Giro da Saúde: variante Delta reinfecta mais; PCR revela brinquedo em nariz; e +

Giro da Saúde: variante Delta reinfecta mais; PCR revela brinquedo em nariz; e +

Por Luciana Zaramela | 04 de Julho de 2021 às 08h00

Mais uma semana, mais um resumo do que mais bombou na área da saúde aqui no Brasil e lá fora! Todo domingo, o Canaltech traz os principais destaques da editoria para que você fique por dentro dos assuntos mais comentados da semana. Acompanhe agora (é bem rapidinho), aqui no Giro da Saúde!

1. 100 anos de BCG

A vacina, no Brasil, é aplicada em bebês (Imagem: Choreograph/Envato Elements)

A vacina BCG, velha conhecida dos brasileiros, completou 100 anos na última quinta-feira! Criada pelo médico León Charles Albert Calmette e pelo veterinário Jean-Marie Camille Guérin, a fórmula foi desenvolvida no Instituto Pasteur de Lille, na França, para proteger contra a bactéria que causa a tuberculose, a Mycobacterium bovis. Na década de 1970, passou a integrar o cronograma nacional de vacinação, tendo ficado famosa por ser "a vacina que deixa a marquinha no braço do bebê", que levamos por toda a vida.

E a BCG é uma vacina potente não só contra tuberculose. A capacidade de estimular a resposta imunológica contra diferentes patógenos a tornou adjuvante no tratamento de câncer superficial de bexiga, diabetes tipo 1 avançado, asma e até mesmo infecções virais. Por sua capacidade de melhorar a resposta imune, tem sido a "bola da vez" em estudos para combate à COVID-19.

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2. Marca-passo inovador se dissolve no corpo

Marca-passo biocompatível e reabsorvível (Imagem: Northwestern University/Nature Biotechnology)

Uma inovação da Universidade Northwestern, em Illinois, nos Estados Unidos, também marcou o noticiário na última semana: trata-se de um marca-passo que, além de biocompatível, se dissolve no organismo do paciente após cumprir seu dever — afinal, nem todo portador de marca-passo precisa usar o aparelho por toda a vida, dependendo da condição cardíaca. O aparelho é fino, flexível, pesa menos de meio grama, não tem fios e pode ser controlado de fora do corpo. Em sua composição, usa materiais como silício, magnésio, tungstênio e polímero PLGA, que são absorvidos pelo corpo quando o aparelho não é mais necessário.

Os cientistas fizeram testes em corações de roedores, mas também em fatias de coração humano e até em cachorros vivos. O aparelho se mostrou promissor, já que a sua função ocorreu da forma esperada, e sua dissolução também. Agora, resta ao grupo de pesquisadores conseguir aval para começar a implanta-lo em humanos. Incrível, não?

3. Misturar AstraZeneca com Pfizer dá bom!

Misturar doses de vacina pode dar muito certo, segundo estudo (FabrikaPhoto/Envato Elements)

Tem muita coisa a respeito das vacinas da COVID-19 acontecendo, mas uma das que mais chamaram a atenção veio de um estudo conduzido pela Universidade de Oxford, no Reino Unido: adotar diferentes imunizantes na primeira e na segunda dose pode produzir uma forte resposta imunológica. No estudo, batizado de Com-COV, os pesquisadores avaliaram misturar doses da Pfizer/BioNTech com Covishield (AstraZeneca/Oxford). E o resultado foi surpreendentemente bom!

Os resultados foram os seguintes: duas doses de Pfizer produzem os níveis mais altos de anticorpos, certo? Mas eles verificaram que uma dose da vacina Oxford/AstraZeneca seguida por um reforço da Pfizer foi quase tão potente quanto. Já o grupo que recebeu uma dose da Pfizer seguida por um reforço da de Oxford obteve níveis de anticorpos quase sete vezes mais baixos do que aqueles que receberam duas doses da Pfizer. Por outro lado, essa proteção era cinco vezes maior do que os níveis de anticorpos registrados em pessoas que receberam apenas duas doses da de Oxford.

Curioso, não? Essa descoberta pode ser importante para um cenário onde há escassez de imunizantes, por exemplo, e também para casos em que gestantes estão em evidência, como decretou a secretaria de saúde do Rio de Janeiro.

4. Teste PCR revela brinquedo entalado no nariz de mulher

Foi fazer o teste e tum: emperrou num brinquedo entalado no nariz há décadas (Imagem: Kiraliffe/Envato Elements

Sabe o exame de PCR para COVID-19, em que é necessário introduzir um cotonete bem comprido na mucosa do nariz para coletar material? Pois bem: uma mulher australiana de 45 anos se submeteu ao teste para saber se estava com coronavírus. E no momento da coleta de material, sofreu mais do que o normal com a dor: intrigados, os profissionais de saúde a examinaram com tomografia computadorizada e, com a ajuda de um relato da própria paciente, descobriram o improvável: havia um brinquedo, um disquinho de plástico, preso dentro de seu nariz a nada menos que 37 anos!

Ela precisou ser submetida a uma cirurgia para retirada da pequena ficha, tanto para melhorar suas condições de dor, quanto para abrir caminho para as vias aéreas e melhorar sua qualidade respiratória. A mulher conta que o acidente aconteceu quando ela tinha oito anos de idade, pois estava usando o brinquedo de outra forma, e que ficou com vergonha de contar aos pais, permanecendo com a pecinha entalada no nariz desde então. Agora, ela passa bem, e respirando bem melhor.

5. Fiocruz: Variante Delta pode aumentar risco de reinfecções

Delta: mais transmissível e mais reinfectante, também (Imagem: tang/Rawpixel)

Uma recente pesquisa, que contou com a participação da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), descobriu algo que serviu de alarme para a variante Delta: o soro de pessoas previamente infectadas por outras cepas é menos potente contra ela. Aliás, o soro de pessoas vacinadas também tem potência reduzida contra a Delta, mas as vacinas continuam fazendo efeito. Ainda de acordo com o estudo, a capacidade de neutralizar a cepa é 2,5 vezes menor para o imunizante da Pfizer e 4,3 vezes menor para o da AstraZeneca, e os índices são semelhantes aos verificados com as variantes Gama e Alfa.

“Parece provável, a partir desses resultados, que as vacinas atuais de RNA e vetor viral fornecerão proteção contra a linhagem B.1.617 [que possui três sublinhagens, incluindo a variante Delta], embora um aumento nas infecções possa ocorrer como resultado da capacidade de neutralização reduzida dos soros”, conclui a pesquisa.

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