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Crosta da Terra revela as sete eras de transformação do planeta

Por| Editado por Patricia Gnipper | 28 de Fevereiro de 2023 às 19h00

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American Museum of Natural History
American Museum of Natural History

A longa evolução da Terra através de seus 4,5 bilhões de anos está — quase literalmente — escrita em pedra: a própria crosta terrestre serve como um registro dos detalhes deste longo processo. Um artigo recente publicado na revista Reviews of Geophysics reconta a história do planeta a partir destes dados, identificando sete estágios marcados por diferentes acontecimentos geológicos e tectônicos.

Consistindo da crosta terrestre e da porção do manto superior logo abaixo dela, a litosfera corresponde a camada sólida mais externa do planeta. Nos continentes, ela é tipicamente dividida em três classes, de acordo com suas propriedades físico-químicas: os orógenos, as bacias sedimentares e as províncias ígneas. Estes primeiros, formações montanhosas e crátons — regiões de até 400 km de espessura, geralmente no centro de placas tectônicas — guardam os principais registros da evolução terrestre.

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As províncias ígneas, por sua vez, são regiões formadas por afloramentos superficiais do magma que está abaixo da litosfera, enquanto as bacias sedimentares são formadas por detritos de elementos pré-existentes e recobrem os outros componentes da litosfera.

As sete fases de evolução da Terra

O estudo divide as sete eras de evolução do planeta em períodos que duram centenas de milhões de anos. Elas são indicadas a seguir, do passado mais distante até o momento atual, em bilhões de anos (abreviado como Ga — giga anos).

  1. Proto-Terra — há cerca de 4,57 a 4,45 Ga
    Essa fase é caracterizada pelo resultado do acúmulo de partículas na nebulosa que deu origem a todos os planetas do sistema solar. Nela, foram formados os primeiros minerais e todo o material do planeta encontrava-se em um estágio “derretido”.
  2. Terra primordial — há cerca de 4,45 a 3,8 Ga
    A crosta começa a se solidificar, mas quase não há registros deste período, já que este material acabou destruído por meteoritos ou sendo “reciclado” — derretendo novamente e gerando novas rochas.
  3. Terra primitiva — há cerca de 3,8 a 3,2 Ga
    Com o progressivo resfriamento do planeta, inicia-se a formação em larga escala dos crátons que estão presentes hoje na litosfera e é nesse período que a terra firme aparece acima do nível do mar. Desgaste destas rochas também teve implicações na formação da atmosfera e na evolução química dos oceanos. Além disso, sedimentos do período começam a apresentar indícios de formas de vida terrestres primitivas.
  4. Terra juvenil — há cerca de 3,8 a 2,5 Ga
    O aumento na espessura dos crátons garante sua estabilização e permanência na Terra até hoje, formando a crosta continental. A exposição da crosta acima do oceano já é ampla ao redor do globo. A evolução da vida, por sua vez, segue se modificando, especialmente com a criação de novos habitats.
  5. Terra jovem — há cerca de 2,5 a 1,8 Ga
    Os crátons já estão estabelecidos em grandes continentes e as movimentações no magma abaixo da litosfera promove a deriva destes através da tectônica das placas. É importante observar que não foi durante toda a história da terra que estes movimentos no manto estiveram ligados a movimentos na crosta.
  6. Terra Média — há cerca de 2,5 a 0,8 Ga
    O período mostra uma relativa estabilidade no sistema terrestre, apesar dos movimentos tectônicos continuarem ocorrendo. Apesar de não terem sido mencionadas nas outras etapas, as formações de bacias sedimentares e províncias ígneas estão presentes já há bilhões de anos e são elas que ajudam a determinar os limites de cada um destes períodos.
  7. Terra Contemporânea — há cerca de 0,8 Ga até hoje
    Nota-se o início da formação de minerais mais jovens e a movimentação tectônica que dá origem à disposição atual dos continentes. O período também é marcado pelo desenvolvimento de complexas formas de vida animal e vegetal e fases glaciais que alteram significativamente a composição da atmosfera e da hidrosfera.
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Os cientistas responsáveis pela pesquisa pretendem continuar estudando o processo evolutivo do planeta. Seu foco agora está em como as primeiras atividades tectônicas se relacionam com os diferentes “depósitos de materiais” — litosfera, atmosfera, hidrosfera e biosfera. Além disso, eles aguardam amostras de missões espaciais em Marte, já que a superfície do planeta vermelho revela formações de fases evolutivas planetárias que são escassas na Terra.

Fonte: Reviews of Geophysic Via: Eos