Efeitos do asteroide que matou os dinossauros foram mais graves do que o sabido

Efeitos do asteroide que matou os dinossauros foram mais graves do que o sabido

Por Wyllian Torres | Editado por Patrícia Gnipper | 22 de Março de 2022 às 18h27
Reprodução/Chase Stone

O impacto do asteroide que levou os dinossauros à extinção causou uma mudança climática ainda mais severa do que se pensava, segundo estudo liderado pela Syracuse University. O enxofre, liberado após a colisão, teria resfriado o planeta e produzido uma chuva ácida letal por milhares de anos.

Há 66 milhões de anos, um enorme asteroide atingiu a Terra, liberando enormes quantidades de enxofre para a atmosfera, mas o novo estudo relata que o volume liberado foi bem maior do que o estimado por trabalho anteriores. Consequentemente, os efeitos sobre o clima global também foram mais duradouros.

O impacto do asteroide teria liberado uma quantidade bem maior de enxofre para a atmosfera do que se pensava (Imagem: Reprodução/12222786/Pixabay)

Uma vez na atmosfera, uma grande nuvem de gases com enxofre bloqueou a entrada dos raios solares, resfriando o clima por décadas e até mesmo séculos. Um efeito secundário foi uma chuva ácida letal, responsável por modificar a química dos oceanos por milhares de anos, conforme aponta a nova pesquisa.

A descoberta de que o enxofre continuou a cair sobre a superfície por um longo período explicaria o motivo pelo qual a vida levou tanto tempo para se recuperar, especialmente os organismos que habitavam os oceanos, uma vez que parte desse enxofre se concentrou neles.

Inicialmente, os pesquisadores planejavam estudar apenas a química de conchas antigas no Rio Brazos, no Texas, região submersa durante a extinção do final do Cretáceo, quando os dinossauros começaram a morrer. Esse material teria relação com o abalo do enorme asteroide. A 10 km do Rio Brazos, fica a cratera Chicxulub, na Península de Yucatán, no México, onde o asteroide de 10 km de largura atingiu a Terra há 66 milhões de anos, onde a equipe de pesquisadores decidiu também coletar amostras, submetendo o material a análises.

Península de Yucatán, no México, onde fica o que sobrou da cratera Chicxulub (Imagem: Reprodução/Tim Peake/NASA/ESA)

A equipe analisou os diferentes isótopos de enxofre — variações do elemento com números diferentes de nêutrons em seus núcleos — e observou um sinal incomum. Tais isótopos sofreram mudanças inesperadas em suas massas, algo que ocorre quando o enxofre alcança a atmosfera e reage com os raios solares.

James Witts, coautor do estudo, explica que encontrar esses sinais nas conchas coletadas na região do impacto sugere que muito enxofre foi lançado para a atmosfera após a colisão. “E isso, é claro, tem uma enorme implicação para as mudanças climáticas relacionadas ao impacto”, ressalta Witts.

Pesquisas anteriores estimaram que os aerossóis de enxofre que entraram na atmosfera variavam de 30 a 50 gigatoneladas. Uma vez lá, o enxofre se transformou em aerossóis de sulfato, resfriando o clima global entre 2 °C a 8 °C ao longo de décadas após o evento. No entanto, o novo estudo conclui que, uma vez que a quantidade de enxofre liberada do calcário na Península de Yucatán foi bem maior do que essas estimativas anteriores, a mudança climática teria sido mais severa, com efeitos de resfriamento e da chuva ácida ainda mais severos.

A pesquisa foi relatada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Fonte: PNAS, Via ScienceAlert

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