NASA e ESA ajustam parcerias para exploração da Lua e de Marte nos próximos anos

NASA e ESA ajustam parcerias para exploração da Lua e de Marte nos próximos anos

Por Wyllian Torres | Editado por Rafael Rigues | 15 de Junho de 2022 às 17h15
NASA

A NASA e a Agência Espacial Europeia (ESA) definiram detalhes de uma parceria para as futuras missões à Lua, pelo Programa Artemis, bem como para Marte, como a missão de retorno de amostras do planeta. Os detalhes fazem parte da agenda da Reunião do Conselho da ESA, na Holanda, que termina hoje (15).

A reunião contou com a presença do administrador da NASA, Bill Nelson, que ressaltou a importância da cooperação com a agência europeia para impulsionar a exploração da Lua nos próximos anos. Como exemplo, ele citou o Módulo de Serviço Europeu, desenvolvido pela ESA, uma parte fundamental da nave Orion.

A estação Lunar Gateway será um ponto de apoio aos astronautas que explorarão a Lua (Imagem: Reprodução/NASA)

A Orion será a principal nave usada pela NASA para enviar astronautas em segurança à Lua. O módulo de serviço garante à ESA o direito de enviar três de seus astronautas à superfície lunar e para a futura estação lunar Gateway — será a primeira vez que um astronauta europeu pisa na superfície lunar.

A ESA contribuirá com a entrega de carga e infraestrutura à superfície lunar com o European Large Logistic Lander (EL3), serviços de comunicação e navegação com o programa Moonlight, além da ciência e tecnologias relacionadas a exploração do satélite natural da Terra.

Impulsionando a economia lunar

Atualmente, a empresa britânica Surrey Satellite Technology (SSTL) desenvolve o Lunar Pathfinder, o primeiro satélite comercial de retransmissão de telecomunicações lunares para usuários terrestres. No ano passado, a ESA havia solicitado a compra dos serviços da SSTL.

Conceito artístico do Lunar Pathfinder (Imagem: Reprodução/SSTL)

Nos próximos anos, NASA e ESA combinarão os esforços. A agência norte-americana será responsável por entregar o Lunar Pathfinder à órbita da Lua através da iniciativa Commercial Lunar Payload Services, enquanto a agência europeia fornecerá à NASA o acesso às telecomunicações.

Outra colaboração exclusiva entre as agências realizará uma série de testes usando sinais de navegação por satélite e laser para demonstrar, pela primeira vez, uma correção de posicionamento de navegação a partir de um satélite na órbita da Lua.

Esta demonstração será fundamental para o programa Moonlight, cujo objetivo é estabelecer uma rede de satélites de comunicação e navegação que apoie a exploração lunar nos próximos anos — da mesma maneira que, na Terra, usamos sistemas de localização como o Galileo e GPS.

O diretor de Exploração Humana e Robótica da ESA, David Parker, disse que graças ao Memorando de Entendimento entre as duas agências espaciais “estamos capacitando a exploração lunar sustentável enquanto apoiamos as empresas comerciais europeias”.

Mirando Marte

A missão ExoMars, dedicada a procurar por sinais de vida antiga em Marte, estava programada para ser lançada no final deste ano, mas em março a ESA suspendeu a missão, que até então era desenvolvida em parceria com a agência espacial russa (Roscosmos), após a invasão da Rússia à Ucrânia.

O rover Rosalind Franklin buscará sinais de vida antiga no passado distante de Marte (Imagem: Reprodução/ESA/ATG medialab)

Agora, a ESA e NASA estão avaliando uma colaboração para concluir o desenvolvimento do rover Rosalind Franklin, elemento crucial da missão ExoMars. O rover funcionará como um laboratório móvel sobre a superfície de Marte e será usado para perfurar o solo marciano para experimentos.

A NASA forneceu os principais elementos para o instrumento de detecção de moléculas orgânicas, chamado MOMA, que estará a bordo do rover. Além disto, a agência estadunidense já usa os dados da sonda Trace Gas Orbiter (TGO), na órbita de Marte, para retransmissão de dados científicos de suas missões por lá.

Nelson, diretor da NASA, lembrou que o refinamento das parcerias para a exploração de Marte também incluiu a missão Mars Sample Return, dedicada a trazer amostras de solo marciano para a Terra. “Queremos obter o melhor retorno científico de nossos investimentos coletivos”, acrescentou Josef Aschbacher, diretor da ESA.

Os detalhes sobre os próximos passos com o rover Rosalind Franklin serão discutidos na próxima reunião de Conselho dos Estados-Membros da ESA, que acontecerá em julho.

Mantendo os “olhos” na Terra

As agências também assinaram o Acordo-Quadro que garante a Parceria Estratégica na Ciência do Sistema Terrestre para liderar uma resposta às mudanças climáticas da Terra. O objetivo é usar o monitoramento terrestre combinado às pesquisas de ciência do planeta para poiar esforços de adaptação às mudanças.

O acordo será a base para um futura colaboração internacional onde os dados de satélites de monitoramento terrestre sejam usados da melhor maneira possível, tanto para aprofundar a ciência nesta área quanto para o benefício da humanidade. A parceria também incentiva a colaboração política para a exploração dos dados.

Fonte: ESA

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