Exploração espacial: veja os acontecimentos mais importantes de 2024
Por Danielle Cassita • Editado por Luciana Zaramela |

Este foi um ano agitado para a ciência espacial. Veja só: os astrônomos descobriram que um buraco negro está emitindo jatos gigantes, uma espaçonave da China buscou amostras da região da Lua que não vemos na Terra e a SpaceX continua trabalhando a todo vapor em seu foguete Starship.
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Isso é apenas um gostinho de algumas missões e descobertas espetaculares realizadas neste ano, que mostram como a exploração espacial continua ajudando os cientistas a expandir o conhecimento sobre o que existe para além do nosso planeta.
Para garantir que você vai ficar por dentro de tudo de mais importante que aconteceu, o Canaltech reuniu alguns dos acontecimentos de maior destaque nos últimos meses.
Confira:
Starship: foguete da SpaceX foi “agarrado” pela 1ª vez
Foi em outubro que a SpaceX realizou o quinto teste de voo com o Starship, o maior e mais poderoso foguete já criado. Durante a missão, o propulsor Super Heavy retornou em grande estilo, sendo “agarrado” pelos braços mecânicos da torre de lançamentos. Aquela foi a primeira vez em que a empresa de Elon Musk realizou o procedimento ousado.
Mas foi por pouco — segundo engenheiros, a captura quase foi abortada a um segundo da descida do veículo. Vale lembrar que “sustos” assim durante os testes de voo do Starship são esperados, afinal, o foguete está em desenvolvimento. Quando estiver concluído, o Starship promete levar humanos e cargas à Lua e, futuramente, Marte.
Tempestade solar de maio, a pior das últimas décadas
O primeiro semestre do ano ficou marcado pela tempestade solar mais forte desde 2005. Em maio, uma grande região ativa do Sol disparou uma série de erupções, lançando explosões de partículas e ejeções de massa coronal em direção ao nosso planeta. Quando chegou aqui, o material causou uma tempestade geomagnética tão forte que criou auroras boreais em locais incomuns, desligou equipamentos e muito mais.
4 asteroides foram descobertos horas antes de se chocar com a Terra
Nos últimos meses, vários asteroides foram descobertos pouco antes de atingir a Terra: o primeiro deles foi 2024 BX1, uma rocha espacial de apenas 1 metro de diâmetro que queimou sobre Berlim em janeiro. Em setembro, foi a vez de 2024 RW1, asteroide que explodiu sobre as Filipinas.
Em outubro, o asteroide 2024 UQ foi identificado poucas horas antes de queimar sobre o oceano Pacífico. E, mais recentemente, o asteroide C0WEPC5 foi flagrado em dezembro poucas horas antes de explodir sobre a Sibéria, fazendo a noite virar dia.
Buraco negro soltou jatos maiores que a Via Láctea
A 7,5 bilhões de anos-luz da Terra, há uma galáxia que abriga um buraco negro fascinante. Os jatos emitidos por este objeto chegam a 23 milhões de anos-luz de ponta a ponta, sendo tão longos que poderiam atravessar 140 Vias Lácteas colocadas lado a lado.
A estrutura tem tamanho tão impressionante que os astrônomos decidiram chamá-la de Porfírio, nome de um gigante na mitologia grega.
Nave Starliner voltou à Terra, mas seus astronautas, não
Esta retrospectiva não poderia deixar de lado a conturbada missão dos astronautas da NASA Sunita Williams e Barry Wilmore. Eles foram à Estação Espacial Internacional (ISS) em junho, viajando a bordo da espaçonave Starliner, da Boeing. Só que o veículo apresentou uma série de problemas, como vazamentos de hélio e falhas nos propulsores.
A NASA decidiu que era perigoso demais trazê-los de volta com a Starliner, e por isso, decidiu mantê-los na ISS para retornar a bordo de uma nave Crew Dragon, da SpaceX, em 2025. Enquanto não chega o dia do retorno, eles seguem trabalhando em atividades em órbita.
China coleta amostras do lado oculto da Lua
Em 1º de junho de 2024, a missão Chang’e 6, da China pousou no lado afastado da Lua. O objetivo era coletar amostras desta misteriosa região do nosso satélite natural e trazê-las à Terra para estudos — o que foi feito com louvor. O material é de grande interesse para os cientistas, pois pode ajudar na compreensão sobre as origens da Lua, da Terra e do Sistema Solar.
Japão lança o 1º satélite de madeira
Em novembro, a SpaceX lançou o Lignosat, o primeiro satélite artificial de madeira já criado. Desenvolvido pela Universidade de Kyoto, no Japão, o satélite mede apenas 10 cm de cada lado e é feito de madeira de magnólia, escolhida pelos pesquisadores em função da sua maleabilidade, estabilidade e resistência.
A vantagem de usar madeira ao invés das tradicionais ligas metálicas é que, quando o satélite encerrar suas atividades, ele vai queimar na atmosfera sem gerar partículas de metal.