5G DSS | O que é e como funciona a "nova geração" da rede disponível no Brasil

5G DSS | O que é e como funciona a "nova geração" da rede disponível no Brasil

Por Felipe Junqueira | 19 de Julho de 2020 às 11h00
Ravi Kayden/Unsplash

O leilão de frequências para o 5G no Brasil ainda está longe de acontecer, mas as operadoras começam a dar um jeitinho de oferecer velocidades maiores a clientes que comprarem celular com suporte à tecnologia. A solução é apenas temporária e não atende a qualquer smartphone 5G, além de não oferecer todas as vantagens da nova geração de redes móveis.

O Canaltech conversou com Mário Moura, professor e diretor de TI do IGTI (Instituto de Gestão e Tecnologia da Informação), sobre a questão para compreender melhor a diferença entre o 5G DSS oferecido no Brasil e a rede 5G real. De acordo com o especialista, o que as operadoras brasileiras oferecem simplifica o processo de distribuição da nova tecnologia, mas não chega a ser um 5G de fato.

“O 5G DSS é uma tecnologia que permite o compartilhamento das frequências do 4G LTE com os usuários de 5G. Guardadas as devidas proporções é como se carros e locomotivas pudessem compartilhar as mesmas estradas otimizando o investimento já realizado e permitindo maior flexibilidade para clientes e operadoras”, explicou Moura.

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Com isso, as operadoras brasileiras não entregam uma experiência completa da quinta geração de redes móveis, apesar de entregarem mais velocidade e até latência menor na comparação com o 4G. São “atualizações de software e ajustes na configuração dos elementos da rede que já compõem a sua infraestrutura 4G LTE”, esclareceu o especialista. Ou seja, quem tem um telefone compatível pode usufruir da rede mais rápida do 5G DSS, mas essa não é uma experiência real tal qual a existente em países como China ou EUA.

Motorola Edge é o único celular compatível com 5G DSS do Brasil, por enquanto (Foto: Reprodução/5G.co.uk)

Moura alerta que, para chegar ao nível desses países que já realizaram o leilão e começam a implementar o 5G, será necessário muito investimento, inclusive de novos equipamentos. “A adoção completa da rede 5G com velocidades próximas a 1 Gbps demandará massivos investimentos em novas frequências e equipamentos para que possa ser utilizada integralmente”, explicou.

“No Brasil, ainda não está definido o padrão a ser adotado. Espera-se para 2021 a licitação das novas frequências”, observou Moura, que ainda citou a indefinição sobre a participação ou não da Huawei no leilão do 5G, previsto para o próximo ano.

“Um ponto de atenção é a guerra comercial entre Estados Unidos e China para o provimento do backbone 5G em diversos países incluindo o Brasil. Este movimento pode gerar atrasos na definição do padrão a ser adotado aqui”, salientou.

Rede disponível não basta

Outro ponto que devemos ter em mente é que não basta ter uma rede 5G DSS disponível em nossa cidade para desfrutar da internet móvel mais veloz: precisamos ter um celular compatível em mãos. E não é qualquer smartphone com 5G.

“O cliente deverá adquirir um celular que suporte as frequências de 5G e 5G DSS para ter acesso a ambas as redes. O espectro de frequências varia entre os países”, constatou o especialista do IGTI. Esse ponto é importante, pois smartphone 5G é um investimento alto, que pode não compensar mais para a frente. “Celulares 5G comprados fora do Brasil poderão não ser compatíveis com o padrão a ser licitado aqui”, alertou Moura.

Ou seja: para aproveitar o 5G DSS, é necessário ter a rede disponível em sua cidade e um celular compatível com a frequência utilizada pela sua operadora ao mesmo tempo. Em resumo, talvez não seja hora de pensar em investir pesado em um smartphone 5G para usar no Brasil, e isso mesmo que você pense no longo prazo, já que não sabemos ainda qual será o padrão utilizado por aqui.

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