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Desértica e inabitável: assim será a Terra daqui a 250 milhões de anos

Por| Editado por Luciana Zaramela | 03 de Outubro de 2023 às 11h55

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Farnsworth, Scotese et al./Nature Geoscience
Farnsworth, Scotese et al./Nature Geoscience

Daqui a cerca de 250 milhões de anos, as massas terrestres do planeta se unirão em um grande supercontinente — Pangea Ultima —, mas cálculos científicos estimam que 92% do território será inabitável para os mamíferos, como nós. Isso é por conta da atividade vulcânica elevada e aumento exponencial do dióxido de carbono na atmosfera, deixando a Terra quente demais, desértica na região central e úmida demais nas extremos dos hemisférios.

Para calcular os níveis de dióxido de carbono que teremos no futuro, foram simuladas as tendências de umidade, chuva, vento e temperatura, além de modelos biológicos e geológicos de movimentação tectônica e química dos mares. O sol teria mais brilho, aquecendo mais a atmosfera, e a formação do grande continente, centralizado no Equador e abraçando o Oceano Atlântico, formaria uma série de vulcões ativos, expelindo CO2 em profusão.

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O último continente único na Terra foi a Pangeia, que se separou devido à deriva continental há cerca de 200 milhões de anos. O novo supercontinente Afro-Eurasiano deverá se juntar a partir do norte, criando um “U” invertido e deixando uma abertura para o Oceano Atlântico, agora interno, no extremo sul do grande continente.

Como será a Pangea Ultima?

A equipe de cientistas responsável pelo estudo calculou temperaturas acima de 40ºC para a maior parte da Terra do futuro. Seco e quente demais, o centro do supercontinente seria um deserto habitável apenas pelos mamíferos mais especializados nesse tipo de ambiente.

A falta de umidade também diminuiria a quantidade de dióxido de silício (sílica) que chega aos oceanos, o que ajuda a remover o CO2 da atmosfera. Em certas regiões, as temperaturas de 40ºC a 50ºC trariam umidade demais, impedindo que mamíferos percam calor através do suor, tornando o ambiente inabitável.

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A previsão é de que o sol seja 2,5% mais luminoso, trazendo radiação através de uma maior queima de seu hidrogênio e diminuição do centro, aumentando a taxa de fusão nuclear. Na pior das previsões, com CO2 a níveis de 1.120 partes por milhão (ppm), mais do que o dobro atual, apenas 8% do planeta seria habitável aos mamíferos, nas regiões polares e costeiras (e 16% nas estimativas mais otimistas). Atualmente, o número fica em cerca de 66%.

Com isso, uma extinção em massa de mamíferos, plantas e outras formas de vida ocorreria, a exemplo da última grande extinção, no final do período Cretáceo, há 66 milhões de anos. Essa previsão sequer leva em conta as emissões carbônicas causadas pelo ser humano — com isso na conta, veríamos um planeta inabitável muito mais rápido, o que não é uma desculpa para não nos importarmos com nosso impacto na natureza, lembram os cientistas.

Há esperança?

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Vale lembrar que os resultados são fruto de modelos científicos, mas preveem um futuro muito distante — não há como garantir, desde agora, que Pangea Ultima se forme na região central, podendo coalescer no Polo Norte, segundo outras previsões, ou pelo "outro lado" dos oceanos, como na previsão da Amásia. Na Pangeia e em outros supercontinentes, há evidências de desertos centrais, diminuindo a habitabilidade levando a extinções. É o que ocorreu no final do Triássico, há cerca de 200 milhões de anos.

Se os humanos ainda estiverem por aí daqui a 250 milhões de anos, talvez encontremos formas de nos adaptar aos desertos, indo para o subterrâneo ou preferindo a noite, por exemplo. Segundo os cientistas, no entanto, uma das melhores chances seria encontrar um planeta mais habitável. A equipe lembra que o planeta já viu extinções no passado e verá no futuro, então o evento é basicamente natural — embora seja brutal para as formas de vida.

Fonte: Nature, Nature Geoscience