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As pessoas estão deixando de acessar e postar no Facebook?

Por| Editado por Douglas Ciriaco | 05 de Fevereiro de 2023 às 16h00

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Reprodução/Alex Haney/Unsplash
Reprodução/Alex Haney/Unsplash
Tudo sobre Facebook

Considerada uma das principais redes sociais do mundo, o Facebook completa 19 anos neste 4 de fevereiro e segue como um dos principais produtos da Meta, companhia fundada e comandada por Mark Zuckerberg.

Ao longo de quase duas décadas de existência, a rede passou por profundas transformações — e ainda passa. A companhia superou concorrentes, absorveu apps vizinhos e consolidou sua posição como rede mais usada no planeta. Apesar de tudo, você já deve ter reparado que você e seus amigos acessam menos o site e que o Facebook está morrendo.

O Canaltech se debruçou nos relatórios financeiros mais recentes e conversou com especialistas para entender: a rede social de Mark Zuckerberg está morta?

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Facebook segue vivo e brilhando

Segundo dados do site StatCounter, o Facebook está vivo e liderando o mercado de redes sociais como sempre. Houve, sim, uma queda significativa na fatia comandada pela plataforma no último ano — indo de 76,9% para 68,6% entre janeiro e dezembro de 2022 —, mas ela segue disparadamente à frente de qualquer outra rede.

O relatório para investidores do quarto trimestre de 2022 reforça que a plataforma não está tão mal: o total de Usuários Ativos Diariamente (DAUs) foi de 2 bilhões em média durante o mês de dezembro, 4% a mais numa comparação ano a ano com 2021, enquanto a estimativa de Usuários Ativos Mensalmente (MAUs) foi de 2,96 bilhões no mesmo período, um acréscimo de 2%.

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Outro levantamento que reafirma a liderança do Facebook é o do site Statista. Em janeiro de 2022, o Facebook liderava o ranking de redes sociais no mundo com 2,91 milhões de MAUs, mais que o YouTube (2,56 milhões) e o WhatsApp (2 milhões).

A impressão de que o Facebook está prestes a acabar, portanto, não passa de uma especulação. “A sensação se deve ao fato das pessoas associarem relevância com o impacto na mídia. Isso acontece porque o TikTok, Instagram, YouTube e até mesmo o Twitter tem uma porcentagem considerável de mídia e impacto gerado por criadores de conteúdo”, explica o especialista em Estratégia e Marketing Estêvão Soares.

“Então, apesar do crescimento no número de usuários, a percepção é outra. Um ponto que favorece a utilização do Facebook são os grupos”, acrescentou o professor. A chance de você ter participado de uma dessas comunidades, ou conhecer alguém que já participou, tende a ser bem grande. “Hoje, 1,8 bilhões de pessoas usam os grupos no Facebook”, menciona Soares em referência a um estudo da NYU Tandon School of Engineering de 2021.

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Qual país tem mais usuários no Facebook?

Os cinco países com os maiores números de usuários do Facebook, segundo um levantamento de 2022 do site Statista, são:

  • Índia: 329,65 milhões
  • Estados Unidos: 179,65 milhões
  • Indonésia 129,85 milhões
  • Brasil: 116 milhões
  • México: 89,7 milhões

Números não são tudo

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O Facebook está numa posição favorável atualmente, mas sabe que esse estado não é permanente. Um sinal dessa perspectiva é o reposicionamento da detentora da rede social, que mudou de nome para Meta desde outubro de 2021 a fim de engrenar o mercado de realidade virtual e aumentada com um metaverso próprio.

Apesar da liderança, em 2022 o Facebook registrou a primeira queda na quantidade de usuários diários. No relatório referente ao último trimestre de 2021, a plataforma divulgou ter 1,929 bilhão de usuários ativos diariamente, cerca de 10 milhões a menos que o relatório anterior. A revelação fez as ações da empresa despencarem e chamou a atenção da mídia especializada do mundo inteiro.

Mesmo com o tropeço, porém, a Meta continuou como uma das principais empresas do mundo — e o Facebook, a maior rede social. No último trimestre de 2022, a companhia lucrou US$ 32,17 bilhões — 4% menos do que no período homólogo em 2021, mas ainda um valor substancial.

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Fenômenos do mercado também afetaram a empresa, vale ressaltar. O otimismo exagerado durante a pandemia e os desafios da nova era de privacidade foram alguns dos fatores que pelo menos chacoalharam a companhia de Mark Zuckerberg.

“Durante a pandemia, boa parte das empresas de tecnologia viu um crescimento massivo. A expectativa tanto de analistas como da gestão de empresas era de que as estimativas futuras se manteriam em constante crescimento”, pontuou o professor. “O que ocorreu, porém, foi algo bem diferente: o cenário econômico voltou a níveis pré-pandemia”, acrescenta.

A oscilação do Euro, a guerra na Ucrânia e a ameaça constante de uma recessão global também surtiram efeito negativo sobre os números da Meta. Quanto à "nova era de privacidade”, o Facebook ainda sofre com as mudanças de políticas da Apple.

“Na prática, se você faz um anúncio, não consegue rastrear os dados de uma pessoa que usa iOS, fica difícil atribuir o resultado de uma venda para um anúncio, por exemplo”, explica o especialista.

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Como consequência, o Facebook precisou desenvolver ferramentas alternativas para garantir retorno aos anunciantes, como é o caso da Privacy Enhancing Technologies. Esse conjunto de ferramentas permite segmentar os anúncios para nichos específicos, mas sem desrespeitar as normas de segurança determinadas pela Maçã.

Facebook acompanhando tendências

Não é de hoje que o mercado de redes sociais vive em constante rotação, seja de empresas que ficam no topo ou nas tendências de conteúdo. Os memes de hoje não são os mesmos memes de amanhã, e isso é apenas um sintoma dessa mudança implacável.

Com o crescimento evidente do TikTok, o segmento de redes sociais viu uma transformação no padrão de conteúdo mais uma vez: vídeos curtos são a febre do momento e interferem significativamente no padrão de criação de conteúdo, chamando a atenção de plataformas consolidadas, como YouTube e Instagram, que correram atrás da concorrência e criaram formatos análogos (Shorts e Reels, respectivamente). O Facebook também tem seu formato próprio: o Facebook Reels.

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“O TikTok é uma rede nativa para esta geração”, pontuou Soares. O ponto fraco das iniciativas semelhantes da Meta seria a falta de investimento para aumentar o número de conteúdo gerado por usuário. “A quantidade de conteúdo gerado por usuários no TikTok faz com que o conteúdo da rede fique cada vez mais rico e mais realista, mais vida real”, acrescenta o especialista.

O Facebook (e a Meta, naturalmente) não vai deixar de investir no Reels, mas o formato ainda dá prejuízo para a empresa — isso, apesar de ter dobrado de utilização de 2021 para 2022.

2023: o “ano da eficiência”

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Durante a primeira conferência com acionistas de 2023, Mark Zuckerberg disse que o tema da vez era “o ano da eficiência”. O executivo pretende enxugar a empresa, cortando funcionários e reduzindo as camadas de gestão em nome de uma suposta otimização da tomada de decisões.

A empresa destacou seus esforços na construção de ferramentas em Inteligência Artificial Generativa, semelhante à estrutura do ChatGPT, e na ampliação da sua relevância como uma das líderes do mundo em IA — e já é possível ver resultados disso, como no Make-a-Video. “A IA sempre foi citada nas reuniões da Meta, mas nunca teve o protagonismo que estamos vendo agora”, pontuou Soares.

Em conclusão, o Facebook pode até não ter tanto vigor quanto antes — ao menos, quando a conversa é consumo de conteúdo —, mas a plataforma segue sendo a principal rede social do mundo, e ela reconhece esse papel.

Será que o Facebook continuará acima do TikTok? Os grupos da rede social serão ainda mais fortes no futuro? De que maneira a plataforma tentará reconquistar o impacto na mídia? Pelos próximos anos, vale ficar atento às transformações do site de Mark Zuckerberg.