Na inocência, TikToker cheira flor exótica e sofre "apagão" alucinógeno

Na inocência, TikToker cheira flor exótica e sofre "apagão" alucinógeno

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 01 de Julho de 2021 às 18h10
MabelAmberWhoWillOneDay/Pixabay

Não é novidade que, nas redes sociais, a galera curte testar os limites do que é saudável e seguro, principalmente quando uma façanha envolve a possibilidade de milhares de visualizações — mesmo que possa ser prejudicial. Este é o caso da cantora e compositora Raffaela Weyman. No TikTok, Weyman divulgou vídeos e um relato do que aconteceu após inalar uma flor considerada exótica, dependendo do continente, e repleta de substâncias alucinógenas.

No vídeo, que permanece disponível na rede social, Weyman compartilha momentos em que dança e cheira uma bonita flor amarela conhecida, popularmente, como Trombeta de Anjo (Brugmansia suaveolens). O que poderia parecer um registro comum, na verdade, é o uso indevido de uma substância potencialmente tóxica e mortal, dependendo das concentrações.

Jovem inala flor tóxica e divulga caso nas redes sociais (Imagem: Reprodução/SongsByRalph/TikTok)

“Acontece que a flor é supertóxica e nós acidentalmente nos drogamos como idiotas”, contou a jovem, avisando sobre o que aconteceu após aqueles momentos. “Quando cheguei em casa [e] adormeci, tive os sonhos mais loucos e experimentei paralisia do sono pela primeira vez na minha vida”, escreveu, no TikTok.

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Afinal, o que é Trombeta de Anjo e o que ela pode causar?

A planta Brugmansia suaveolens é típica de regiões tropicais e sul-americanas, como o Brasil. As suas flores têm um cheiro adocicado, podendo ter pétalas que variam entre amarelo, laranja, creme, rosa ou branco, de acordo com artigo científico publicado na revista Research, Society and Development.

Além disso, "é famosa por suas propriedades alucinógenas, perturbadoras, sedativas, entre outras. Neste contexto, é utilizada em práticas ritualísticas, curativas e recreacionais", afirmam os autores do estudo, que inclusive é brasileiro. Dessa forma, "os seus efeitos, mesmo com promissor potencial [terapêutico], em mãos que não têm um conhecimento adequado de seu manejo, podem fazer dela uma droga com grande potencial de intoxicação", alertam.

"Entre as complicações psiquiátricas, há a possibilidade de uma diagnóstico diferencial, com estados confusionais e psicóticos", pontuam os autores. Por mais que a Trombeta de Anjo tenha causado efeitos alucinógenos em Weyman, a quantidade inalada não foi suficiente para uma complicação mais grave.

Efeitos da planta no organismo

"A B. suaveolens já foi utilizada na sedação das vítimas de sacrifícios em certas cerimônias espirituais, além de ser um agente anestésico para uso tópico. Na atualidade, é cultivada nos jardins, como também pode ser inalada, ingerida como comida ou na forma de chá, ou administrada via enema", revelam os autores sobre os diferentes usos da planta. Por ser facilmente encontrada, pode representar um risco potencial para a saúde dos indivíduos.

"A Brugmansia suaveolens apresenta propriedades antinociceptiva, nematicida e relaxante muscular e a toxicidade do seu consumo é dose dependente", afirmam. Nesse sentido, a planta pode anular ou reduzir a percepção e transmissão de estímulos dolorosos. Testes com infusões das flores demonstraram altas "concentrações de atropina e escopolamina, os quais inibem os receptores muscarínicos. Esta inibição é responsável pela toxicidade anticolinérgica, causando febre, alucinações, confusão, delírio, dentre outros sintomas".

Além disso, a planta é um poderoso relaxante muscular que afeta o músculo esquelético, diminuindo o seu tônus. Novamente, "acredita-se que a escopolamina esteja por trás do efeito de relaxante muscular, devido à sua ação anticolinérgica", apontam os autores.

Pesquisadores das seguintes instituições contribuíram com o artigo: UFTM (Universidade Federal do Triângulo Mineiro); UNIDERP (Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal); UEMS (Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul); e UFMS (Universidade Federal do Mato Grosso do Sul).

Para acessar o texto completo sobre a planta, clique aqui.

Fonte: Com informações: IFL Science  

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