O que os brasileiros mais buscam no Google sobre a COVID-19?

Por Fidel Forato | 12 de Abril de 2020 às 13h00
Mundo en Positivo

Desde a gripe espanhola, em 1918, há mais de 100 anos o mundo não vivia uma grande pandemia como a atual, causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2). As pessoas, pela primeira vez conectadas com o mundo via Twitter, Instagram, Facebook e TikTok, vivem em uma enxurrada de informações e fake news sobre a COVID-19.

Espécie de enciclopédia e "médico" virtual, o Google é o buscador mais utilizado no Brasil para responder às perguntas que o novo coronavírus trouxe para a população e, com certeza, pode esclarecer as maiores dúvidas do país em relação à pandemia. A partir disso, o Canaltech consultou o Google Trends para saber quais os tópicos eram mais procurados.

Por pesquisa no Google Trends, é fácil perceber que o público brasileiro prefere se referir ao nome coronavírus (linha azul) do que pela COVID-19 ao falar ou se informar sobre o assunto (Captura de tela: Fidel Forato/ Canaltech) 

Desde o dia 26 de fevereiro, quando o Brasil registrou o primeiro caso do novo coronavírus (e coincidentemente também o primeiro da América do Sul), brasileiros buscaram, principalmente, pelos números de casos, os sintomas e as possibilidades de cura ou ainda uma vacina contra a COVID-19.

No entanto, o pico de buscas sobre a infecção respiratória aconteceu no dia 21 de março. Em retrospectiva das notícias do momento, é possível traçar algumas hipóteses: nesse dia o número de casos da COVID-19 ultrapassou a marca de mil infectados; os Correios suspenderam alguns serviços e anunciaram medidas de prevenção nas agências; era anunciado que a hidroxicloroquina e a azitromicina — dois medicamentos que podem ajudar no tratamento dos infectados — já estavam sendo usadas no país.

Além disso, no dia anterior (20), foi assinada a medida provisória nº 926 que permite, por exemplo, a restrição excepcional e temporária por rodovias, portos ou aeroportos em relação a entrada e saída do país. Outro fato não menos importante é que, no mesmo dia da MP, o Google alertava para importância de lavar as mãos em novo Doodle.

Ainda segundo o Google Trends, é fácil perceber que o público brasileiro prefere se referir a pandemia pelo nome de agente infeccioso, o novo coronavírus (representado pela linha azul), do que pelo nome da doença, a COVID-19. A seguir, confira alguns dos principais tópicos perguntados para o Google nas últimas semanas e suas respectivas respostas.

Coronavírus: casos no Brasil

Saber o número de casos da COVID-19 no país é uma informação bastante relevante, ainda mais para entender quais medidas são preciso tomar para evitar a própria contaminação (como lavar as mãos) e compreender quais os reais riscos que a sua região enfrenta (é necessário isolamento social?). Atualmente, todos os estados já registram casos da doença, afinal são mais de 15 mil casos e 800 óbitos.

Para manter a população informada, o Ministério da Saúde atualiza uma plataforma online sobre o novo coronavírus. Além de dados, esse painel traz análises como a evolução da COVID-19 com porcentagens, gráficos e sua distribuição pelo território. Para acessar, clique aqui.

Coronavírus no mundo

Diante do noticiário com tragédias e muitas perdas causadas pela COVID-19, é natural que os usuários queiram saber como estão os outros países no combate ao coronavírus. Em números, segundo a Universidade Johns Hopkins, há quase um milhão e meio de infectados pelo vírus e o mundo já registra mais de 88 mil óbitos pela doença.

Se você quer se manter atualizado, pesquisadores dessa universidade norte-americana construíram um painel online, baseado em dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), que rastreia a disseminação mundial da pandemia. Para acompanhar, clique aqui.

Coronavírus na China

A associação entre a pandemia da COVID-19 e a China é inevitável, já que foi na província de Hubei, mais especificamente na cidade de Wuhan, que o novo coronavírus foi descoberto no último dia de 2019. Por isso mesmo, o país se tornou o primeiro epicentro (termo originalmente usado para abalos sísmicos e terremotos que marca o ponto inicial do movimento, antes da dispersão) da doença.

No país asiático, mais de 80 mil pessoas foram infectadas pelo vírus e mais de três mil mortes em decorrência da doença respiratória. No entanto, a região do primeiro epicentro demonstra sinais bastantes claros de que controlou o aumento de casos e colocou fim ao confinamento obrigatório, ou seja, gradualmente volta ao "normal".

Coronavírus na Itália

Já a Itália, bem como outros países europeus, como a Espanha e a França, marcam o segundo epicentro da pandemia do novo coronavírus no mundo. Isso porque a doença, originalmente concentrada na China, se dispersou até alcançar uma taxa de letalidade muito maior nessa região do ocidente, o que despertou atenção das pessoas.

De acordo com os dados das autoridades de saúde italianas, o país concentra o maior número de mortes pela COVID-19 em todo o globo. São mais de 17 mil mortos e mais de 130 mil infectados pelo vírus. Diante desses números, o sistema de saúde da Itália colapsou e notícias alarmantes correram o mundo, como mais de 900 óbitos em um único dia.

Sintomas do coronavírus

Importante saber que os principais sintomas de infecções pelos coronavírus, em geral, são respiratórios, como a de uma gripe comum, como tosse e febre (temperatura acima de 37,8°). Isso porque os sintomas mais comuns da COVID-19 são febre, tosse e cansaço, além desses menos conhecidos são diarreias e perda de olfato. Já nos casos mais graves o paciente apresenta dificuldades respiratórias.

Se desconfia ter entrado em contato com alguém doente, o recomendado é que fique em isolamento social e, nesses casos, é importante saber que "o tempo médio de incubação [do vírus] é de cinco dias, com intervalo que pode chegar até a 12 dias", segundo o Ministério da Saúde.

Coronavírus: vacina + cura

Ainda sem vacinas ou mesmo medicamentos específicos, as melhores formas de profilaxia são a quarentena — o isolamento funciona, porque pouquíssimas pessoas têm anticorpos para esse vírus — e boas práticas de higiene, como lavar bem as mãos ou usar álcool em gel 70%. Isso porque o coronavírus se espalha, principalmente, por gotículas de saliva ou secreções eliminadas por tosse e espirros.

Quanto à cura, a principal indicação é o repouso para os casos mais leves. Enquanto isso, para os casos mais graves, médicos têm testado medicamentos off-label, ou seja, quando o uso do remédio se difere do que consta na bula. Entram nessa classificação tanto a cloroquina quanto a hidroxicloroquina, além de antirretrovirais, como o atazanavir ou ainda o ritonavir. Por ser uma doença muito nova, pesquisadores e cientistas ainda trabalham também no desenvolvimento de uma vacina para esse coronavírus, que deve levar meses até ficar pronta (e aprovada) para humanos.

Nos últimos sete dias, dois outros temas sobre a pandemia começaram a despontar no Google Trends com uma maior procura, o Coronavírus EUA e o Auxílio coronavírus. Sobre o primeiro termo, apareceu porque os Estados Unidos se tornaram o mais recente epicentro da COVID-19, pelo menos em números de casos totais, já que o país registra mais de 430 mil casos da infecção, o que é muito distante do segundo país, a Espanha, com um pouco mais 130 mil confirmados.

Agora, o segundo termo se refere à lei da renda básica emergencial, que deve pagar R$ 600 por mês, ao longo dos próximos três meses, para trabalhadores informais, autônomos e sem renda fixa que tenham sido atingidos pelas medidas de isolamento social em virtude da pandemia.

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