Thor: Amor e Trovão | O que esperar do novo filme da Marvel?

Thor: Amor e Trovão | O que esperar do novo filme da Marvel?

Por Durval Ramos | Editado por Jones Oliveira | 30 de Junho de 2022 às 21h20
Marvel Studios

Depois de toda a bagunça pelo multiverso, chegou a hora de voltarmos ao lado cósmico do Universo Cinematográfico da Marvel (MCU, na sigla em inglês) com Thor: Amor e Trovão. E o longa marca mais do que o retorno do personagem à sua velha forma ou o reencontro com sua ex-namorada, mas a possível aposentadoria de Chris Hemsworth do papel de Deus do Trovão.

Ao mesmo tempo, o ritmo frenético adotado pelo diretor Taika Waititi mal nos dá tempo para respirarmos e pensarmos em nos despedir do personagem. Na verdade, tudo o que vimos até agora é frenesi, algumas piadas bem loucas, uma ameaça realmente perigosa e muita guitarra distorcida do melhor metal farofa possível.

Assinatura do diretor

Dado esse tom bastante peculiar de Waititi, é certo dizer que Thor: Amor e Trovão deve manter o mesmo tom acelerado e maluco de Thor: Ragnarok. Enquanto os primeiros filmes do herói tentaram se levar a série e adotar um tom mais dramático quase shakespeariano, Taika Waititi explorou o lado humorístico de Hemsworth com um roteiro bastante afetado e funcionou muito bem — apesar de os pesares — e devemos ver essa fórmula se repetir por aqui.

Isso significa que devemos ter uma história muito focada na ação, com uma trilha sonora bem marcante e tudo isso muito bem pontuado por um humor que beira o absurdo. Seja com Thor meio bobalhão, bodes berrando ou as inserções fora de hora de Korg (dublado pelo próprio Waititi), é bem provável que a fórmula Marvel de combinar ação e comédia vá estar mais forte do que nunca por aqui.

A grande expectativa é que o diretor apare algumas arestas nesse seu estilo mais insano. Em Ragnarok, o foco excessivo da comédia tirou o peso de eventos que deveriam ser mais dramáticos, como o genocídio asgardiano cometido por Hela. Era para ser algo traumático para Thor, mas que acaba virando só uma grande piada no filme. E, com Amor e Trovão, esperamos que isso seja um pouco mais dosado — ainda mais porque vamos ter uma personagem lutando contra uma doença séria, por exemplo.

Entre as maluquices de Taika Waititi, temos o Thor crossfiteiro (Imagem: Reprodução/Marvel Studios)

Ainda assim, não há como negar que essa assinatura de Waititi é o que há de mais empolgante no novo Thor. Como o longa vai trazer um vilão tão impactante quanto Gorr, o Carniceiro dos Deuses (Christian Bale), pelo menos temos a garantia de que a pancadaria e os momentos de adrenalina vão estar muito bem representados.

Luta por sobrevivência

Dentro da história, os trailers parecem já ter entregue boa parte daquilo que vai ser o roteiro. Pelo que vimos, Amor e Trovão vai começar de onde Vingadores: Ultimato parou, com o Deus do Trovão viajando pelo espaço com os Guardiões da Galáxia, com o herói voltando à velha forma e buscando um novo propósito para sua vida.

É quase certo que o Senhor das Estrelas (Chris Pratt) e companhia vão aparecer apenas no começo da história, mostrando o quanto Thor está deslocado com aquela turma e o quanto precisa encontrar a sua própria jornada depois da luta contra Thanos. E deve ser aí que eles devem se separar e o asgardiano deve procurar seu novo lugar no mundo.

Em sua busca por um novo lugar no mundo, Thor deve embarcar numa fase hippie e se afastar dos Guardiões da Galáxia (Imagem: Divulgação/Canaltech)

Deve ser após essa fase hippie com os Guardiões que ele e Korg vão se deparar com o rastro de mortes deixado por Gorr. Com base naquilo que os quadrinhos já apresentaram, o vilão deve embarcar em uma cruzada por vingança contra os deuses e isso vai acender o sinal de alerta em Thor, que deve voltar à Terra para contar aos asgardianos sobre essa nova ameaça.

E vai ser em Nova Asgard — o refúgio dos deuses que sobreviveram ao Ragnarok em Midgard — que o herói vai descobrir que o Mjölnir foi restaurado e que ele tem uma nova portadora: Jane Foster (Natalie Portman), que se provou digna de empunhar a arma e recebeu poderes divinos por isso, se transformando na Poderosa Thor.

É nesse meio tempo que devemos descobrir que a jovem astrofísica desenvolveu um câncer e luta contra a doença. Caso Amor e Trovão siga aquilo que as HQs apresentaram, vamos ver que a sua transformação em super-heroína vai afetar seu tratamento e ela vai morrer aos poucos a cada vez que usa os poderes do Deus do Trovão. É uma história bastante trágica e delicada — e, por isso mesmo, a preocupação com o modo como Waititi vai abordar.

Jane Foster como a Poderosa Thor é uma das grandes novidades de Amor e Trovão (Imagem: Divulgação/Marvel Studios)

Em meio a essas tentativas de discutir o relacionamento que Thor e Jane vão embarcar com Valquíria (Tessa Thompson) em uma jornada para tentar proteger outros deuses das investidas de Gorr — o que deve levá-los ao Olimpo.

Nesse ponto, a maior expectativa é ver o que a Marvel deve nos mostrar. Já sabemos que Russell Crowe vai aparecer como Zeus, mas há outro personagem da mitologia grega dentro do cânone dos gibis: o semideus Hércules, que até chegou a ser membro dos Vingadores por um tempo. Será que vamos ter nem que seja uma citação ao herói?

De qualquer forma, sabemos que vamos ter uma bela sequência de ação por lá e que tudo vai culminar com Thor lutando pelado. E é bem possível que vejamos Gorr atacando o palácio dos deuses e matando Zeus, já que há uma cena nos trailers em que Valquiria luta contra o vilão usando a arma do deus grego.

Gorr já se apresenta como uma das maiores ameaças a Thor e demais deuses do MCU (Imagem: Divulgaçã/Marvel Studios)

Tudo isso deve levar a história à batalha final de Thor e Gorr no planeta natal do vilão, um mundo devastado e vazio onde ele perdeu a fé nos deuses. E é bem provável que tudo isso sirva não só para dar um propósito ao asgardiano como fazê-lo entender que o seu futuro não é embarcando em aventuras ou bancando o herói da Terra, mas sendo o rei que seu pai sempre esperou que ele fosse, levando-o à provável aposentadoria.

Incógnitas de Amor e Trovão

Embora o filme pareça já estar bem desenhado em nossa cabeça, há algumas pontas soltas que ainda precisam ser respondidas, seja com o destino dos personagens ou mesmo com algumas situações que foram mostradas no material promocional.

A primeira delas é sobre as ligações com a grande história que o MCU já está costurando. Até agora, vimos uma ênfase muito grande no multiverso e parece que Amor e Trovão não deve entrar nessa temática, ainda que a gente possa ser surpreendido em algum momento.

Menção às entidades cósmicas vai conectar o longa à trama do multiverso? (Imagem: Reprodução/Marvel Studios)

Em um dos trailers, por exemplo, vemos a Poderosa Thor lutando em um salão em que há diversas estátuas de entidades cósmicas da Marvel, como a Morte, a Eternidade, O Vigia e o Tribunal Vivo. Isso pode tanto servir para apresentar esses seres — ainda mais quando alguns estão relacionados ao multiverso — como usar esse conceito de realidades e linhas temporais alternativas dentro da história.

Nas HQs, uma das vítimas de Gorr são os Deuses do Tempo e ele usa isso para viajar pela linha do tempo e enfrentar outras divindades no passado. É um argumento que se encaixaria facilmente em toda essa bagunça que estamos vendo no MCU, embora precise ser muito bem explicado para fazer sentido e gerar consequências pertinentes.

Há ainda quem acredite que Thor: Amor e Trovão pode ter conexões com Ms. Marvel, ainda mais quando a série começou a abordar conceitos de divindades como os Djinn e a falar sobre dimensões paralelas, algo que também pode se encaixar com algo que o novo longa pode apresentar. E é sempre bom lembrar que a estreia do longa coincide com a chegada do penúltimo episódio do seriado, uma coincidência que foi bem explorar com Homem-Aranha: Sem Volta para Casa e Gavião Arqueiro, por exemplo.

Há quem acredite que a Valquíria vai partir dessa para Valhalla (Imagem: Divulgação/Marvel Studios)

E, é claro, há toda a incógnita sobre o desfecho que a trama deve apresentar. Tudo leva a crer que Gorr deve matar algum personagem importante, mas não está claro ainda quem será sua vítima.

Pode ser que Jane faça o sacrifício final, já que ela sabe que não tem muito tempo por causa da doença — e porque o próprio Waititi revelou que ela não deve continuar sendo a Poderosa Thor no futuro. Ou então veremos a Valquíria realizando o sonho de todo nórdico e morra em combate.

A chance mais remota é que o próprio Thor encontre o seu fim nas mãos do Carniceiro dos Deuses. Ainda que sua despedida do papel seja bastante provável — Hemsworth falou que quer dar um tempo do personagem depois de Amor e Trovão —, a morte não parece se encaixar em todo seu arco ao longo dessa década de MCU.

Trama deve levar Thor e se tornar digno não só do Mjölnir, mas de comandar os asgardianos (Imagem: Reprodução/Marvel Studios)

O mais possível mesmo deve ser que, com a morte de Valquíria ou mesmo de Jane, Thor perceba que o seu lugar é entre os asgardianos e use toda sua experiência como herói para assumir o trono de Asgard e governe para impedir que novas ameaças surjam contra seu povo.

Parece uma fanfic, mas é o tipo de narrativa que se encaixa bem no atual momento do personagem e em tudo o que foi mostrado até aqui. E, ainda que as coisas soem até previsíveis, é o modo como isso tudo deve ser mostrado que nos desperta mais curiosidade. Afinal, a loucura de Taika Waititi foi a melhor coisa que aconteceu ao Deus do Trovão e ela é a coisa mais imprevisível que o MCU já apresentou.

Thor: Amor e Trovão chega aos cinemas no próximo dia 7 de julho.

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