Review Motorola Moto G71 | No caminho certo

Por Felipe Junqueira | Editado por Léo Müller | 24 de Fevereiro de 2022 às 18h02
Ivo Meneghel Jr/ Canaltech

O Moto G71 é um dos primeiros celulares da linha mais popular da Motorola a adotar tela OLED, em vez da IPS LCD. Com processador intermediário e suporte ao 5G, o dispositivo é um dos mais interessantes da série desde o Moto G100.

O smartphone foi lançado no início de 2022 por R$ 3.000 e tem como destaque a possibilidade de resolver um dos principais problemas de outros Moto G: com a tela OLED, o brilho pode ser confortável para usar na rua, e o contraste para reprodução de vídeos pode ficar bem melhor.

Eu testei o Moto G71 por alguns dias e trago aqui uma análise completa de todas as principais características do dispositivo. E respondo se a tela realmente ficou melhor que outros modelos da linha.

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Prós

  • Tela OLED com brilho intenso
  • Bom desempenho
  • Suporte ao 5G
  • Bateria para o dia todo

Contras

  • Câmeras ultrawide e macro muito escuras
  • Pouca atualização de sistema
  • Som mono

Design e Construção

  • Dimensões: 161,2 x 73,9 x 8,5 mm
  • Peso: 179 gramas

O Moto G71 não tem nada demais em design e construção. É um celular intermediário com laterais e traseira em plástico e tela com furo centralizado no topo para a câmera frontal. Há quatro botões na lateral esquerda, sendo um para o Assistente do Google, além dos de volume e energia.

Atrás, as três câmeras ficam em um retângulo com laterais arredondadas, e o leitor de impressão digital fica mais ou menos no centro, um pouco abaixo dos sensores fotográficos.

O dispositivo poderia ter aproveitamento frontal um pouco maior, por trazer tela OLED. São cerca de 83% de ocupação da tela, uma faixa razoável, e um pouco abaixo da média de smartphones com a mesma tecnologia.

Na parte inferior, você encontra um conector P2, para fones de ouvido, um USB-C, para o cabo de dados e energia, e a saída de som. A gaveta de chips tem um espaço exclusivo para nano-SIM e um segundo híbrido, para colocar outro chip de operadora ou um cartão microSD.

Tela

  • Tamanho: 6,4 polegadas, 98,9 cm² de área, ~83,0% de ocupação;
  • Tecnologia do painel: OLED;
  • Resolução e proporção: Full HD (1080 x 2400 pixels), 20:9;
  • Densidade aproximada: 411 pixels por polegada.

Finalmente uma tela OLED na linha Moto G. O Moto G71 chegou ao Brasil junto com o G31, que também tem esta tecnologia de painel. Com ela, os aparelhos são capazes de alcançar brilho mais alto que seus antecessores, além de oferecer contraste mais marcante, graças ao preto profundo entregue por pixels realmente apagados.

É uma tela muito boa para um celular intermediário, com resolução Full HD que garante ótima densidade de pixels. A imagem é nítida, sem serrilhados ou falhas visíveis e cores com boa calibragem. O branco é bem limpo, sem aquele tom amarelado que pode ser notado em alguns painéis OLED.

Tela OLED do Moto G71 tem preto profundo (Imagem: Ivo Meneghel Jr/Canaltech)

Apesar de o brilho não ser tão intenso quanto outros aparelhos com painel OLED, o Moto G71 tem visibilidade melhor sob a luz do sol que modelos com IPS LCD. De resto, está dentro do que podemos esperar para smartphones intermediários, sem deixar nada a desejar.

Só faltou a taxa de atualização aumentada, já que o padrão da indústria de smartphones em 2022 é de telas com 90 Hz ou mais. O Moto G71 tem um display com a frequência padrão de 60 Hz — o que não está ruim, mas pode ser considerada uma desvantagem.

"A tela é o maior destaque do Moto G71, com imagem nítida, ótimo contraste e brilho em intensidade confortável para usar na rua."

— Felipe Junqueira

Configuração e Desempenho

  • Sistema operacional: Android 11;
  • Plataforma: Qualcomm Snapdragon 695 5G (6 nm);
  • Processador: Octa-core (2x 2,3 GHz Kryo 660 Gold + 6x 1,7 GHz Kryo 660 Silver);
  • GPU: Adreno 619;
  • RAM e armazenamento: 6/128 GB.

À primeira vista, o Moto G71 pode parecer menos poderoso do que o Moto G60. Afinal, possui a plataforma Snapdragon 695, contra o chipset Snapdragon 732G do modelo que, de certa forma, podemos considerar seu antecessor. Mas não é bem assim que funciona.

Dá para notar que o G71 se sai melhor que o G60 tanto nos resultados de benchmarks quanto no uso real. Ambos aguentam rodar jogos pesados com alguma redução gráfica em alguns dos títulos mais exigentes, como Genshin Impact e afins. Mas mesmo um Asphalt 9 roda muito bem nos dois celulares da Motorola, mesmo com qualidade alta.

Resultados do Moto G71 no 3D Mark (Imagem: Felipe Junqueira/Canaltech)

A pontuação no 3D Mark também indica a boa potência do Snapdragon 695, com pontuação um pouco mais alta que o 732G. Foram 1.202 pontos com 7,2 fps no teste Wild Life Unlimited, contra 1.113 pontos e 6,7 fps da plataforma da série 700 da Qualcomm.

A vantagem do Snapdragon 695 começa com o suporte ao 5G, ausente no 732G, e segue no processo de fabricação. O chip é construído em litografia que consegue utilizar mais transistores em menos espaço. Ou seja, ele é menor, portanto mais eficiente energeticamente, além de ter arquitetura de núcleos mais avançada.

"O Moto G71 tem processador e GPU com bom poder de fogo, mas tenha em mente que é um celular intermediário. Ele vai aguentar processos simples com folga, mas não chega a entregar processamento gráfico de um topo de linha. Para quem não é muito exigente, consegue rodar boa parte dos games disponíveis na Play Store."

— Felipe Junqueira

Usabilidade

A Motorola instalou o Android 11 de fábrica no Moto G71, e só garante uma atualização de sistema. Ou seja, ele vai receber o Android 12 e para por aí. Este ainda é o principal ponto fraco da linha Moto G em relação à concorrência.

A interface segue bastante limpa, com praticamente apenas as funções e aplicativos mais básicos exigidos pelo Google para certificar um celular. Porém, a Motorola ainda adiciona recursos como os gestos de ligar lanterna ou abrir a câmera, e o Moto Tela, que acende o display ao receber notificações.

Câmeras

  • Principal: 50 MP, abertura f/1.8, auto foco;
  • Ultrawide: 8 MP, abertura f/2.2, 118°;
  • Macro: 2 MP, abertura f/2.4;
  • Selfies: 16 MP, abertura f/2.2;
  • Vídeos: 1080p a até 30 fps.

A qualidade da captação de fotos e vídeos costuma ser um problema nos celulares da Motorola.

O Moto G71 não foge disso, mas ao menos entrega boas fotografias em ambientes bem iluminados, e consegue manter bom nível de detalhes mesmo em locais com pouca luz. Isso, claro, com seu sensor principal de 50 MP.

Curiosamente, o modo noturno pode entregar imagem com mais granulado e áreas estouradas do que uma foto com pouca luz no modo automático, dependendo da fonte de iluminação.

No geral, só achei que o aparelho peca um pouco nas cores, que poderiam ser um pouco mais vívidas. Mas aí é questão de gosto pessoal, e nada que uma leve editada não resolva.

As outras duas lentes, uma super grande-angular e outra macro, fazem trabalho apenas razoável, mesmo com boa iluminação.

O contraste é muito exagerado na ultrawide, e áreas escuras perdem detalhes. Na macro, é um pouco trabalhoso acertar a distância focal e conseguir a imagem com destaque na área certa do objeto.

Selfies

A câmera frontal não consegue fotos com tanta claridade quanto a principal. As cores são precisas, e com o HDR automático dá para obter uma boa faixa dinâmica, sem perda de detalhes no seu rosto e nem no fundo da imagem.

Câmera frontal faz boas selfies em modo retrato (Imagem: Felipe Junqueira/Canaltech)

Com o modo retrato, no entanto, o HDR é ignorado, e aí o fundo pode ficar estourado. Não que seja um problema, já que você quer dar um destaque maior ao seu rosto e ignorar o cenário ao seu redor.

Com pouca luz, o Moto G71 pode fazer correção com uso de inteligência artificial, mas eu não achei o resultado muito melhor que a foto original.

Melhor usar o flash, que nada mais é do que a tela iluminada na hora de tirar a foto. Isso ao menos garante que o seu rosto tenha iluminação um pouco mais forte e bem distribuída.

Gravação de vídeo

O Moto G71 está limitado à gravação de vídeos em 1080p nas câmeras principal, ultrawide e frontal. A qualidade é razoável, e o ponto forte é a estabilização da imagem.

O áudio tem boa qualidade, mas o microfone pega bastante ruído externo, como vento ou carros passando na rua, mesmo que a boa distância.

É possível trocar entre as lentes principal e super grande-angular durante a captação, mas a imagem dá alguns “saltos” durante a transição, que não demora mais de um segundo.

Sistema de Som

O Moto G71 tem sistema de som mono, assim como todos os modelos da linha Moto G atuais. O alto-falante tem boa potência, mas pode ser prejudicado pela sua posição: fica na parte inferior, onde geralmente você apoia a mão ao segurar o aparelho na horizontal.

O problema disso é que fica um pouco ruim para jogar ou assistir a filmes e vídeos. Sua mão abafa o som, que pode ficar inaudível. Uma alternativa é aproveitar a entrada de fone de ouvido para ter um áudio melhor, ou mesmo usar um fone TWS que você tenha por aí.

Bateria e Carregamento

  • Capacidade de carga: 5.000 mAh;
  • Recarga: até 33 W.

Com uma bateria de 5.000 mAh, o Moto G71 se iguala à maioria dos celulares intermediários da atualidade. Não se trata de uma “superbateria” como informado pela fabricante, mas não é ruim e entrega um bom tempo de uso.

O teste de reprodução de vídeo teve um resultado muito bom, com estimativa de 23 horas na Netflix, com o brilho da tela em 50%.

Para efeito de comparação, o Moto G60, com 6.000 mAh, ficou com previsão de 27 horas no mesmo teste. Sinal de que o chipset mais econômico e a tela OLED ajudam a reduzir o consumo, já que a carga é menor no Moto G71.

Moto G71 terminou teste de uso real com 73% de carga (Imagem: Felipe Junqueira/Canaltech)

Já no teste de uso real, foram consumidos 27% em 9 horas de uso, uma média de 3 pontos percentuais por hora. E isso com a tela ativa durante 4 horas, seguindo mais ou menos o padrão em meus testes de bateria. Além disso, foram usados jogos, redes sociais e reprodução de vídeo, além de apps comuns do dia a dia.

Esse consumo deve ser maior com a rede móvel ativa por mais tempo (eu fiquei majoritariamente no Wi-Fi) e mais apps instalados no aparelho. Ainda assim, foi um resultado muito bom, que indica um período superior a um dia longe da tomada.

Falando nisso, com o carregador de 33 W, o Moto G71 recarrega a bateria em uma velocidade surpreendente. Dá para fazer a recarga de 0% até 100% em pouco mais de uma hora.

Concorrentes Diretos

Você tem duas opções da própria Motorola para pesquisar antes de decidir pelo Moto G71.

O primeiro é o Moto G60, que pode ser considerado seu antecessor. As vantagens são seu preço mais baixo, entre R$ 1.500 e R$ 2.000, bateria maior e câmeras de melhor qualidade. Mas ele tem tela IPS LCD, processador um pouco menos potente e sem 5G.

A outra opção é o Edge 20, que tem características bem parecidas, com processador mais potente e câmeras melhores. Porém, a bateria é menor. O preço dele fica na faixa de R$ 2.200 a R$ 2.600, e pode ser mais interessante enquanto o Moto G71 não fica mais em conta.

De outras marcas você tem o A52s, também mais potente e com câmeras melhores, mas bateria menor. O preço dele varia entre R$ 1.800 e R$ 2.200. O Poco M4 Pro também é uma opção parecida, mas tem tela IPS LCD. Seu preço fica entre R$ 1.600 e R$ 1.900.

Motorola Moto G71: vale a pena?

Um celular intermediário equilibrado, com grande destaque para a tela OLED. Este é o Moto G71, uma boa aposta da Motorola para tentar voltar a ganhar terreno no competitivo mercado nacional.

Tirando as câmeras, que têm qualidade inferior a modelos concorrentes da Samsung, e as poucas atualizações de software, não tem muitos pontos fracos.

Por outro lado, ele também não tem muitos pontos fortes. A tela OLED já é utilizada pela Samsung até mesmo em celulares de categoria inferior. O processador é potente, mas não bate de frente com outros intermediários interessantes que tem no mercado. A bateria tem boa duração, mas não é nada de outro mundo.

Sendo assim, o Moto G71 é um celular confiável para quem gosta da Motorola. Não dá para convencer quem já tem um Samsung e mudar da sul-coreana neste momento, mas é possível tentar evitar perder consumidores para as chinesas que começam a dar mais atenção ao Brasil.

O problema é o preço. O aparelho foi lançado a um valor alto, de R$ 3.000, e não baixou dos R$ 2.400 nos primeiros meses disponível no Brasil.

Para valer a pena, precisa ficar um pouco mais em conta que o Galaxy A52s, entre os R$ 1.500 e R$ 1.800. A estes valores, é uma opção muito interessante.