

A primeira é o processamento de linguagem natural Hugging Face, que avalia em tempo real as notificações e prioriza as mais importantes, tentando agrupá-las de maneira inteligente. A segunda é a colaboração com a startup de tecnologia de saúde Sonde Health, que integra à plataforma da Qualcomm reconhecimento de voz para detecção de problemas de saúde.

Prometendo potência 4 vezes maior, a engine de IA do Snapdragon 8 Gen 1 traz novidades como reconhecimento facial contínuo, filtros da Leica e tecnologias do Google Cloud (Imagem: Qualcomm)

Amplamente treinada, a função consegue identificar condições como asma, depressão e até mesmo covid-19 apenas analisando o padrão vocal do usuário. A última delas é a 3ª geração do Qualcomm Sensing Hub, responsável por manter o processamento de IA sempre ativo, acompanhando atividades físicas automaticamente e se comunicando com o ISP Spectra para o reconhecimento facial contínuo, consumindo 70% menos energia que a geração anterior.

Outros destaques incluem ainda adição nativa de filtros da Leica, que replica a estética de famosas lentes da fabricante de câmeras, e a implementação da chamada Vertex AI Neural Architecture Search (NAS), tecnologia do Google Cloud que agiliza o treinamento de modelos de IA personalizados ao reduzir a quantidade de linhas de código necessárias em até 80%

Câmeras de 200 MP e tela 4K de até 120 Hz

Nas câmeras, temos especificações bastante robustas para ambos os lados. O Processador de Sinal de Imagem (ISP) Spectra da Qualcomm chegou prometendo processar mais de 4.000 vezes mais dados que os antecessores, permitindo assim capturas RAW com 18-bit de profundidade de informações, feito inédito em smartphones.

A solução é compatível com câmeras de até 200 MP, e comporta capturas instantâneas em sensores de 108 MP, com taxa de quadros de 30 FPS. O processamento de HDR também foi turbinado, possibilitando o registro de até 4 stops de alcance dinâmico, e há poder suficiente para realizar capturas em 8K com HDR10+ a 30 FPS.

O novo Spectra traz mecanismos dedicados para correções de artefatos como aberração cromática e distorções em lentes ultrawide, além de contar com uma engine para aplicar o efeito bokeh em gravações, em tempo real. Fecha o pacote inúmeras otimizações de Inteligência Artificial, que promete melhorias de até 5 vezes no modo noturno, reconhecimento facial mais veloz, além de aprimoramentos em foco, detecção de face e exposição automáticos.

O Snapdragon 8 Gen 1 traz vasta quantidade de recursos de câmera, incluindo gravações em 8K HDR, capturas em RAW de 18-bit, correções de ultrawide com IA e mais (Imagem: Qualcomm)

O ISP do Exynos 2200 teve um número menor de recursos anunciados, mas promete ser bastante competitivo no departamento se considerarmos o que já foi revelado. Assim como a solução da Qualcomm, o componente da Samsung suportará sensores de até 200 MP, além de captura instantânea em câmeras de 108 MP, com taxa de quadros de 30 FPS.

Das poucas informações divulgadas pela Samsung, sabe-se que o Exynos também suporta gravações em até 8K a 30 FPS com ampla profundidade de cor, de 10-bit, mas não há menção a HDR ou outros recursos dedicados a gravações.

Apesar disso, o Exynos assume a liderança em reprodução de mídia, comportando vídeos em até 8K a 60 FPS e trazendo codec AV1, já bastante utilizado por plataformas de streaming. Ausente no Snapdragon, a solução deve se popularizar ainda mais nos próximos por oferecer maior qualidade e eficiência, além de contar com código aberto, não exigindo o pagamento de royalties.

O Exynos 2200 suporta câmeras de até 200 MP e gravação de vídeos em 8K a 30 FPS em 10-bit (Imagem: Reprodução/Samsung)

Outro ponto em que a plataforma da gigante sul-coreana se destaca é a tela, ao suportar painéis Quad HD+ com taxa de atualiização de 144 Hz, ou 4K com taxa de 120 Hz. O chip da Qualcomm também é compatível com displays Quad HD+ a 144 Hz, mas se limita ao 4K com taxa de atualização de apenas 60 Hz.

Isso não significa que não veremos smartphones Snapdragon com tela 4K de 120 Hz — prova disso é o Xperia 1 III da Sony, que é equipado com um Snapdragon 888 e display com essas configurações. A falta de suporte do chipset é apenas um obstáculo, que deve obrigar fabricantes a empregar controladores extras para essa finalidade, o que pode impactar na bateria.

Conectividade 5G e Wi-Fi 6E de alta velocidade

Snapdragon e Exynos são bastante competitivos quando o assunto é conectividade — ambos trazem uma ampla variedade similar de opções. Orquestradas pelo sistema Qualcomm FastConnect 6900, as conexões do Snapdragon 8 Gen 1 incluem Bluetooth 5.2 com suporte ao novo codec aptX Lossless, que promete qualidade de aúdio de CD através da rede sem fio, e Wi-Fi 6E com transferências de até 3,6 Gbps

O modem Snapdragon X65 é destaque e o mais avançado disponível no portfólio da gigante, oferecendo suporte a redes 5G Standalone (SA), o "5G real", e Non-Standalone (NSA), nas frequências sub-6 GHz e mmWave, atingindo velocidades de até 10 Gbps por segundo, taxa inédita no período de lançamento da plataforma.

Além de redes 5G com velocidades de até 10 Gbps, as plataformas de Qualcomm e Samsung suportam 4G, 3G e redes mais antigas (Imagem: Reprodução/Samsung )

O Exynos 2200 também promete altas velocidades com seu novo modem, seguindo de perto o rival ao oferecer suporte ao 5G com os novos requisitos do Release 16 da 3GPP, incluindo novas medidas voltados para fortalecimento do sinal e economia de energia, bem como taxas de transferência de 10 Gbps. Os dois chipset suportam ainda as chamadas "redes legado", sendo assim compatíveis com 4G LTE, 3G, 2G e EDGE.

Disponibilidade é diferença-chave

O Snapdragon 8 Gen 1 já está disponível em algumas regiões do mundo, em aparelhos como o Xiaomi 12 Pro e o Motorola Edge X30, e deve chegar ao Brasil muito em breve, equipando celulares como o Motorola Edge 30 Pro e o Samsung Galaxy S22, segundo vazamentos.

Como de costume, o Exynos 2200 deve ser restrito aos smartphones topo de linha da Samsung, sendo disponibilizado apenas em algumas localidades do planeta. A nova geração, em específico, deve ser uma das mais restritas já lançadas pela gigante sul-coreana, chegando apenas para Europa, África e partes da Ásia, de acordo com os rumores.

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