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O que é biohacking?

Por| Editado por Luciana Zaramela | 31 de Janeiro de 2024 às 11h39

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Vecstock/Freepik
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Biohacking é um movimento que une os mais variados grupos, indo dos aficionados por tecnologia até os que buscam saúde, bem-estar e formas de combater o envelhecimento. Em comum, eles se propõem a realizar intervenções no próprio corpo, em hospitais ou na garagem de casa, com o objetivo de expandir as capacidades humanas. Basicamente, é a junção de técnicas da biomedicina com a ética hacker.

Nessa história, o chip da Neuralink, startup fundada por Elon Musk, com potencial para controlar objetos com o poder da mente, é um dos grandes exemplos da área de biohacking. Outros implantes do tipo estão em desenvolvimento. Entretanto, modificações mais simples, como fazer reposição hormonal após a menopausa ou usar um marca-passo, podem se enquadrar nessa cultura. 

Biohacking: humanos turbinados

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Biohacking é a "tentativa de melhorar a condição do corpo e da mente usando tecnologia, drogas ou outras substâncias químicas, como hormônios", explica o Dicionário Cambridge, em uma de suas definições mais abrangentes.

"Experimentos científicos com material biológico, especialmente genes, feitos por pessoas que não são especialistas oficiais ou cientistas, seja como hobby, para ganhar dinheiro ou cometer crimes", aponta o dicionário inglês em outra definição.

Através das definições, é possível observar dois mundos distintos envolvidos na prática de biohacking:

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  • A ciência de garagem, também conhecida como ciência do it yourself (DYI), em que as práticas de melhora da capacidade humanas são desenvolvidas fora de um ambiente hospitalar e seguro. Tudo é mais experimental e o risco de acidentes é maior. Por outro lado, existem até kits caseiros para quem quer entrar nesse movimento;
  • A ciência convencional, onde as técnicas usadas foram validadas por estudos clínicos e inúmeros testes em animais e humanos. Entretanto, é preciso atenção, já que, nas redes sociais e até em consultórios, algumas práticas são vendidas como seguras, mas não são.

Exemplos de biohacking

Com uma definição tão ampla do que é biohacking, diferentes intervenções ou medidas podem ser associadas com essa cultura, como: 

  • Marca-passo para controlar e estimular o ritmo cardíaco;
  • Implante coclear para quem tem problemas auditivos;
  • Ténicas de terapia gênica;
  • Uso de suplementos alimentares com finalidades específicas;
  • Técnicas de alimentação para retardar o envelhecimento;
  • Uso de nootrópicos, conhecidos como “smart drugs”, que impactam as funções cerebrais, desde a mais conhecida ritalina até pílulas com cafeína;
  • Chips para reposição hormonal;
  • Parafusos, hastes, grampos, silicone e demais materiais compondo ou afixando estruturas no corpo após cirurgia;
  • Implante cerebral da Neuralink de controle através da mente e outras interfaces cérebro-máquina;
  • Biochip na ponta dos dedos para abrir portas ou ainda realizar pagamentos;
  • Implante de LED sob a pele para iluminar tatuagens;
  • Entre tantos outros.
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Biohackers: ciborgues na história

Entre os biohackers mais icônicos, está o artista inglês Neil Harbisson, que foi reconhecido como o primeiro ciborgue humano, segundo o Guinness World Records. Para receber este título, Harbisson fez inúmeras intervenções no próprio corpo, como a que permitiu “enxergar”, pela primeira vez, as cores do mundo.

Harbisson nasceu com acromatopsia (daltonismo total), uma condição que faz com ele enxergasse tudo em preto e branco. Por isso, ele instalou um sensor de fibra óptica na ponta de uma antena colocada na sua cabeça, a eyeborg. Este dispositivo capta as cores do entorno, converte as ondas de luz em ondas sonoras e as transmite como vibrações audíveis em seu crânio, permitindo a identificação das cores.

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A espanhola Moon Ribas instalou um sensor no seu braço que alerta quando um terremoto é registrado na Terra. Além disso, o estadunidense Rich Lee implantou “fones de ouvido” nos tragus —  “saliência” localizada no ouvido externo —, conseguindo ouvir músicas e atender chamadas de forma muito mais simples. Eles também estão no Livro dos Recordes.

Fonte: Dicionário CambridgeGuinness World Records e Jornal da USP