Review Xiaomi Mi 11 | Um topo de linha de respeito lançado no segmento errado

Review Xiaomi Mi 11 | Um topo de linha de respeito lançado no segmento errado

Por Diego Sousa | Editado por Wallace Moté | 11 de Junho de 2021 às 11h00
Ivo/Canaltech

A Xiaomi parece não estar para brincadeiras no segmento de celulares premium no Brasil. Prova disso é o Xiaomi Mi 11, topo de linha da marca chinesa que chegou ao mercado nacional para concorrer com o iPhone 12 Pro Max e o Galaxy S21 Ultra 5G quando o assunto são especificações técnicas poderosas e, principalmente, quando se trata de preço.

Para isso, a empresa não economizou em relação às configurações: o Mi 11 conta com uma das melhores telas do mundo, o processador mais poderoso atualmente, uma câmera de 108 MP com recursos premium e uma construção robusta.

Mas, afinal, vale a pena investir tanto em um aparelho premium da Xiaomi no Brasil, ou os já conhecidos iPhone 12 Pro Max e Galaxy S21 Ultra 5G são opções melhores? Tive a oportunidade de passar as últimas semanas com o Mi 11 e, nos próximos parágrafos, trago os pontos positivos e os poucos negativos do smartphone.

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Prós

  • Visual único e elegante;
  • Desempenho suficiente para todas as tarefas;
  • Conjunto fotográfico excelente;
  • Sistema sonoro de qualidade;
  • Uma das melhores telas do mundo.

Contras

  • Processador esquenta muito em jogos na região das câmeras;
  • Poderia ser resistente à água;
  • Preço acima de nomes mais consagrados no Brasil.

Construção e design

À primeira vista, o Mi 11 me surpreendeu pelo seu visual único, o qual basta bater o olho para identificá-lo em meio a tantos smartphones com formatos padronizados. Sua tampa traseira de vidro é fosca e a opção de cor “Horizon Blue” traz um efeito gradiente quando refletida na luz. No entanto, vale mencionar que marcas de dedos ficam gravadas com frequência.

O módulo de câmeras do celular também difere de tudo o que já vi em um aparelho: o bloco não é tão grande quanto o presente no Galaxy S21 Ultra 5G, por exemplo, mas traz três níveis de volume graças ao seu sensor gigante de 108 MP. O volume, no entanto, não chega a incomodar, mas pode ser um ponto negativo, pois a câmera principal fica desprotegida. Felizmente, a Xiaomi envia uma capinha de silicone na caixa, o que deve ajudar até comprar uma proteção mais robusta.

O Mi 11 tem um visual bastante único que destaca o grande sensor de 108 MP (Imagem:

Com relação à construção, a tampa traseira é de vidro com tecnologia Gorilla Glass 5, enquanto a tela é revestida pela solução mais resistente da Corning, o Gorilla Glass Victus. A diferença em relação ao revestimento faz sentido, já que o aparelho foi projetado para ser uma versão mais “acessível” do Mi 11 Ultra — obviamente, não cheguei a jogá-lo no chão para testar sua resistência, mas ele não deve ser muito frágil.

O Xiaomi Mi 11 tem um design diferenciado que confere um aspecto único ao aparelho, principalmente devido ao bloco de câmeras com três níveis de volume.

Os cantos, tanto frontal quanto traseiro, são levemente curvados, mas felizmente não há toques acidentais nas laterais do aparelho. Além disso, as bordas curvas deixam o celular mais fino do que parece, deixando a pegada mais gostosa e reforçando o visual premium.

  • Dimensões: 164,3 x 74,6 x 8,1 mm;
  • Peso: 191 gramas.

Conexões e slots

O Mi 11 é compatível com as redes 5G tanto na faixa Sub-6 Ghz, a mais comum, quanto a mmWave. Aqui no Brasil, enquanto o 5G não chegar de forma oficial, o smartphone suportará o chamado "5G DSS", uma tecnologia que permite o compartilhamento das frequências do 4G LTE com os usuários de 5G (leia mais).

Por se tratar de um smartphone topo de linha, pode-se esperar pelo melhor conjunto de conexões disponível no mercado. Isso inclui: Bluetooth 5.2, NFC (Near Field Communication) para pagamentos por aproximação e USB-C 3.1 para carregamento e transferência de dados. Além disso, o celular é um dos poucos do mercado a trazer um emissor infravermelho para controlar outros dispositivos.

A gaveta para chips de operadora está localizada na lateral inferior do aparelho e traz dois slots, característica padrão em smartphones no Brasil. Entretanto, infelizmente não será possível estender o armazenamento com um cartão de memória.

O Mi 11 não possu conector P2 de 3,5 milímetros (mm) para fones de ouvido, característica que vem sendo adotada por cada vez mais smartphones premium — aqui, pelo menos, a Xiaomi envia um adaptador USB-C para 3,5 mm na caixa.

Tela

A experiência multimídia do Mi 11 é uma das melhores que já tive em um smartphone. A tela traz 6,81 polegadas, ou seja, é muito grande, porém entrega uma resolução Quad HD+, a mesma presente no poderoso Galaxy S21 Ultra. Aliada à tecnologia AMOLED e ao suporte a um bilhão de cores (10-bit), temos uma reprodução de cores excelente, sem contar com um brilho bastante intenso e definição ótima.

Tela do Mi 11 é uma das melhores que já testei em um smartphone (Imagem: Ivo/Canaltech)

O topo de linha também conta com taxa de atualização adaptativa de 120 Hz, isto é, ele consegue adaptar-se ao conteúdo exibido na tela e aumentar ou diminuir a quantidade de vezes que o display é atualizado por segundo. Esse recurso beneficia principalmente jogos compatíveis, pois dá mais fluidez à jogatina, mas o próprio sistema traz animações e navegação mais suaves.

Além de tudo isso citado acima, que já o configuraria como um celular topo de linha, a Xiaomi incluiu suporte ao padrão HDR10+, que aprimora a precisão de cores, brilho e contraste em conteúdos compatíveis, e uma série de recursos feitos por inteligência artificial: o MEMC, por exemplo, adiciona quadros adicionais em vídeos de baixa qualidade para melhorar a reprodução das imagens; já o chamado “aprimoramento de HDR por IA” processa vídeos usando efeitos de HDR para destacar mais os detalhes em áreas claras e escuras.

Um detalhe relativamente simples, mas que vale mencionar, é a tela ligeiramente curvada com cantos mais arredondados do que o normal, dando ao Mi 11 uma espécie de "sobrancelha". Li em análises gringas que isso seria um ponto negativo, ainda mais se considerarmos que os concorrentes vêm tentando tirar cada vez mais o excesso de bordas. Durante os testes, no entanto, esse detalhe não foi um problema.

Cantos da tela mais arredondados deixam uma espécie de sobrancelha (Imagem: Ivo/Canaltech)

A tela do Mi 11 é equipada, ainda, com um sensor para desbloqueio por digitais. Diferentemente do S21 Ultra, que traz um hardware ultrassônico, a peça do celular da XIaomi é óptica, portanto a rapidez da leitura não é um dos destaques. O reconhecimento, no entanto, teve um desempenho muito bom.

Configuração e desempenho

Quando o assunto é desempenho, o Mi 11 é equipado com o poderoso Snapdragon 888, ou seja, não há nada disponível na Play Store que ele não consiga rodar. Durante os testes, aplicativos de redes sociais, realidade aumentada e produtividade não apresentaram nenhum problema de desempenho, seja lentidão, engasgos ou travamentos.

Em jogos, como Dead By Daylight, Genshin Impact, Asphalt 9, Free Fire, PUBG e Call of Duty, o smartphone da Xiaomi também rodou com qualidade alta mesmo com os gráficos no máximo. No entanto, notei que a tampa traseira, principalmente na região das câmeras, esquentou um pouco durante as jogatinas, mesmo contando com um sistema de resfriamento interno robusto, diga-se.

O modelo que testamos possui 8 GB de RAM e 128 GB de armazenamento, mas o Mi 11 vendido no Brasil conta com 256 GB de memória, o que considero uma opção padrão em smartphones premium. Na gringa, o celular também pode ser encontrado com 12 GB de RAM.

A combinação é suficiente para aguentar vários aplicativos abertos simultaneamente? Sim. Entretanto, o Galaxy S21 Ultra 5G, seu principal concorrente aqui no Brasil, já conta com 12 GB de RAM na configuração inicial, além de versões com até 512 GB de armazenamento. O ideal seria se o Mi 11 vendido no Brasil possuísse 12 GB ou 16 GB de RAM, principalmente considerando o seu preço salgado.

Software e interface

Um dos principais pontos positivos do Mi 11 é a interface MIUI 12.5, baseada no Android 11. O software personalizado possui ícones amigáveis, animações suaves e elementos minimalistas, o que agrada. A gaveta de aplicativos, por sua vez, se destaca por agrupar os programas de acordo com sua categoria, como comunicação, entretenimento, fotografia, compras e jogos.

A interface da Xiaomi também possui uma série de opções de personalização, indo desde a mudança de fontes e ícones à alteração da animação do desbloqueio por digital, opção incomum entre as skins mais populares. Uma polêmica que vem rondando a MIUI é a adoção de propagandas na interface, porém, felizmente, durante os testes não percebi nenhum anúncio surgindo ao navegar pelo sistema.

Câmera

O grande foco do Mi 11 é o seu conjunto fotográfico e suas capacidades de vídeo. No total, são três câmeras traseiras, com destaque para o supersensor de 108 MP. As outras duas são mais simples, mas, ainda assim, têm suas qualidades: há uma ultrawide de 13 MP e uma telemacro de 5 MP. Para selfies, há um sensor frontal de 20 MP.

Câmera principal

A estrela do conjunto fotográfico do Mi 11 é o sensor de 108 MP, mas ele não faz todo trabalho sozinho. O dispositivo junta quatro pixels em um para produzir fotos de 27 MP com mais nitidez, contraste e brilho, algo especialmente útil em ambientes mais desfavoráveis como iluminação precária ou luz contrária.

Em ambientes com boa iluminação, as fotos com o sensor principal possuem altos níveis de detalhes, ótima reprodução de cores e balanço de branco preciso. Também é possível fotografar utilizando a máxima resolução do sensor, mas não há muito tratamento por software nesse modo.

Modo noturno

O modo noturno do Mi 11 é outro destaque graças à combinação acertada do processador de sinal de imagem do chip Snapdragon 888 com as modificações por software da própria Xiaomi. Em ambientes noturnos, os ruídos são mais controlados, a definição é mantida e as cores tendem mais para o frio, o que agrada.

Modo retrato

Mesmo com a ausência de um sensor dedicado para medição de profundidade, o modo retrato do Mi 11 é excelente, destacando o objeto principal sem falhas nos contornos e mantendo o desfoque de fundo natural.

Câmera ultrawide

O sensor ultrawide de apenas 13 MP mantém parte dos elogios feitos à câmera principal: a definição não é muito alta, mas as cores são bem presentes e o alcance dinâmico é balanceado. Em ambientes noturnos, nota-se uma ligeira perda de detalhes e excesso de ruídos, embora os resultados no geral não tenham sido ruins para a categoria.

Câmera macro

Nunca fui muito fã de câmera macro em smartphones, pois, geralmente, as fotos não são nada boas para justificar preço mais alto por ela. No entanto, o Mi 11 me fez mudar esse pensamento e se tornou o padrão do que se esperar ao fotografar objetos mais próximos.

Mesmo com apenas 5 MP, resolução igual a de alguns intermediários, as imagens possuem uma definição muito boa, as cores são vivas e o software da câmera, inclusive, já deixa o fundo desfocado. Além disso, por ser uma lente telemacro, não é preciso chegar muito perto para conseguir fotografar os objetos, ajudando a diminuir a incidência de sombras.

Vídeo

Com o slogan “O cinema em suas mãos”, a Xiaomi deu bastante destaque para as capacidades filmadoras do Mi 11. De fato, ele faz vídeos em 4K a 60 quadros por segundos (fps) com muita qualidade e estabilidade, principalmente em ambientes com boa luz, além de gravações em até 8K a 30 fps — poucas pessoas usam, mas vale mencionar. Ainda assim, não é nada tão inédito no mercado, já que tanto o iPhone 12 Pro Max quanto o Galaxy S21 Ultra também entregam ótimos resultados.

Em cenários com iluminação desafiadora, o software dispõe do modo noturno para vídeos, que, de fato, melhora a estabilidade e o brilho das gravações, mas os ruídos são bastante presentes.

Onde a Xiaomi se destaca em relação aos concorrentes é nos recursos “profissionais” de vídeo a apenas um clique. O "zoom mágico", por exemplo, recorta e faz um efeito de aproximação apenas do fundo; já o timelapse noturno permite fazer gravações em alta velocidade à noite sem perda de qualidade. Me agrada o fato de ter essas opções disponíveis, mesmo que não as utilize com frequência.

Selfies

Em selfies, o sensor de 20 MP também não faz feio, entregando ótima definição e cores vivas. Nas fotos com o modo retrato ativado, percebi que o pós-processamento adicionou um filtro de embelezamento na região do rosto, mas não chegou a incomodar.

Um ponto negativo que vale comentar sobre a câmera frontal é o suporte apenas a gravações em até 1080p a 60 fps, enquanto seus principais concorrentes já suportam vídeos em 4K a 60 fps. Apesar dessa limitação, a qualidade das filmagens é boa, mas somente em ambientes bem iluminados, pois o aparelho sofre em cenários noturnos.

Áudio

Além da qualidade de tela excelente, o sistema sonoro do Mi 11 é um dos melhores que já tive a oportunidade de testar. Ele traz dois alto-falantes localizados nas laterais superior e inferior do aparelho, diferente de outros modelos que trazem a segunda saída de som onde geralmente sai o áudio das chamadas. O hardware é certificado pela Harman Kardon, uma referência quando o assunto é som.

Em músicas mais agitadas, como Smile, da banda Wolf Alice, foi possível distinguir todos os instrumentos e as vozes sem exageros, mesmo no volume máximo — que, por sinal, é bastante alto. Aqui, os agudos e graves são muito bem definidos e equilibrados, resultando em um som encorpado, mas, ao mesmo tempo, balanceado. Já em vídeos sem músicas ou transmissões ao vivo, onde as vozes geralmente se sobressaem, há bastante definição e potência.

Bateria

Naturalmente, o processador esquentado e os recursos premium do Mi 11 não trazem só benefícios. Como comentei acima, em jogos o smartphone tende a esquentar um pouco na região das câmeras, resultando em um maior consumo de energia. Com apenas 20 minutos de Dead By Daylight, por exemplo, com os gráficos no máximo, resolução de tela Quad HD+ e 120 Hz de taxa de atualização, os 4.600 mAh do celular reduziram em 15%, um consumo bastante alto.

Reproduzindo um dia normal de uso, no entanto, com 20 minutos de redes sociais, 40 minutos de reprodução no YouTube, 45 minutos de transmissões na Twitch e finalizando com um filme na Netflix de 1h30 de duração, o Mi 11 saiu de 100% para 65%, o que é uma autonomia muito boa. No dia a dia, o Mi 11 deve dar conta de pouco mais de um dia de utilização mesmo com a tela em 120 Hz e resolução Quad HD+, podendo chegar até o segundo dia no modo de economia de energia.

Com relação ao carregamento, o Mi 11 supera todos os concorrentes ao contar com um carregador de incríveis 50 watts (W) de potência, mais rápido que os 25 W do Galaxy S21 Ultra e os 20 W do iPhone 12 Pro Max (que nem sequer vem na caixa). Durante os testes, o smartphone conseguiu sair de 10% a 100% em cerca de 45 minutos, conforme prometido pela Xiaomi.

Concorrentes diretos

No Brasil, Samsung e Apple dominam o segmento de smartphones premium tranquilamente, mas a Xiaomi é atualmente a única que tenta alcançar as líderes, mesmo que sem muito sucesso. A chinesa geralmente demora para trazer suas novidades para cá e, quando lança, o preço não é nada convidativo, dando margem para outros produtos se estabelecerem.

O lançamento do Mi 11 no mercado chinês, por exemplo, aconteceu em dezembro de 2020, enquanto outras regiões o receberam em fevereiro deste ano. Por aqui o dispositivo chega quase seis meses depois, quando modelos como Galaxy S21 Ultra 5G e iPhone 12 Pro Max já estão estabelecidos no mercado e com preços mais “em conta”.

Além disso, vale mencionar que o Mi 11 não traz muitos destaques em relação aos rivais que justifiquem a sua escolha; tanto o Galaxy S21 Ultra 5G quanto o iPhone 12 Pro Max também possuem ótima qualidade de tela, desempenho excelente, câmeras competentes e construção robusta. O Mi 11 Ultra, seu irmão mais potente, seria um rival mais à altura dos modelos de Samsung e Apple.

Conclusão

O Mi 11 é um smartphone com pouquíssimos defeitos: sua tela é uma das melhores que já testei; o processador Snapdragon 888 roda todos os aplicativos e jogos da Play Store com ótima qualidade; seu design é lindo e único; o conjunto fotográfico é excelente; e a MIUI é um grande acerto, trazendo muitas opções de personalização.

(Imagem: Ivo/Canaltech)

Os dois problemas principais do Mi 11 são o preço e o posicionamento: na data de publicação desta análise, o smartphone poderia ser encontrado por R$ 7.999, na loja oficial da Xiaomi, na versão com 8 GB de RAM e 256 GB de armazenamento interno. Por esse valor, já seria possível encontrar os cobiçados iPhone 12 Pro Max (128 GB) e Galaxy S21 Ultra, com 12 GB de RAM e 256 GB de memória, e ainda sobrar dinheiro para o carregador.

Digamos que o lançamento tardio e caro do Mi 11 no Brasil foi um pouco injusto. Na gringa, o smartphone foi apresentado como um poderoso mais acessível, sendo, inclusive, melhor em muitos aspectos quando comparado com os modelos iPhone 12 e Galaxy S21, seus reais concorrentes. Aqui no Brasil, o aparelho subiu um patamar e comprou uma briga sem chances de vitória que seria perfeita para o seu irmão mais potente, o Mi 11 Ultra.

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