Activision Blizzard é processada novamente por assédio e discriminação

Activision Blizzard é processada novamente por assédio e discriminação

Por Felipe Goldenboy | Editado por Bruna Penilhas | 25 de Março de 2022 às 16h01
Divulgação/Activision Blizzard

A Activision Blizzard vem enfrentando processos e denúncias por assédio e discriminação desde julho de 2021 e, agora, ela tem mais um para a conta. A empresa está sendo acusada, mais uma vez, pelo “sexismo desenfreado” no ambiente de trabalho, com "700 casos" relatados sob a presidência de Bobby Kotick.

O processo foi aberto pela advogada Lisa Bloom e encaminhado ao Tribunal Superior do Condado de Los Angeles na quarta-feira (23), em nome de uma funcionária atual identificada anonimamente como “Jane Doe”. No ano passado, Bloom entrevistou outra funcionária em frente à sede da Blizzard, que relatou problemas parecidos.

Mais um processo para a conta da Activision Blizzard (Foto: Divulgação/Activision Blizzard)

Segundo os relatos, publicados pela Bloomberg, Doe foi contratada em 2017 como assistente administrativo sênior no departamento de T.I. (tecnologia da informação). Ela afirma ter sido pressionada com frequência a beber álcool e a participar de jogos obscenos com outros colegas homens.

Ela também diz que as funcionárias da Activision Blizzard eram alvo de comentários sexuais e apalpadas, principalmente durante “cube crawls” (rastejamento de cubos, em tradução livre). A prática já havia sido descrita no primeiro processo, de julho de 2021: homens bebem álcool em excesso e, literalmente, rastejam até as mesas das mulheres e fazem comentários sobre elas.

Ao queixar-se dessas situações aos supervisores, eles teriam dito-lhe que era apenas “a liderança sendo legal e tentando ser amiga dela”. Doe afirma que foi instruída a não expor suas preocupações e reclamações a outras pessoas, pois isso poderia causar danos à imagem da empresa.

Ex-presidente da Blizzard, J. Allen Brack, é citado no processo (Foto: Reprodução/Blizzard)

Doe diz que, após reclamar diretamente com o ex-presidente da Blizzard, J. Allen Brack — o executivo deixou a empresa em agosto de 2021, semanas após a Activision Blizzard ser processada pela primeira vez —, ela conseguiu trocar de departamento e função; porém, a vaga era de uma hierarquia inferior e pagava um salário menor. Ela também disse que sua candidatura a uma vaga de assistente executiva, realizada em novembro de 2021, foi rejeitada após ela falar sobre suas experiências na empresa em uma entrevista coletiva em dezembro.

O processo pede à Justiça que a empresa adote um “departamento de RH rotativo para combater conflitos de interesse”, além da demissão do CEO, Bobby Kotick, que estaria ciente de todas as alegações e as teria omitido aos investidores.

Bobby Kotick, atual CEO da Activision Blizzard, tem um dos salários mais altos dos Estados Unidos (Foto: Jordan Matter/Creative Commons)

Vale lembrar que, no início deste ano, a Activision Blizzard foi comprada pela Microsoft pela bagatela de US$ 68,7 bilhões (cerca de R$ 327 bilhões em conversão direta). Bobby Kotick deve deixar a empresa após a aquisição ser concluída e aprovada por órgãos reguladores. Relembre quais franquias se tornarão parte do ecossistema Xbox aqui.

Fonte: Bloomberg Law, VGC

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