Como a Intel quer revolucionar os computadores com os AI PCs

Por Redação | 05 de Março de 2024 às 14h00

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Reprodução/Intel
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Em dezembro de 2023, a Intel apresentou sua nova família de processadores Intel® Core™ Ultra com a nova arquitetura Meteor Lake. Diferente de praticamente tudo que vimos no segmento de PCs domésticos nos últimos 20 anos, uma das maiores inovações do novo produto é a estreia das Unidades de Processamento Neural (NPUs), que também introduz o conceito de AI PCs, ou PCs com IA.

Efetivamente, os computadores equipados com as NPUs trazem a capacidade de realizar tarefas de Inteligência Artificial da infraestrutura de nuvem para máquinas locais. Inicialmente com notebooks e, em um futuro próximo, também em desktops e sistemas embarcados, será possível executar cargas de trabalho de IA, como chat bots, assistentes pessoais, geração de textos e imagens, sem sequer estar conectado à internet.

Em conversa exclusiva com o Canaltech, Ricardo Ferraz, Diretor de Produtos e Líder da Área de PCs da Intel Brasil, explica qual a importância da nova tecnologia e como ela pode revolucionar completamente a forma como utilizamos os computadores pessoais, com foco menos no "computador" e mais no "pessoal".

“Para ser chamado de um PC com Inteligência Artificial ele tem que levar essas três unidades de processamento: CPU, GPU e NPU. A outra pergunta que me fazem é ‘tá bom, mas por que Intel? Quais os diferenciais da Intel?’. Eu vou copiar a frase que uma amiga minha, que disse ‘olha, desde que a gente lançou o PC a gente tem trabalhado no C, do computer, melhorado o desempenho, frequência, consome menos, menor. Agora, com o AI PC, a gente está trabalhando no P, de personal‘. Vai ser muito mais focado em experiência do que antes”, explicou Ricardo Ferraz, Diretor de Produtos e Líder da Área de PCs da Intel Brasil

Por que a IA local é importante?

A pouca experiência que o consumidor doméstico já tem com IA, ainda que muito impressionante, apenas esbarra no potencial dessa ferramenta e, acima de tudo, a Inteligência Artificial é isto, uma ferramenta. Nesse aspecto ela não é nem boa, nem ruim, são os usuários que definem como utilizá-las.

Como toda ferramenta, é preciso entender nem tanto como ela funciona nos bastidores, mas definitivamente quais suas aplicações e como ela pode melhorar a nossa qualidade de vida. Seja otimizando nossa produtividade no trabalho, seja delegando tarefas mais mundanas, a intenção da Intel ao trazer a IA para os PCs é permitir que tenhamos mais tempo para investir no que realmente importa, como descanso e tempo com familiares e amigos.

“Estamos num momento que vai mudar muito a forma como a gente trabalha, a forma como a gente se comunica, como a gente colabora uns com os outros, como a gente cria... pode ser de vídeo, imagem, música, vai mudar muito. E eu costumo falar que a gente vai conseguir ter uma versão melhorada de nós mesmos através da tecnologia. Muita coisa que hoje você, não digo que você perca tempo, mas a IA vai otimizar demais seu tempo, a sua produtividade. Economia de 30%, 40% de tempo de trabalho, e vai sobrar tempo para aquilo que, de fato, é importante”, disse o executivo da Intel.

Como será a revolução dos AI PCs?

Pensando na aplicação real, são diversas as frentes nas quais a IA já é utilizada, mas por se tratar de aplicações principalmente em nuvem, os benefícios reais acabam limitados por questões de conectividade, segurança e diversos outros fatores. É importante lembrar que se um serviço digital é gratuito, geralmente o custo dele é a cessão dos direitos de uso de dados pessoais, pois os servidores remotos precisam ser custeados de alguma forma.

Sendo assim, utilizar um chat bot gratuito pode significar que todos os comandos, ideias, documentos e outras informações alimentadas àquele robô serão assimiladas. Com isso, nada impede que, eventualmente, elas sejam utilizadas por outros usuários, mesmo que eles não tenham intenção ou, sequer, consciência disso.

IA local é mais segura e pessoal

Por essa razão, colocar as ferramentas de IA em máquinas locais garante que apenas os dispositivos pessoais de um usuário tenham acesso às informações que ele utilizar em suas criações, pesquisas, ou otimizações de tarefas. Um criador de conteúdo, por exemplo, pode utilizar um assistente virtual de IA para fazer uma busca em suas produções recentes e identificar todos os temas que ele já cobriu sobre um assunto específico.

Em sequência, ao inserir sugestões de novos temas e outras informações, o mesmo assistente, já familiarizado com o perfil de vídeos desse usuário, pode auxiliar a criar o roteiro do próximo vídeo. Com um software de imagem compatível com IA, é possível inserir pontos-chave do roteiro e criar a capa do vídeo.

Já com um programa de áudio com funcionalidades de IA, é possível utilizar comandos sugerindo gêneros musicais, contextos específicos, instrumentos desejados e criar uma vinheta de abertura para o canal. É importante ressaltar que estamos nos referindo a essas possibilidades no presente porque elas já são uma realidade, até certo ponto.

A mesma lógica vale para pequenas empresas, que não dispõe do orçamento necessário para contratar serviços de IA em nuvem seguros, para permitir integrar dados sigilosos sem correr o risco de vazamentos. Trazer a IA para plataformas menores, locais ou na borda, garante que todos possam se beneficiar do potencial da IA, e não apenas as Big Techs com receitas de bilhões e trilhões de dólares.

AI PC é casamento de hardware e software

Ainda que em fase embrionária, muitas empresas já estão começando a lançar atualizações de seus softwares com IA, como o Audacity com extensão do OpenVINO, ou mesmo ferramentas do pacote Adobe. Segundo Ferraz, atualmente já são mais de 100 desenvolvedoras de software trabalhando com soluções Intel para desbloquear o potencial de IA dos novos Intel® Core™ Ultra, e a projeção é que até o final de 2024 sejam cerca de 300 aplicações adaptadas à Era da IA.

“Você só vai conseguir tirar proveito disso de tudo isso que eu falei de hardware se você tiver um software correto para isso. Mais do que nunca essa simbiose, esse conjunto, esse casamento de hardware e software, tem que ser o mais perfeito possível. E qual é a vantagem da Intel? Um dos nossos principais diferenciais é o DNA corporativo mesmo, de trabalhar em plataformas abertas. A gente não tem a nossa própria marca de PC, a gente trabalha para todos. É uma plataforma aberta, e a gente impulsiona esse ecossistema para que ele aconteça de verdade”.

Uma das maiores parceiras da Intel no momento é a Microsoft, que está investindo pesado para embarcar o assistente virtual Copilot (Copiloto) em seus produtos, desde uma implementação nativa no Windows, a usos específicos em serviços como o MS Teams, e MS 365.

A projeção de mercado é que até 2028, 80% dos computadores já sejam vendidos com IA embarcada, mas para alguns usuários, esperar 4 a 5 anos pode ser tempo demais. Os AI PCs com Intel® Core™ Ultra já são uma realidade em termos de hardware, e as soluções de software já estão começando a chegar. 

Adotar uma ferramenta tão poderosa mais cedo pode significar, já em 2024, otimizar produtividade, fechar novos contratos, expandir negócios, e garantir mais tempo para aproveitar as coisas realmente importantes da vida. Os primeiros notebooks com processadores Intel® Core™ Ultra chegam ao Brasil no início do segundo trimestre, com a maioria das marcas parceiras, inclusive brasileiras como a Avell, apresentando seus line-ups de AI PCs a partir do segundo semestre.