Publicidade
Economize: canal oficial do CT Ofertas no WhatsApp Entrar

Cientistas coletam amostras para estudo do continente perdido da Zelândia

Por| Editado por Luciana Zaramela | 27 de Setembro de 2023 às 21h00

Link copiado!

NASA/Jasmin Moghbeli
NASA/Jasmin Moghbeli

Não é Atlântida, Lemúria ou Mu — há cerca de 23 milhões de anos, um oitavo continente ficou totalmente submerso no oceano, 60 milhões de anos depois de se separar do supercontinente da Gondwana. Falamos da extinta Zelândia, que foi descrita pelos geólogos como um continente por si só apenas recentemente, e da qual agora temos amostras.

A geologia similar entre Nova Zelândia e Nova Caledônia já era conhecida dos geólogos, mas foi só após anos de exploração e pesquisa que se percebeu que os dois arquipélagos compartilhavam bem mais do que isso. Ambos ficam acima da mesma massa terrestre submersa — geralmente, imaginamos continentes como porções de terra contínua, como América ou Ásia, mas, em 2017, uma massa submersa se juntou ao grupo, quando decidiu-se que a Zelândia seria melhor descrita como um continente próprio.

Como é a Zelândia?

Continua após a publicidade

A maior parte do continente zelandês está submerso, cerca de 94%, com exceção apenas da Nova Zelândia, Nova Caledônia e algumas ilhas menores. Há muito a ser descoberto sobre o “novo” continente, mas sabemos que sua crosta é mais fina do que a de seus colegas, embora seja mais espessa do que a crosta oceânica. Também sabemos que sua formação se deu na separação da Gondwana, quando a crosta se afinou e esticou.

Não sabemos, porém, a causa desse afinamento, objeto de estudo atual dos pesquisadores. Em um estudo publicado no periódico científico Tectonics, foram coletadas amostras dragadas da Zelândia para o mapeamento e modelagem do continente, e também para pesquisar eventuais anomalias magnéticas. Acredita-se que ele seja o primeiro continente a ter o embasamento, base sedimentar e rochas vulcânicas traçados até a fronteira oceânico-continental.

De acordo com os pesquisadores, o afinamento extensivo da crosta, que terminou com o afundamento da massa continental, ocorreu entre 100 milhões e 80 milhões de anos atrás, provavelmente enquanto era esticada em várias direções. Agora que já está quase toda submersa, há evidências de que a Zelândia já abrigou uma grande variedade de fauna e flora, já que foram encontrados esporos de pólen de plantas terrestres e conchas de animais de água rasa no fundo do oceano onde ficava o extinto continente.

Muitas espécies sobreviveram à separação continental, já que o megacontinente da Gondwana se dividiu entre África, América, Antártida, Arábia, Austrália, Índia e Madagascar. Agora que sabemos existir mais um continente nesse cálculo, muita coisa passa a fazer sentido.

Mudanças geográficas grandes no norte da Zelândia, que tem o tamanho aproximado da Índia, ajudam a explicar a dispersão de plantas e animais e sua evolução no Pacífico Sul, por exemplo. O continente perdido foi o “corredor” que permitiu às espécies viajar de um lugar do mundo para outro.

Fonte: Tectonics