Rover marciano da ESA homenageia Rosalind Franklin, a "mãe" do DNA

Por Patrícia Gnipper | 07 de Fevereiro de 2019 às 20h39
ESA

A agência espacial europeia (ESA), junto com a Roscosmos (agência espacial da Rússia), vem desenvolvendo o projeto ExoMars, que enviará um rover à superfície de Marte em 2020 com o objetivo principal de buscar por assinaturas de vida. Agora, o rover foi batizado com o nome de Rosalind Franklin, a injustiçada "mãe" do DNA.

O veículo de seis rodas está sendo montado pela Airbus no Reino Unido, equipado com instrumentos científicos diversos e uma broca para perfurar o solo em busca de bioassinaturas. Sendo assim, dar ao rover o nome de uma cientista que desempenhou papel essencial na descoberta da estrutura do ácido desoxirribonucleico faz todo sentido.

A previsão de finalização da construção do robô é para o final de julho, quando a máquina será transportada a um centro de testes da Airbus na França. Então, o rover Franklin será integrado à sua cápsula de transporte, ficando pronto para que os russos façam o lançamento. O robô será enviado, de acordo com a programação oficial, entre os dias 25 de julho e 13 de agosto do ano que vem, chegando a Marte em março de 2021.

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Sobre Rosalind Franklin

A cientista conseguiu registrar duas imagens de raios-X com a estrutura do ácido desoxirribonucleico, permitindo que James Watson e Francis Crick decifrassem a forma de dupla hélice do DNA. Ou seja: a dupla, que ganhou os méritos e reconhecimento quanto à descoberta do DNA, não teria conseguido fazer nada disso se não fosse a descoberta inicial de Franklin, que morreu prematuramente em decorrência de um câncer de ovário (em 1958, aos 37 anos) e, portanto, sem o devido reconhecimento.

Rosalind, em 1952, investigava o arranjo atômico do DNA usando suas habilidades na manipulação de raios-X para criar imagens a serem analisadas. Uma de suas fotos foi usada pela dupla Crick e Watson para a construção do primeiro modelo tridimensional da macromolécula de dois filamentos, o que permitiu a compreensão de com o DNA armazena, copia e transmite o chamado "código genético da vida". A dupla recebeu o Prêmio Nobel em 1962, e Franklin não foi mencionada pois Nobels não são concedidos postumamente.

E, ainda que tenha se dedicado à ciência no campo da biologia, Rosalind Franklin também era empolgada com os avanços da ciência espacial de sua época. Sua irmã, Jenifer Glynn, contou à BBC que em uma visita feita a Rosalind no hospital, já em seu último ano de vida, "ela estava animada com a notícia do satélite soviético Sputnik, o início da exploração espacial". Mas o que "ela nunca poderia imaginar é que, mais de 60 anos depois, haveria um rover enviado a Marte com seu nome, e de alguma forma isso torna esse projeto ainda mais especial", finaliza a irmã da cientista que, apesar das injustiças, tem seu nome marcado na história da ciência.

Fonte: ESA, BBC

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