CEO da Intel garante que período de liderança da AMD "acabou"

CEO da Intel garante que período de liderança da AMD "acabou"

Por Renan da Silva Dores | Editado por Wallace Moté | 06 de Outubro de 2021 às 16h11
Divulgação/Intel

Por muitos anos, a Intel liderou o mercado de processadores ao entregar soluções mais avançadas que a de concorrentes, com arquiteturas de alta densidade e eficiência. A situação mudou recentemente, em virtude dos atrasos da litografia de 7 nm da companhia, bem como dos avanços expressivos que sua principal rival, a AMD, apresentou com a família de processadores Ryzen.

A situação se inverteu, e hoje considera-se que a AMD tem a vantagem sobre a Intel, com o time vermelho assumindo forte participação de mercado em todos os segmentos. No entanto, para o CEO do time azul, Pat Gelsinger, a era de domínio da rival está prestes a chegar ao fim, como sugeriu o executivo em recente entrevista ao site CRN.

CEO da Intel diz que liderança da AMD "acabou"

Durante a entrevista, Gelsinger reconheceu o trabalho de qualidade que a AMD realizou recentemente, e revelou que a Intel não iria "desmerecer" os resultados positivos da rival. No entanto, agora que está na liderança da companhia, o engenheiro diz ter definido um "ritmo intenso" para tornar a empresa "a líder inquestionável" em todos os segmentos em que atua.

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AMD entregou um trabalho sólido nos últimos dois anos. Não vamos desmerecer o bom trabalho que eles fizeram, mas isso acaba com Alder Lake e Sapphire Rapids [próxima família de CPUs para servidores da Intel] — Pat Gelsinger, CEO da Intel

Vale lembrar que essa não é a primeira vez que Gelsinger cita os resultados positivos da rival — o CEO afirmou em entrevista ao analista financeiro Pierre Ferragu que a 12ª geração de processadores Alder Lake seria "o momento AMD Zen" da Intel, em referência aos avanços proporcionados pela elogiada microarquitetura da concorrente.

Prevista para estrear ainda em outubro, a família Intel Alder Lake é a primeira a trazer aos desktops uma arquitetura híbrida no processo Intel 7 de 10 nm, em um misto de P-Cores de alto desempenho e E-Cores de baixo consumo. Além de microarquiteturas completamente redesenhadas para cada um dos tipos de núcleos, os lançamentos estrearão tecnologias como memórias DDR5 e barramento PCI-E 5.0.

CEO da Intel desde fevereiro de 2021, Pat Gelsinger colocou a empresa em um "ritmo intenso" e acredita que as linhas Alder Lake e Sapphire Rapids serão "o fim da liderança" da AMD(Imagem: Divulgação/Intel)

A linha Sapphire Rapids entregará os mesmos benefícios, incluindo a litografia Intel 7, as memórias DDR5 e o PCI-E 5.0, mas deve trazer apenas P-Cores de alto desempenho, considerando a demanda mais elevada de processamento que servidores e data centers exigem. Outro ponto importante destacado pelo executivo é que a Intel não deve depender apenas de hardware de agora em diante.

Intel estuda oferecer soluções de software como serviço

Ainda em conversa ao CRN, Pat Gelsinger associa os 11 anos que passou afastado da Intel, trabalhando em gigantes como VMware, especializada em serviços de TI via nuvem, e Dell EMC, de servidores e computadores para empresas, com os 11 anos que Steve Jobs passou longe da Apple. Segundo o executivo, assim como o co-fundador da Apple, esse período lhe deu a oportunidade de "aprender muitas coisas".

A Intel estuda expandir sua atuação e oferecer novos serviços de software para empresas, com foco no desempenho e segurança dos dados (Imagem: Divulgação/Intel)

Uma delas é a importância do software — para Gelsinger, oferecer hardware sem o suporte de software "é um bug". Assim sendo, a gigante de Santa Clara estuda maneiras de oferecer recursos de software como um serviço para empresas, algo que a Nvidia já faz com soluções como a Nvidia AI Enterprise.

Entre as possibilidades estaria a oferta das tecnologias de telemetria da Intel, pela qual os processadores da marca acompanham em tempo real o funcionamento da máquina para alertar sobre baixo nível de desempenho ou consumo elevado. O CTO e chefe da divisão de software da companhia, Greg Lavender, sugeriu ainda uma expansão desses recursos, com funções relacionadas à segurança dos dados.

Como parte doo plano IDM 2.0, a Intel já confirmou que a Qualcomm será uma das clientes a fabricar chips no processo Intel 20A (Imagem: Divulgação/Qualcomm)

A Intel também tem planos ambiciosos em outras frontes, incluindo a inédita abertura das fundições da empresa para atender outros fabricantes de chips, através do plano chamado IDM 2.0. Um dos parceiros já confirmados e mais surpreendentes a adotar o processo Intel 20A, previsto para 2024, é a Qualcomm, que pretende utilizar a tecnologia em futuros processadores Snapdragon.

"A Intel está de volta", afirmou Pat Gelsinger. "Esses são os melhores produtos da categoria. Temos a melhor situação de fornecimento. Temos os assets de software de melhor qualidade. [Temos] a marca de tecnologia mais respeitada e venerável na indústria".

Fonte: CRN (1, 2), TechRadar, Tom's Hardware

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