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Abandonei o Twitter, e agora? O que dizem ex-usuários da rede

Por| Editado por Douglas Ciriaco | 15 de Abril de 2024 às 12h50

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Bolívia Inteligente/Unsplash
Bolívia Inteligente/Unsplash
Tudo sobre Twitter

O X (ex-Twitter) encarou e encara diversas turbulências desde 2022, quando foi comprado pelo empresário Elon Musk, que vão além do conflito atual com o Superior Tribunal Federal (STF). Tamanhas mudanças, como o fim do selo de verificação, o novo nome da rede social e o fim da Roda, reacenderam críticas até mesmo entre os usuários mais fiéis. Como resultado, muitas pessoas decidiram abandonar a plataforma, seja para recorrer a outras opções ou simplesmente largar tudo de vez.

Adeus, Twitter!

O Canaltech conversou com algumas pessoas que pararam de utilizar o X nos últimos tempos. É o caso da estudante Larissa Faria, que largou a plataforma no fim de 2023 devido ao fim da função Roda, encerrada em 31 de outubro.

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“Depois que a Roda foi descontinuada, eu já não via motivo”, explicou à reportagem. “Não tinha mais a separação de ‘público e privado’ como o Instagram ainda tem, permitindo criar um close friends.”

Com a saída da rede social, Larissa não chegou a buscar Threads, Bluesky ou Mastodon, alternativas populares do ex-Twitter no Brasil. Mas, ao mesmo tempo, sente falta de ter uma plataforma que unia “notícias e opiniões diversas, dinâmica e divertida”.

O analista de marketing Felipe Ricelle não chegou a abandonar a rede social de Elon Musk, porém, nos últimos tempos, reduziu a utilização da plataforma devido às “muitas decisões controversas” da equipe por trás da rede. Entre elas, a mudança dos selos de verificação, a grande falta de moderação e a demissão em massa de grande parte dos funcionários no Brasil.

Assim como a estudante Larissa, a compra da rede social por Musk foi um fator que influenciou a sua decisão, mesmo que indiretamente, já que trouxe muitas alterações impopulares.

“O Twitter foi o lugar onde fiz muitas amizades, conheci muita gente legal e levava desse modo”, disse o analista. “A sensação que tenho mais é de tristeza de uma rede que era tão boa ter se tornado o que se tornou.”

“Não parecia mais fazer sentido”

Outras mudanças no serviço tiveram impacto negativo entre os usuários. Entre eles o editor Filipe Espósito, que deixou de usar a rede em julho de 2023, logo depois que Elon Musk anunciou o rebranding do Twitter para X. Naquele momento, a plataforma já “não parecia mais fazer sentido” para ele.

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Assim como os demais, ele aponta que a venda da empresa pesou. “Os resultados das decisões controversas dele como diretor da plataforma me fizeram repensar o uso nos meses que vieram a seguir. Desde não concordar com mudanças na plataforma em si como em posicionamentos do Musk como pessoa”, disse.

Já o repórter José Adorno diminuiu o seu uso desde a época em que surgiram as conversas de que Elon Musk compraria o Twitter. Porém, quando virou X, ele também decidiu largar a rede social.

“O Twitter era a minha rede social favorita, não só como jornalista, mas também para uso pessoal”, pontuou. “Fiz muitas amizades pela rede social, sempre descobria coisas bacanas, mas acho que houve um grande aumento no discurso extremista. Os bots, os clickbaits e os posts de scam também só aumentaram.”

O também jornalista Calebe Souza tomou a mesma decisão no começo de 2023, mas já tinha deixado de usar o X diariamente desde o início das mudanças feitas por Musk. “Como usuário desde os anos 2010, avalio que ele descaracterizou a plataforma, tornando-a irreconhecível”, observou. “Sem contar o ambiente tóxico que aquilo lá virou.”

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Ambiente tóxico

Logo após a aquisição do X, muitas críticas em relação à falta de moderação e surgimento de bots surgiram. Esse cenário também ocasionou algumas debandadas, como é o caso do repórter do Canaltech, Ricardo Syozi, que parou de usar a rede social em 2023 depois que cansou do “ambiente tóxico empregado pelos mais variados usuários”.

A saída trouxe bons resultados ao dia a dia do jornalista, que considera uma “decisão muito acertada” para a sua saúde mental. “Me sinto super bem, parei de me preocupar em criar postagens apenas para me manter relevante e ainda não me irrito mais por causa de posts agressivos de terceiros”, avaliou.

O designer gráfico Bruno Milczewski sentiu um impacto “quase imediato” na sua saúde mental depois que abandonou a rede social em janeiro de 2023. “A ‘não exposição’ a polêmicas, opiniões extremistas e assuntos pesados em geral me fez enxergar minha própria rotina de uma maneira mais leve”, afirmou. “Me fez entender que o mundo não é preto e branco como acontece dentro desse tipo de rede social.”

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José Adorno também observa que a decisão lhe fez “sair da bolha”, assim como aconteceu com Filipe Espósito. Contudo, ambos encaram questões relacionadas com as suas profissões, pois o Twitter sempre foi uma fonte de informação para muitos jornalistas.

“Foi bom explorar outras plataformas com discussões mais tranquilas, porém o maior impacto mesmo acabou sendo profissional. Muitas coisas importantes ainda acontecem no X. Como jornalista, é complicado fingir que a plataforma não existe”, disse Espósito.

A grama do vizinho

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No geral, os entrevistados pelo Canaltech chegaram a experimentar ou utilizam com uma certa frequência as alternativas ao X. É o caso do analista Felipe Ricelle, que testou o Mastodon, Bluesky e Threads e acabou se “acostumando mais” com a rede social da Meta.

Nosso repórter Ricardo Syozi também utiliza o Threads de vez em quando. “Como ele é ‘menor’ do que o Twitter, acabo não vendo brigas ou similares lá”, explicou.

Já o jornalista Filipe Espósito deu chances a Mastodon e Bluesky, mas passou a se concentrar no Threads nos últimos tempos. “Ainda não se compara ao X em termos de engajamento, mas ali encontrei um equilíbrio entre ter interações tanto com pessoas do ambiente profissional quanto com amigos pessoais”, pontuou.

Adorno também utiliza o Threads. Contudo, ele observa que a plataforma “não tem o mesmo apelo que o Twitter tinha”, seja para o uso pessoal ou profissional, inclusive para descobrir outras coisas que gosta. “Acabei migrando meu tempo de tela para o TikTok e para o YouTube. Mas sigo órfão”, explicou.

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Sem retorno?

As controvérsias criaram um caminho sem volta para algumas pessoas, como acontece com o designer gráfico Bruno Milczewski e o jornalista Calebe Souza, que não retornariam ao ex-Twitter. O mesmo acontece com o repórter Ricardo Syozi, que não tem a “menor intenção de voltar a usar o frequentemente o Twitter como uma forma de passatempo”.

“Me sinto bem sem a rede social e não tenho motivo para me colocar naquele tipo de ambiente novamente”, concluiu.

Outras pessoas, como o editor Filipe Espósito, sentem um certo saudosismo, pois o Twitter sempre foi a sua rede social favorita. Porém, ele não consegue se ver usando o X de novo no estado atual. 

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“De vez em quando abro para pegar informações para alguma reportagem e me deparo com uma enxurrada de bots”, concluiu. “Se um dia a direção do X mudar novamente, quem sabe dou outra chance.”

Larissa Faria também daria uma segunda chance à plataforma, desde que alguns pontos sejam restabelecidos: “apenas se a função Roda voltasse a existir, se meus amigos também voltassem a usar o Twitter e a proposta inicial (permitir rápidas interações) fosse resgatada”, observou.

Do outro lado, o repórter José Adorno daria uma chance se Elon Musk não fosse mais o dono da plataforma. Contudo, esse pode ser um caminho sem volta: “acho que é uma daquelas coisas que simplesmente foram estragadas e não tem como voltar atrás. Nunca mais vamos ter o Twitter e nunca mais vai ser como antes”, pontuou.

O analista Felipe Ricelle segue o coro: “Dificilmente [daria outra chance ao X]”, comentou. “Ainda continuo usando mas sabendo a todo momento que aquilo pode acabar. Aquela coisa boa da rede social foi embora junto com o passarinho da marca do Twitter.”